Opinião

De uns meses para cá temos ouvido diariamente o lengalenga do “quem estiver melhor nas pesquisas será o candidato”. Esta intenção é pregada principalmente por políticos ligados ao DEM no Tocantins e começou a contaminar até mesmo uma parcela menos democrática e mais autoritária do PMDB.

Na capital este argumento é utilizado “democraticamente” pelos demos para afastar outros pré-candidatos da disputa pelo apoio do governador Marcelo Miranda (PMDB) e o pior de tudo com a anuência “democrática” do próprio governador. Já foi assim com o petista Raul Filho, que agora segue seu caminho com a Frente popular de esquerda e agora se repete com o próprio pré-candidato do PMDB, Eli Borges.

Querem tirá-lo da jogada, mas o baixinho é invocado e fincou o pé para dizer que não retira seu nome da disputa e vai para a convenção no domingo, 22. Eli argumenta - e o fez ontem, 19, à noite, na reunião com o governador - que alem da pesquisa de intenção de votos, outros fatores devem ser considerados, a exemplo da curva de crescimento das candidaturas, índices de rejeição e propostas.

O peemedebista tem razão. Da forma como o governador e os demos estão querendo fazer, argumentando que Nilmar Ruiz (DEM) está na frente nas pesquisas é golpe. Querem acabar com a própria natureza holística da política, que é sua interrelação com o todo, que contribui para formar a nuvem estabelecida de poder que à frente será desfeita para se formar uma outra e assim continuamente, num sucessivo jogo interativo da sociedade e suas necessidades concretas e ideológicas.

Pregar que apenas a intenção de votos deve ser considerada é golpe pior do que os que eram aplicados pelo autoritarismo no curto pretérito do Tocantins, pois utiliza de uma artimanha para legitimar o que ainda nem sequer se maturou pelo debate na sociedade.

Pesquisas envolvem métodos. Mas quais estão sendo aplicados para se fazer tal escolha? É preciso explicar a metodologia para a população entender porque o governador e o DEM quer impor tal candidata.

De alguns dias para cá resolvi fazer uma pesquisa por conta própria para ver a real solidez da pré-candidata do DEM. Considerei três ocupantes do executivo da capital nos últimos anos. Perguntei a várias pessoas entre amigos e desconhecidos, qual era a grande obra feita pelo ex-prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos. Obtive como resposta algumas variáveis. Foi o Espaço Cultural disseram alguns, foi o ginásio Airton Sena, diziam outros. Até mesmo as praças das áreas residenciais foram lembradas como sendo de iniciativa do ex-prefeito.

Passei para a ex-prefeita Nilmar Ruiz e atual pré-candidata e novamente repeti a mesma pergunta. Qual a grande obra feita por Nilmar Ruiz? Obtive como resposta inicial o silêncio de 100% dos inquiridos, para depois de suscitadas as lembranças, alguns citarem os Arcos da Avenida Palmas Brasil, os jardins e o telecentro construído na mesma avenida. Mais nada.

Passei então para o atual prefeito e diante da mesma pergunta obtive como respostas as Escolas de Tempo Integral, o amplo programa habitacional, a construção de telecentros em várias escolas municipais e cobertura de várias quadras poliesportivas, alem de outras obras de menor vulto como o centro de comércio popular.

Minha pesquisa foi prática em esclarecer que em um debate de campanha, quando o eleitorado é efetivamente esclarecido sobre os serviços prestados e sobre as metas e propostas futuras, alguns candidatos como Nilmar Ruiz tem telhado de vidro e não tem nada para apresentar, aliás, tem. Só que negativas, como o caso da demissão de mais de 5 mil trabalhadores no seu último ano de governo, em 2004, que levou a uma profunda crise econômica na capital como já mais havia se visto antes.

O abandono da prefeitura também é uma lembrança viva. No princípio de 2005 sequer coletas de lixo havia e o mato tomou conta da cidade, o que levou o atual mandatário quando assumiu a decretar estado de emergência, ação constitucional chamada apenas quando algo grave ocorreu.

Até mesmo os jardins que a ex-prefeita tão bem cuidou podem ter os créditos transferidos para outro pré-candidato, pois era Marcelo Lelis (PV) quem os administrava. E o que dizer da porca arquitetura dos Arcos da Palmas Brasil? Até hoje a população se pergunta estupefata para que servem. Os recursos públicos foram para o ralo em uma obra sem a menor finalidade social, alem de ter enfeado umas das principais avenidas da cidade.

De ante dos resultados da minha pesquisa sou obrigado a dar toda razão ao pré-candidato Eli Borges. É preciso ir para o debate para ver quem tem condição de crescer e quem tem tendência a cair. É esperar para ver.

 

Umberto Salvador Coelho