Campo

Foto: Delfino Miranda

O presidente da Adapec, Humberto Camelo, recebeu na tarde dessa segunda-feira (10), vereadores de Gurupi, o presidente da Assembleia Legislativa, Mauro Carlesse e o presidente da Agência Tocantinense de Saneamento (ATS), Eder Fernandes, para debaterem a restrição de aglomerações de equídeos em eventos abertos, em razão de uma determinação judicial que envolve o município. Na ocasião, foram apresentados aos participantes a atual situação do Mormo no Estado e as ações para prevenir, controlar e combater a doença, por parte da Agência.

O presidente Humberto Camelo explicou que Gurupi é limítrofe aos focos que foram registrados em Formoso do Araguaia, Sandolândia e Cariri do Tocantins, o que provocou uma determinação judicial para impedir a proliferação da doença. “Seguimos as exigências do Ministério da Agricultura e a determinação judicial do município. Não podemos assegurar que não há riscos em eventos abertos, a exemplo da cavalgada, pois possibilita a entrada de animais, aleatoriamente, ao longo do percurso, inviabilizando a fiscalização”, enfatizou acrescentando que, os eventos cadastrados na Agência e o trânsito de equídeos com documentos obrigatórios são permitidos.   

No Tocantins, das 85 propriedades rurais suspeitas, 57 foram interditadas. Foram coletadas 1.465 amostras de sangue para possível diagnóstico do Mormo. No total, foram diagnosticados 34 animais positivos. “Desde 2015, quando surgiu a doença, temos feitos um trabalho árduo, para impedir que a doença avance, porém a cada novo caso, é realizado o sacrifício dos animais positivos e o regime de saneamento na propriedade. O tempo é necessário, porque é a forma mais segura de prevenção”, disse o presidente. A desinterdição só é feita após a realização de dois exames de Fixação de Complemento consecutivos com resultados negativos, em todos os equídeos da propriedade, com intervalos de 45 a 90 dias.  

Na região, de 2015 até abril de 2017, foram promovidas 292 palestras, com um público de 5.950.

O Responsável pelo programa estadual de sanidade dos equídeos, Raydleno Mateus Tavares, falou especificamente do trabalho de saneamento nas propriedades focos e nas circunvizinhas, a forma de transmissão da doença e os riscos para os animais e aos humanos. “O Mormo não tem tratamento, os animais positivos são sacrificados. É uma doença de grande importância porque a literatura relata uma alta letalidade em humanos infectados com a bactéria, podendo chegar a 95% de chance de vir a óbito. É um problema de saúde pública”, destacou acrescentando que aglomeração de equídeos, sistema de criação coletivo, trânsito irregular e o manejo higiênico deficiente são fatores que favorecem a contaminação.

O presidente da Assembleia Legislativa, Mauro Carlesse, disse que a reunião foi produtiva. “As discussões foram válidas. Agora, vamos elaborar um requerimento para sensibilizar a justiça, com intuito de cancelarem as restrições em Gurupi”, pontuou. A restrição de aglomeração de equídeos no município de Gurupi, que o órgão está cumprindo, está previsto no processo nº 0004119-03.2016.827.2722 da Comarca do município.

Participaram da reunião os vereadores: Jair Souza, Valdônio Rodrigues e Eduardo Fortes, bem como a equipe técnica da Agência.

Mormo

O Mormo é uma zoonose, infectocontagiosa, cuja letalidade em humanos é alta, e a infecção humana ocorre por contato com secreções por via de penetração da pele, mucosa nasal e ocular. Além disso, pode ser transmita de um animal para o outro por meio da ingestão de alimentos (ração, feno, volumoso) ou água, compartilhados por vários equídeos (contaminados e sadios), através de descargas do trato respiratório ou lesões de pele ulcerada de animais infectados, salienta-se que principalmente em aglomerações o risco de contaminação dos animais é maior devido a esta prática ser comum.

Devido à inexistência de vacinas e os tratamentos serem proibidos para os animais, recomenda-se para o trânsito de equídeos exames negativos para a enfermidade; controle de eventos pecuários e aglomerações de equídeos (por exemplo: cavalgadas, vaquejadas, outros). Ao todo, 23 Estados têm registro da doença.