Opinião

Foto: Marcio Vieira Raul e Marcelo durante entrega de 200 aptºs Raul e Marcelo durante entrega de 200 aptºs

Já está praticamente deslanchado o processo político de 2008 na capital. Nos bastidores Raul Filho diz não estar preocupado ainda com a política e que sua preocupação é administrar e terminar as obras de sua gestão. Obras que são muitas, mas que não estão sendo mostradas, sabe-se lá porque.

As nuvens do intricado arranjo político que vem sendo costurado com a colaboração crucial da experiência e importância política do vice-prefeito de Palmas Derval de Paiva (PMDB) parecem começar a delinear no horizonte as figuras com vistas às eleições municipais de outubro na capital. Uma possível aliança entre Marcelo Miranda (PMDB) e Raul Filho (PT) ainda está na fase do namoro, mas o noivado já pode estar para ser marcado nos bastidores.

Enquanto de um lado a pretensa candidata da senadora Kátia Abreu (DEM), Nilmar Ruiz, apesar de sua regular aprovação, vê suas chances se diluírem como fumaça no tabuleiro político em decorrência das posições da senadora que está em rota de colisão com o governador Marcelo Miranda, do outro, Raul começa a melhorar os índices de opinião pública. Sua rejeição inicial nas hostes do PMDB também começa a dar lugar à aceitação.

Kátia tem batido de frente em várias oportunidades com Marcelo Miranda. Durante entrevista hoje, (3), concedida à Rádio Jovem Pan a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) classificou a decisão do governo federal de aumentar em R$ 10 bi a tributação sobre o sistema financeiro como "ridículo”. Enquanto Kátia mantém sob fogo cerrado o governo federal defendendo interesses dos banqueiros, empresários e latifundiários, na esfera estadual Marcelo Miranda mantém o discurso de parceria com o governo do presidente Lula e dá vários sinais semânticos para tal.

As posições políticas de Kátia não estão nem um pouco afinadas com as sinalizações que vem sendo dadas pelo governador, e com vistas às eleições municipais a trinca na aliança entre os dois pode estar se aprofundando cada vez mais. Há exatos dois dias Marcelo concedeu entrevista a órgãos de imprensa onde deixou clara a intenção de permanecer aliado do presidente Lula (PT). Durante a entrevista ele falou das várias obras tocadas no estado com apoio do governo federal e da intenção de manter a parceria também com os municípios.

Cabe destacar que em matéria de parceria entre governo e municípios, a que vem tendo maior destaque é justamente a da gestão executiva petista na capital com o estado. Quando se recorre ao arquivo de imagens das principais peças do tabuleiro político do estado o que mais se vê são aparições fraternas entre Raul Filho e Marcelo Miranda. Perde-se a conta de quantas inaugurações de obras na capital os dois estiveram juntos. Na alçada estadual durante eventos e inaugurações o prefeito da capital tem merecido por parte do governo retribuição à altura nas aparições.

Só para lembrar alguns acontecimentos; durante a missão do governador a Portugal no final de agosto de 2007 quem estava lá marcando presença na despedida de Marcelo Miranda? Raul Filho. Durante a inauguração da ponte de Pedro Afonso – Tupirama o prefeito da capital também lá estava. A relação de amizade entre ambos vem de longa data. Desde o início da década de 90 quando os dois então jovens deputados estaduais, contribuíam para solidificação institucional do jovem e recém criado estado do Tocantins com proposituras legislativas.

Um dos sinais mais fortes do isolamento político que Kátia e seus comandados de partido estão cavando, foi dado justamente na reunião da executiva do DEM no dia 30 de novembro de 2007, quando se homologou o nome do deputado federal João Oliveira (DEM) para presidir a sigla no estado. Naquela oportunidade subseqüente a vários posicionamentos intransigentes da senadora em relação à política de amizade Lula – Marcelo, seu pronunciamento foi de ataques ao governo federal e de críticas veladas à administração Raul Filho.

Posterior à fala da senadora, Marcelo ocupou a tribuna do evento, onde estava a convite do DEM e na seqüência de suas palavras disparou “se a aliança daquela época funcionou, eu digo que nós namoramos, noivamos, casamos e teve o divórcio, eu durmo todo dia tranqüilo” completou. Ao final do evento o deputado estadual César Hallun (DEM) já reagindo ao discurso marcelista disse “não existe possibilidade do DEM não acompanhar Marcelo. Isso só vai acontecer se ele não quiser, aí não tem jeito” finalizou. Ao se estudar a situação parece que naquele momento se estabeleceu também uma tensão entre Hallun e Kátia. Quer dizer que se Marcelo fechar com Raul o deputado o acompanha?

Uma semana depois do evento Kátia confrontou as opiniões do governador ao dizer da tribuna do senado que o Marcelo estava enganado na questão da CPMF. Naquela oportunidade a senadora parecia padecer de algum estresse, criticou também o senador Quintanilha, sobre quem disse que havia alcançado pouco mais de 9 mil votos com sua candidatura para governador. Marcelo naquela mesma semana em nota à imprensa tratou de ratificar suas posições. Passada a votação que derrubou o imposto a senadora reuniu convidados em sua casa para comemorar. Nela não apareceram nem Hallun, nem Nilmar Ruiz, muito menos Marcelo.

O que se seguiu a estes fatos no final de 2007 foram inaugurações onde se viam Marcelo e Raul Filho e também o senador Quintanilha, como ocorreu quando foi convidado pelo prefeito para inauguração do auditório da escola Vinícios de Moraes. Kátia pelo visto está deslumbrada pelo cantar da sereia do capital financeiro e não tem avaliado corretamente os rumos políticos, ou será que ela acha que ainda tem guarida debaixo das asas siqueiristas depois de mandar Eduardo Siqueira Campos descer da garupa do pai para enfrentá-la? As nuvens tendem a ficar vermelhas.

Umberto Salvador Coelho