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Foto: Divulgação

Com 35.500 hectares de soja plantados na safra 2016/2017, produtores ligados à Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (Coapa) superaram os números do último ano agrícola e registram a maior área plantada em seus 18 anos de história. Após o cultivo da oleaginosa, os agricultores acompanham atentamente as previsões climáticas, pois um bom volume de chuvas é fundamental para alcançar a produtividade almejada.

“A perspectiva é que seja uma colheita positiva”. Diz o presidente da Coapa, Ricardo Khouri, produtor de grãos e engenheiro agrônomo. Nesse contexto, as chuvas são como uma benção para a boa safra que se espera. A colheita dos grãos está prevista para acontecer entre meados de fevereiro e abril.

De acordo com o presidente da Coapa, os produtores viveram um período de apreensão no quarto trimestre de 2016, pois o plantio começou com poucas chuvas. “Viemos de uma safra com perdas significativas devido as poucas chuvas, que causaram o chamado estresse hídrico. Devido à experiência da safra anterior, a perspectiva era de reversão na atual safra”, analisa. Isso porque choveu pouco em outubro de 2016, justamente no início do plantio da safra 2016/2017. Mas, os produtores que já dispõem de aparato tecnológico conseguiram fazer um bom plantio.

Entretanto, em dezembro ocorreram chuvas regulares. Porém, a partir do período que antecedeu o Natal de 2016 até o final da primeira quinzena de janeiro de 2017 chegou a ficar até 25 dias sem chover, o que gerou certa apreensão entre os agricultores. “Felizmente, o chamado veranico [estiagem] foi na fase vegetativa das plantas e não comprometeu tanto o desenvolvimento”, completa Khouri, lembrando que na segunda quinzena de janeiro deste ano ocorreram chuvas mais regulares e foi possível a recuperação das plantas.

Nesse processo produtivo, em fevereiro parte da lavoura estará no enchimento de grãos, fase em que as plantas precisam de muita umidade. Daí a importância de um bom volume de chuvas, o que é esperado pelos produtores. O ideal é que chova, pelo menos, 350 milímetros bem distribuídos durante todo o mês. “Tudo leva a crer que, pelas previsões dos climatologistas, em fevereiro as chuvas sejam regulares para termos uma boa safra”, torce o presidente.

O engenheiro agrônomo da Coapa, Eduarte Bonafede, lembra que na safra 2015/2016, a pouca quantidade de chuvas chegou a causar perdas de áreas e alguns prejuízos financeiros aos agricultores. Mas, se o clima permanecer favorável a perspectiva é que ocorra uma boa produtividade na safra atual. Mas, como diz o presidente Ricardo Khouri, tudo depende das condições climáticas. A oferta de chuvas favorece não somente o plantio de soja, mas também da chamada “safrinha”, já que provoca a umidade do solo, essencial para a produção.

Bonafede lembra que a safrinha de milho e sorgo deverá ser mantida nas áreas que foram plantadas entre outubro e novembro de 2016, considerando que os preços desses grãos estão atrativos no mercado. Sobre as lavouras de soja, o engenheiro agrônomo explica que a presença de pragas, como lagartas e percevejos está dentro do esperado e sendo controlada com inseticidas. “Fazemos o controle preventivo e tudo está sob controle”, assegura.

Números

Na safra 2016/20178, 120 associados da Coapa estão produzindo grãos nos municípios de Pedro Afonso, Bom Jesus do Tocantins, Santa Maria do Tocantins, Itapiratins, Itacajá, Recursolândia, Centenário, Tupirama, Rio Sono e Tocantínia, sendo que 20 deles estão plantando soja pela primeira vez.

Estragos em 2016

Em 2016, nem mesmo as chuvas que caíram no início de março foram suficientes para amenizar os estragos que a estiagem prolongada provocou nas lavouras da região de Pedro Afonso. O período seco coincidiu justamente com um momento fundamental para as plantações: a fase de florescimento e enchimento de grãos. Além disso, as altas temperaturas e a baixa umidade também afetaram o desenvolvimento das lavouras, causando abortamento de folhas, flores e vagens. Com isso, o peso dos grãos diminuiu e caiu a produção. A seca, segundo a Coapa, teria causado problemas em propriedades que ocupam uma área de aproximadamente 50 mil hectares. Em algumas regiões foram mais de 30 dias sem chover. “Um quadro estarrecedor”, analisa Khouri.

Por conta disso, a Prefeitura de Pedro Afonso chegou a decretar situação de emergência no município, já que a estiagem estaria causando prejuízos a pecuaristas e comprometendo a produção de cana de açúcar. Outros municípios da região Centro-Norte também chegaram a decretar situação de emergência, entre eles, Guaraí, Santa Maria do Tocantins, Tupirama, Bom Jesus do Tocantins e Rio dos Bois.

Crescimento

De acordo com o observatório agrícola de Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos (2017/17), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de janeiro deste ano, no Tocantins praticamente toda a área já foi plantada e a expectativa para esta safra é de um crescimento de aproximadamente 10% em relação à safra anterior, impulsionado pelo cultivo em áreas onde na última safra não foi possível realizar o plantio ou pela necessidade de replantio, e que devido aos problemas climáticos optou-se pelo milho, além da abertura de novas áreas, movido pelas atuais conjunturas de mercado e facilidades na comercialização desta oleaginosa.

Em algumas regiões produtoras, boa parte do plantio passou por estresse hídrico, que ocorreu entre o final de novembro e início de dezembro, com presença de pancadas de chuvas pontuais e irregulares, provocando a paralisação do plantio, que foi retomado no primeiro decêndio de dezembro.