Polí­tica

Foto: Antônio Gonçalves

Os projetos que pretende implantar, caso seja eleito governador do Tocantins, dominaram a fala do pré-candidato ao governo pelo Partido dos Trabalhadores (PT), deputado estadual  Paulo Mourão, na roda de conversa em Gurupi, na tarde do último sábado, dia 9, ocasião em que o partido fez o lançamento da plataforma “Brasil e o Tocantins que o Povo Quer” para representantes de 17 municípios da regional sul do PT. Estavam presentes o presidente estadual do PT, deputado José Roberto Forzani, a vice-presidente estadual, Marcia Barbosa, o ex-prefeito de Alvorada do Tocantins, José Barbaresco, além de presidentes do PT nos municípios e membros do partido na região.

Paulo Mourão deu ênfase às suas propostas para a educação, agricultura familiar, bem como o setor produtivo como um todo, defendeu uma revisão tributária e o estímulo aos modais de ligação com a Ferrovia Norte-Sul (FNS). Ações com o único objetivo de aumentar o Produto Interno Bruto (PIB), e consequentemente a renda dos tocantinenses.

O pré-candidato destacou que quer fazer diferente, quer discutir com a sociedade. “Por isso a roda de conversa, num primeiro momento com os simpatizantes e filiados ao Partido dos Trabalhadores, posteriormente com mais pessoas para a gente sair desse modelo de que quem manda é o poder financeiro”, frisou.

“Quero fazer da educação um sistema de política de estado, mas não posso permitir que meu professor fique ganhando R$ 2.800,00, enquanto um motorista do Tribunal de Contas do Estado (TCE) ganha em torno de R$ 18 mil. Ele pode continuar ganhando esse salário, mas o Tocantins tem que valorizar o professor com a melhor política de salário”, defendeu. “Eu não posso dizer que vou estimular a educação se meu professor não tiver estimulado e valorizado”, afirmou. “Não é construir belas escolas e chega lá falta o professor, vai resolver o que? Eu começo pelo professor, eu começo climatizando escolas, e vou a cada momento melhorando até chegar no belo prédio, mas a prioridade é o aluno que vai fazer a economia do nosso estado gerar renda, é a educação, ciência tecnologia que vão fazer nós aumentarmos o nosso PIB”, garantiu.  

De acordo com Mourão, o Tocantins tem R$ 25 bilhões de PIB, que é a soma de tudo que é produzido. “Um país só consegue se desenvolver se aumenta o PIB, é uma engrenagem, tenho como missão como governador aumentar o PIB em 50%, se eu aumento o PIB eu aumento renda, se aumento a renda, eu aumento o consumo, se aumento o consumo eu aumento a produção/produtividade, se eu aumento a produção/produtividade, estou aumentando o investimento, é um círculo que se completa e se fortalece”, exemplificou.

O pré-candidato esclareceu que colocou seu nome novamente como candidato a governador, a pedido do partido. Disse que das outras vezes não deu certo, “talvez porque não era pra dar”. “Sou muito temente a Deus, eu acredito nos desígnios de Deus, e agora as coisas estão começando a se encaixar, quem antes me via atravessado está começando a me ver diferente, quem antes não queria conversar com o PT está aceitando conversar”, declarou, enaltecendo a articulação política do deputado Zé Roberto e da professora Marcia Barbosa. “Têm sido muito competentes no diálogo com outros partidos”, elogiou. 

Paulo Mourão aposta em seu projeto de estado e no desejo da sociedade por mudança. “Creio que a sociedade cansou, nós estamos fadigados desse jeito de governar esse estado, são grupos que se organizam e se fortalecem economicamente e vão comprar lideranças no estado para poder apoiá-los, por isso que nós temos que nos conscientizar, fazer compromissos que possam edificar o estado que nós sonhamos”, estimulou.

“Quando vejo uma criança isso me motiva a trabalhar por este estado, se não o fizer, ela vai receber um estado muito pior do que os jovens de hoje estão vivendo, precisamos nos organizar, nos despir de vaidades”, defendeu. “Eu posso até não ser o candidato a governador, se Deus assim não permitir, mas eu estarei apoiando alguém se tiver compromisso com esse projeto de estado”, disse ele. “Agora a minha convicção hoje, por onde estou andando é que o povo quer ver Paulo Mourão governador do Tocantins”, declarou, arrancando aplausos do público.

“Peço a unidade do partido, a compreensão dos companheiros e nos convide a discutir em cada cidade sobre o Tocantins que cada município quer, precisamos fazer esse olho no olho e chamar as pessoas para participar desse projeto, é a única forma de nós vencermos o poderio econômico desses grupos que se organizam para continuar roubando, roubando não dinheiro, porque isso é menor, roubando o que é mais precioso que são os nossos sonhos e as esperanças”, relacionou.

“Estão destruindo a capacidade da gente sonhar neste estado, temos que nos levantar, não podemos aceitar passivamente, e muito menos ficar numa cadeira só fazendo a crítica, temos que ser proativos, determinados, e construir com nossas determinações e esforços próprios o sonho que nós queremos deixar como legado de qualidade de vida para o nosso povo”, ressaltou.

