Cultura

Foto: Divulgação Museu Municipal de Barueri apresenta a exposição “Paradoxos, Territórios e Outras Imagens”, de Antônio Netto  Museu Municipal de Barueri apresenta a exposição “Paradoxos, Territórios e Outras Imagens”, de Antônio Netto

O Museu Municipal de Barueri, em São Paulo, apresenta até o dia 2 de julho a exposição Paradoxos, Territórios e Outras Imagens, de Antônio Netto, um dos nomes mais expressivos e atuantes do abstracionismo concreto (ou geométrico) no Tocantins, que completa 25 anos de trajetória artística no ano de 2017 e vem a público com sua 9° exposição individual. 

Paradoxos, Territórios e Outras Imagens contempla obras de fases das exposições Paradoxos da Forma (2006), Espaços Preenchidos de Vazio (2008), Versos Reverso (2009), Território Imaginário – Ocupações (2015) mais os quadros de safra recente; estudos que surgem como desdobramentos estéticos da Território. Serão apresentados 75 trabalhos, de diferentes tamanhos e formatos, em acrílica sobre tela. 

Paradoxos da Forma (2006) surge no período em que Netto, a partir de suas atividades como educador, intensifica seus estudos sobre física quântica, física da cor e, consequentemente, se abre para o próprio paradoxo implícito em que uma mesma forma geométrica, observada por diversos contextos, obtém significações completamente distintas. É uma exposição marcada por sua incursão mais intensa no modelo abstrato de composição concreta. 

Espaços Preenchidos de Vazio (2008) é quando as formas geométricas começam a ganhar espaço, passam a ser separadas e recortadas sobre fundos mais livres, esfumaçados, com as formas geométricas bem firmes à frente, em primeiro plano. São abertos tons, sobretons, ritmos e espaços que possibilitam uma sonoridade até então inédita em sua obra, onde os vazios permitem a entrada de sons e ruídos. Uma fase que se desenvolve em consonância com a cidade de Palmas, que nesse período atravessa por um processo de transformação muito intensa, se verticalizando e transformando-se em espaço para uma diversidade cada vez maior de ruídos, sujeiras urbanas e alternativas. 

Para cada exposição Netto costuma produzir obras excedentes, que não integram o acervo “principal”, e que ficam em seu ateliê, vindo a serem utilizadas como peças de transição entre uma fase e outra. Nesse contexto surge Versos Reverso (2009), que representa um momento de reavaliação conceitual de diversas fases anteriores (desde Codificações – exposição de 2001) onde há um diálogo e análise das técnicas e estruturações utilizadas anteriormente em contraposição com seu trabalho mais recente até então. 

Em Território Imaginário – Ocupações (2015), Netto inaugura uma fase mais orgânica, onde formas circulares, arredondadas e espiraladas se interpõem entre os elementos ditos retos, formais. O que resulta em obras mais despojadas, propondo um diálogo com o abstracionismo lírico, quando a composição deixa de ser apenas uma expressão de uma organização geométrica, mas sim um desdobramento de considerações mais intuitivas, instintivas e inconscientes. Criando camadas narrativas, tanto de significados quanto de sensações. 

Na atual fase (ainda sem título), há um desdobramento dessas questões espaciais e de um novo processo para obtenção das formas e camadas. O percurso dialógico tem como base o referencial imagético das formas orgânicas naturais; do encontro inesperado com os elementos dados pela biodiversidade e de como a memória os registra e os utiliza inconscientemente. A obra de Netto sempre tão urbana, arquitetônica, agora retoma o seu olhar, ainda que num plano subjetivo, para a natureza. É um instante de evolução, como no movimento espiralado de Devir, na visão filosófica de Hegel. 

Sobre o artista

Antônio Rodrigues Netto, natural de João Pessoa-PB, vive no Tocantins desde 1996. No campo das artes visuais o seu trabalho mais constante tem sido no campo geométrico (concreto) abstrato. Autodidata, frequentou galerias e ateliês de diversos artistas nos anos 1980 e 1990, onde estudou técnicas de desenho a grafite, pintura a óleo e giz pastel oleoso; além de técnicas como acrílica sobre tela e aquarela. De 2006 a 2008 foi artista residente e professor de desenho e pintura da Magenta Galeria de Arte. Em Palmas desde então, além da sua produção artística, Netto atuou na gestão cultural do Sesc, Fundação Cultural de Palmas e Secretaria Estadual da Cultura, além de curadorias.

Por: Redação

Tags: Agenda Cultural, Antônio Netto, Exposição