Palmas

Foto: Divulgação Vereador Leo Barbosa encaminhou nota de repúdio contra a Prefeitura de Palmas Vereador Leo Barbosa encaminhou nota de repúdio contra a Prefeitura de Palmas

O sepultamento do jornalista Iberê Barroso, falecido no último dia 28 de fevereiro, foi marcado por constrangimento, nesta última quarta-feira, 1° de março, em Taquaruçu, distrito de Palmas/TO.

De acordo com o vereador Léo Barbosa (SD), a Prefeitura de Palmas inicialmente teria negado a permissão para sepultar o corpo do jornalista usando uma portaria de 2013, adotada pela Prefeitura, como justificativa. “Que só pode ser enterrado em Taquaruçu pessoas que tem renda inferior", explicou Léo em entrevista ao Conexão Tocantins na manhã desta quinta-feira, 2.

O vereador considerou a atitude absurda, já que Iberê residia no distrito há muitos anos. “As pessoas que moram lá, como o Iberê e outros, mas que tem uma renda de R$ 1.800, R$ 1.900, por exemplo, não tem direito. Já pensou que absurdo! Você vive lá 30 anos e não pode ser enterrado lá”, lamentou.

Léo ainda explicou que mesmo que fosse preciso pagar alguma taxa, o anseio era para que Iberê fosse enterrado no cemitério de Taquaruçu. “É um direito dele como cidadão, pessoa que construiu, ajudou a construir a história da cidade, de ser enterrado onde viveu a vida inteira”, defendeu o vereador.

Segundo o vereador, ele entrou em contato com a Prefeitura de Palmas por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social e também Secretaria de Infraestrutura e, nesta última, Léo Barbosa recebeu autorização para o sepultamento no cemitério do distrito, entretanto, quando o corpo chegou ao local os funcionários recusaram-se a sepultar o jornalista. “Quando chegou lá, os funcionários alegaram que não estavam autorizados e se negaram a fazer o sepultamento, com a cova já aberta”, informou Léo.

Bate boca

Com a negativa dos funcionários do cemitério de realizarem o sepultamento do corpo, jornalistas e comunidade presentes, se revoltaram. “Os jornalistas e a comunidade se revoltaram, inclusive meu pai (o deputado Wanderlei Babrosa (SD)) que estava lá e bateu boca com funcionário, jornalistas bateram boca, com sentimento de revolta e de constrangimento”.

Segundo o vereador, a comunidade foi que fechou a vala da cova, pois os funcionários se recusaram. “Ele foi sepultado, mas com negativa da Prefeitura. Sepultado por intermédio da comunidade que se revoltou”, disse Léo Barbosa.

Segundo o vereador, a medida da Prefeitura de Palmas é discriminatória. "Não dá para entender o porquê das pessoas que moram lá não poderem ser enterradas lá por uma questão de contracheque. É um absurdo, é uma política discriminatória com quem mora lá, com quem ajudou a fazer a história da cidade", concluiu. 

O Conexão Tocantins solicitou e aguarda posicionamento da Prefeitura de Palmas. 

O vereador Léo Barbosa encaminhou na manhã desta quinta-feira, 2, nota de repúdio à imprensa. Confira abaixo a nota na íntegra.

Nota de repúdio

Venho através desta nota, repudiar a Prefeitura Municipal de Palmas pela política discriminatória adotada no cemitério de Taquaruçu e sua negativa em sepultar na tarde desta quarta feira de cinzas, o jornalista pioneiro de nossa capital Iberê Barroso.

Vencedor de prêmios nacionais de jornalismo e escritor, Iberê chegou em nossa região quando tudo ainda era poeira e ajudou a escrever a história e reproduzir fatos importantes da cidade de Palmas.

É inadmissível que moradores do distrito, pessoas que escolheram Taquaruçu para viver, sofram tamanho constrangimento e desrespeito não tendo condições de serem sepultadas de forma digna, no cemitério do distrito, em função da política adotada pela prefeitura.
O ocorrido não é um fato isolado, que não pode continuar a repetir-se.

A prefeitura precisa urgentemente rever estas medidas e compreender a importância de dar as pessoas do distrito um lugar para serem enterradas.

Léo Barbosa