Cultura

O que representa viver com um corpo que perde capacidades e, ao mesmo tempo, ganha sabedoria com o acúmulo das experiências vividas? Como aceitar ou lutar com o fato de que quando estamos mais prontos para a vida é quando nosso corpo mais precisa de trégua? A intuição da morte, a perda da memória, a fragilidade física, a solidão, mas também o afeto, o companheirismo, a serenidade, permeiam, entre outras questões, uma atmosfera onde o tempo é sentido por meio da dilatação e da contemplação, e onde a velhice é revelada em sua dureza e em sua doçura.

A temática nasceu durante sessões de improvisação abertas que os artistas vinham realizando como parte de uma pesquisa sobre processo de criação. Foi surgindo nos dois o desejo de falar sobre como e quando se começa a envelhecer, quando o corpo começa a não realizar atividades que antes eram simples. "Meu próprio corpo é reflexo disso. Voltar a dançar, após vinte anos fora dos palcos, período em que atuei como diretora e coreógrafa, foi uma redescoberta e um aprendizado sobre esse novo corpo, que também envelhece a cada dia”, explica a coreógrafa e pesquisadora Giselle Rodrigues, que dirige a companhia BaSiraH, em Brasília.

No palco, elementos do teatro e da dança se fundem resultando numa dança contemporânea mais dramática e teatral. A coreografia ampliada pela oralidade. O verbo em corpo mais potente. “Desde o princípio do processo, buscamos dar ênfase a uma composição que primasse pelo detalhe, pela sutileza e pela abordagem poética de pontos difíceis e até tabus sobre o processo de envelhecer. Como contraponto, procuramos dar uma poeticidade surgida de um trabalho com a palavra que nasceu do improviso, gerando textos presentes no espetáculo”, afirma Édi Oliveira.

Concebido e interpretado por Giselle Rodrigues e Édi Oliveira , o espetáculo estreou em outubro de 2015 no Teatro SESC Garagem, em Brasília. Em 2016 participou de dois festivais no Brasil: Festival Brasileiro de Teatro - XVIII Edição (RJ) e o Cena Contemporânea - Festival Internacional de Teatro de Brasília (DF). Participou, ainda em 2016, da Mostra Prêmio SESC do Teatro Candango, na qual foi premiado em 6 categorias: melhor espetáculo, melhor direção e melhor atriz, entre outras. Em agosto de 2017, participou, como convidado, da XVI Edição do Festival de Danza Contemporanea de Costa Rica e do Festival do Teatro Brasileiro em Belo Horizonte (MG).

Na capital de Tocantins serão duas apresentações para o público em geral, dias 24 e 25 de março, no sábado às 20 horas e domingo às 19 horas, com bilheteria a preços populares: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Na sexta-feira, 23, o projeto é voltado para a formação de platéia, sob a mediação do arte-educador brasiliense Glauber Coradesqui. Esta sessão será gratuita e direcionada a alunos de escolas e universidades públicas, grupos de idosos e de pessoas surdas.

Todas as apresentações serão seguidas de um bate-papo com os artistas. Está previsto ainda, no sábado pela manhã, um encontro dos diretores e intérpretes do espetáculo, Giselle Rodrigues e Édi Oliveira, com artistas locais possibilitando uma troca de experiências. Todas as atividades contam com uma intérprete em libras, ampliando e viabilizando o acesso de surdos.

Fio a Fio foi selecionado pelo Programa Petrobras Distribuidora de Cultura 2017/2018, para circulação em Palmas (TO), Niterói (RJ) e Fortaleza (CE). Esta é uma realização do Ministério da Cultura e Governo Federal, Ordem e Progresso.

Serviço:

Fio a Fio, espetáculo de teatro-dança, com Giselle Rodrigues e Édi Oliveira

Onde: Teatro SESC Palmas (Quadra 502 Norte, Av. LO 16, Lt. 21-A)

Quando: Dia 23/3*, às 16 horas - Sessão gratuita de formação de platéia (*para público específico)

Dias 24 e 25/3, sábado às 20h e domingo às 19h

Ingressos: R,00 (inteira) e R,00 (meia)

Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 12 anos Ingressos: na bilheteria do teatro ou pelo site www.sympla.com

Por: Redação

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