Meio Ambiente

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Na manhã desta segunda-feira, 11, equipes de órgão ambientais reuniram-se no auditório do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) para participar do seminário ‘O Javali Asselvajado no Tocantins – Prevenção, controle e monitoramento’. O evento organizado pela equipe da Diretoria de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Naturatins, contou ainda com a participação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama – Tocantins) e da Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec).

O diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Naturatins, Gilberto Iris, afirmou que essa é uma das iniciativas do órgão que visa a preparação das equipes técnicas dos órgãos ambientais para o planejamento de procedimentos individuais e coletivos nas operações de prevenção, controle e monitoramento da fauna que são realizados em parceria.

O gerente de Pesquisas da Diretoria de Biodiversidade do Naturatins, Jorge Leonam Barbosa, comentou que o problema do javali começou no sul do país e agora avança para as demais regiões. Devido aos problemas ambientais causados por esses animais decidiu reunir representantes de equipes, para iniciar o planejamento de estratégias para o próximo ano. “A equipe de Fauna trabalha em contato direto e sabe dessa necessidade. As ações preventivas, no próximo ano,vão envolver Ibama, Adapec, o clube de tiro, de caça, da Polícia Militar Ambiental e todo o pessoal das equipes ambientais, pois além dos prejuízos causados pelas doenças, esse é um animal muito agressivo, sempre se movimenta em manadas de 100 ou mais indivíduos, atacando animais domésticos, destruindo plantações e por isso o ser humano não-habilitado, ao se deparar com um desses animais, deve buscar se proteger em locais altos, como árvores”, resumiu Leonam.

O encontro iniciou com a apresentação da palestra sobre o tema central do seminário ‘O Javali Asselvajado no Tocantins’ ministrada pela médica-veterinária e supervisora de Fauna do Naturatins, Grasiela Pacheco que destacou os principais pontos de seu tema. “A minha palestra foi para evidenciar os prejuízos causados ao meio ambiente e socioeconômicos. E a gente aproveitou para diferenciar o javali javaporco das espécies nativas, como o quexada e o cateto, que são animais silvestres protegidos por lei e por isso não é permitido o abate ou perseguição. Então apresentamos essas diferenças para que as pessoas busquem fazer esse reconhecimento”, esclareceu a Supervisora falando um pouco mais da motivação do encontro.

“O javali é uma espécie que está invadindo todo o Brasil, então já é sabido que em treze estados já tem a presença do javali e o combate dele é muito difícil, ele acaba se tornando uma praga. Como a gente já sabe que ele está presente no Tocantins, temos que começar ações de combate. Porque senão ele vai proliferar tanto que poderemos não conseguir mais administrar o controle”, pontuou Grasiela, chamando atenção para as questões envolvidas no manejo e no consumo da carne.

“A carne do javali não pode ser comercializada ou doada, porém é uma carne boa e como o animal produz muita carne, corre o risco de produzir o desperdício. O que acontece é que a pessoa que abate também acaba consumindo, mas ela assume os riscos, porque se a carne não estiver apta a ingestão, tiver algum problema, patógenos como a brucelose, não há uma vigilância para inspeção do produto. Recentemente ficamos sabendo que o javali também tem se tornado fonte de alimento de morcegos hematófobos o que aumento o risco de contaminação do vírus da raiva”, concluiu a médica-veterinária do Naturatins.

A responsável-técnica pelo Programa Estadual de Sanidade Suídea (PESS) da Adapec, Jakeline Vernier, apresentou a palestra sob o título ‘Peste Suína Clássica’ e relatou os principais pontos abordados.“A preocupação nossa hoje é com o javali, por ser uma espécie reservatória da peste suídea clássica; a presença desse animal no Estado tem crescido, então nos preocupa o contato desse animal com o suíno doméstico, devido ao risco de transmissão do vírus, que uma vez ocorrido, pode estar introduzindo a doença. E outro ponto abordado foram as medidas de controle que a Adapec tem implementado, como vigilância ativa nas propriedades criadoras de suínos, monitoramento sorológico em granjas, em criatórios de subsistência e no controle de trânsito. Aos interessados em saber mais, nós disponibilizamos equipes no nosso Núcleo de Epidemiologia para dar esclarecimentos e também pelo nosso site, onde tem informações acerca da doença, da legislação ou ligando no 0800 63 1122”,

O responsável-técnico pelo Programa Estadual de Erradicação da Febre Aftosa (PEEFA) da Adapec, Márcio Rezende, com a palestra ‘Febre Aftosa’ alertou que a espécie javali é um possível amplificador da febre aftosa. “O Tocantins trabalhou firme para erradicar essa doença e já estamos livres há 20 anos, então a gente precisa trazer o conhecimento aos caçadores de javali os sinais e sintomas da aftosa para caso seja identificado o surgimento algum indício estarem notificando a Adapec que é o órgão que vai proceder com todo o sistema de contenção da infestação” relatou complementando.

E encerrando o evento, o analista Ambiental do Ibama, Gudmar Magalhães, apresentou a palestra ‘Controle de Javali: noções de legislação’ para esclarecer a importância de conhecer a legislação que autorizou o manejo e o controle do javali no Brasil. “Essa instrução normativa exige algumas condições, que é a declaração de manejo, ou seja, a pessoa tem que declarar para o Ibama que vai caçar e concluída a atividade será necessário prestar contas através de um relatório. Então é importante conhecer a legislação para que não se incorra em crime ambiental”, relatou o analista.

Cadastro

O cidadão interessado em proceder com o controle do javali no Tocantins, deve procurar o Ibama, que também disponibiliza informações a respeito do manejo do javali por meio do site, para então realizar o cadastro técnico federal pela internet, que não exige o pagamento de qualquer taxa. Após o cadastro o titular precisa fazer a declaração de que estará procedendo com a atividade de manejo, indicando o local e quem estará em sua companhia. O cadastrado não pode esquecer, que depois da atividade de controle terá que enviar um relatório informando a conclusão da atividade, quantos animais foram abatidos, entre outras informações.

Atualmente, a criação de javali é proibida, portanto são necessários procedimentos para legalização de trânsito no manejo desses animais. Por ser uma espécie suína não há vacinação contra aftosa, ao verificar a presença de javalis próximo a uma propriedade, o cidadão pode informar o Ibama ou o Naturatins através do Linha Verde 0800 63 1155, para o procedimento seguro de controle e manejo da espécie.

Por: Redação

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