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Educação

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A Copa do Mundo de 2026 é um dos principais assuntos do ano, o que acende o alerta dos estudantes que prestarão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Embora o futebol seja o centro do evento, especialistas em educação destacam que o torneio mundial mobiliza discussões sociais, econômicas, tecnológicas e culturais que frequentemente dialogam com os temas abordados nas provas.

Segundo o diretor do Colégio e Pré-Vestibular Bernoulli, Felipe Valença, o campeonato reúne debates relevantes sobre geopolítica, identidade cultural, imigração, desigualdade social e comunicação digital, tópicos que aparecem no repertório exigido pelo exame. “A Copa do Mundo vai muito além do esporte. Ela movimenta discussões sobre economia, relações internacionais, diversidade cultural, comportamento e tecnologia, e o Enem procura trazer temas que estão presentes no debate público”, explica.

Mais precisamente, entre os assuntos relacionados à Copa que podem aparecer no radar das provas estão os impactos econômicos dos megaeventos e a utilização do esporte como instrumento de projeção internacional dos países. Temas como desigualdade, racismo, imigração e representatividade também podem compor enunciados das questões objetivas.“O estudante precisa compreender que o Enem valoriza a capacidade de conectar diferentes áreas do conhecimento. Um evento como a Copa do Mundo pode ser abordado sob perspectivas históricas, geográficas, sociológicas ou tecnológicas, por exemplo”, afirma o diretor.

O que pode estar no radar das provas? Geopolítica e relações internacionais

A Copa do Mundo é um dos maiores eventos globais e envolve interesses econômicos, diplomáticos e estratégicos entre diferentes países. Em 2026, o torneio terá início no dia 11 de junho e será sediado de forma conjunta por Estados Unidos, México e Canadá, o que também pode abrir discussões sobre cooperação internacional, imigração e fronteiras.

No Enem, esse contexto pode embasar questões da prova de Ciências Humanas, abordando relações econômicas globais, circulação de pessoas e nacionalismo, por exemplo. Já na redação, debates sobre direitos humanos, sustentabilidade, xenofobia e integração cultural podem servir como repertório para discutir desafios sociais contemporâneos.

Tecnologia e inteligência artificial no esporte

O futebol tem incorporado cada vez mais recursos tecnológicos, como arbitragem de vídeo (VAR), análise de desempenho com inteligência artificial (IA) e coleta de dados em tempo real. Essas mudanças ampliam os debates sobre tecnologia, automação e transparência no esporte.

O tema pode aparecer em questões de Ciências da Natureza, Matemática e Linguagens, especialmente em interpretações de gráficos, dados e textos sobre inovação tecnológica. Também pode servir para propostas de redação relacionadas à presença da IA no cotidiano, ética digital e transformação das profissões.

Redes sociais e cobertura esportiva

A maneira de acompanhar grandes competições mudou significativamente nos últimos anos. Hoje, atletas, influenciadores e torcedores produzem conteúdo em tempo real, moldando narrativas e ampliando o alcance das discussões esportivas nas redes sociais.

Esse contexto pode ser explorado em questões de Linguagens e de Ciências Humanas, analisando diferentes formatos de comunicação digital, construção de opinião pública e influência algorítmica.

Desigualdade social e acesso ao esporte

Embora o futebol seja um dos esportes mais populares do mundo, o acesso à prática esportiva ainda é marcado por desigualdades econômicas, estruturais e sociais. Além disso, temas como racismo no esporte, disparidade de investimentos e falta de incentivo em determinadas regiões costumam ganhar visibilidade durante grandes competições.

Essas discussões podem aparecer na prova de Ciências Humanas e também funcionar como argumentação para uma dissertação sobre desigualdade social, inclusão e democratização do acesso ao esporte e à cultura.

“Mais do que acompanhar os jogos, o estudante pode usar a Copa como oportunidade para ampliar o repertório sociocultural e desenvolver uma visão crítica sobre temas contemporâneos”, conclui Valença.