Diretor de escola 

Uma das propostas defendidas pelo pré-candidato é um novo modelo de escolha de diretor de escola. “Na educação, precisamos inovar , precisamos criar e o político entender que um deputado não pode indicar um diretor de escola, precisamos criar um modelo de escola democrática, preparar os diretores, uma pessoa para chegar a diretor terá que no mínimo ter passado por uma avaliação e qualificação sobre pedagogia, ter experiência de dar aula, precisa ser líder, porque tem que liderar professores, corpo administrativo e funcional da escola, precisa ser acreditado pelos pais dos alunos e precisa conhecer de gestão”, destacou, lembrando que todos poderão participar e se qualificar para ser diretor.

Produção sustentável

Para produzir, gastando menos água, a proposta de Mourão é investir em um novo modelo mundial de irrigação, subterrânea ou por gotejamento, sistema moderno, adotado pela França que utiliza 30% da água que é usada na irrigação por inundação ou aspersão, modelo adotado no Tocantins. “Esse é um sistema do século passado”, avaliou. Outra preocupação do pré-candidato é quanto aos desmatamentos que continuam. “Não podemos mais incentivar os desmatamentos, principalmente sem respeitar as nascentes dos rios, matas ciliares, temos que recompor muita coisa”, afirmou. “Quem abastece os rios são os aquíferos e eles estão perdendo o nível por conta do desmatamento equivocado”, assegurou. 

A sugestão do pré-candidato é se criar conselhos de inteligência estratégica, com a participação de todos os reitores de todas as faculdades, para viabilizar estudos e pesquisas, a fim de discutir quais as políticas serão implementadas em ações e projetos. Para esta finalidade seria destinado 1% dos recursos da Receita Corrente Líquida (RCL) do estado, que hoje é de R$, 7,5 bilhões. O segundo conselho sugerido por Mourão seria de desenvolvimento regional, composto pelos presidentes das diversas federações do estado, seja dos trabalhadores rurais, comércio, indústria, dos sindicatos, além dos prefeitos de cada polo regional. 

Revisão tributária

Paulo Mourão entende que o grande problema do país são as isenções tributárias para as grandes empresas. “O Brasil concedeu nos últimos anos R$ 278 bilhões em isenções tributárias, para as grandes empresas, mas por que não é dado para as pequenas empresas que são as fomentadoras do emprego”, questiona.

“O Tocantins tem R$ 2 bilhões em incentivos tributários, a Energisa é uma das beneficiárias, que cobra caro do assalariado, 90% dos trabalhadores tocantinenses ganham até dois salários mínimos e pagamos a quinta energia mais cara do país”, informou. “Não justifica eu dar incentivo fiscal para a JBS, eu tenho que dar incentivo fiscal também para os pequenos frigoríficos, então é preciso fazer uma revisão tributária”, garantiu. 

O estímulo fiscal deve beneficiar a agricultura familiar também. “70% do que se põe na mesa do tocantinense é produzido pela agricultura familiar, então temos que incentivar o pequeno que produz”, defendeu. “Porque aí as pessoas passarão a ser empreendedoras, a agricultura familiar passa a gerar emprego e renda também”, observou.

Modais e a Ferrovia Norte-Sul

“Como é que temos uma Ferrovia Norte Sul, que passou 35 anos para ser construída, e até hoje essa ferrovia não melhorou a economia de Gurupi, é porque ela não se integrou à economia de Dueré, Aliança, Porto Nacional. Eu tenho que fazer a economia do estado usar a Ferrovia Norte Sul, isso é um planejamento para baratear o transporte, que pesa no consumo das famílias, além de conservar a malha viária”, simplificou.

O projeto para este setor prevê ainda o estímulo aos eixos de ligação com os estados. “Precisamos fazer disso não um projeto eleitoreiro, mas um projeto de estado, a rodovia 242 no Mato Grosso, a conclusão da 235, que liga o Maranhão por Pedro Afonso, ligação comercial com o Piauí através da Chapada das Mangabeiras com o Jalapão, para fomentar o turismo, mas tenho que preservar o Jalapão, não permitir que a soja entre no Jalapão, não que eu seja contra a cultura da soja, quero estimular a soja a produzir cada vez mais, mas com tecnologia de menor impacto ambiental, gerando emprego e renda para o nosso povo”, esclareceu.

Sustentação 

Para o presidente estadual do PT, o partido precisa estar preparado, organizado para poder dar sustentação à sua candidatura própria ao governo do estado. “Precisamos estar unidos para garantir a candidatura do deputado Paulo Mourão e assim termos a condição de mudar a história do Tocantins com um governo compromissado com o povo”, salientou Zé Roberto. Estavam presentes na roda de conversa representantes dos seguintes municípios: Gurupi, Jaú do Tocantins, Aliança do Tocantins, Dueré, Formoso do Araguaia, Figueirópolis, Peixe, Talismã, Alvorada e Araguaçu.