Meio Ambiente

Foto: Divulgação

O uso indiscriminado de inseticidas e defensivos químicos é um problema grave. Estudos científicos afirmam que parte desses produtos químicos tem como destino final os leitos dos rios, colocando em risco a sobrevivência dos peixes. Quem manifesta preocupação com essa possibilidade no Estado é a pesquisadora da UFT – Universidade Federal do Tocantins, Geane Alves de Almeida.

Mestre em Ciências Biológicas e trabalhando no campus de Araguaína, Geane Alves desenvolve uma pesquisa para avaliar se os peixes do Tocantins sofrem alguma ameaça por conta dos defensivos agrícolas aplicados em fazendas da região Norte do Estado. A pesquisadora está trabalhando com as espécies Tambaqui e Matrinxã, bastante apreciadas pelos consumidores tocantinenses. “O objetivo é entender como estes animais respondem às alterações produzidas pelo próprio homem”, explica Geane.

Os peixes são coletados em rios da região de Araguaína e levados para o laboratório onde são submetidos à contaminação artificial, simulando o que acontece no ambiente natural deles. Depois são retirados os órgãos principais para verificar se houve mudanças no organismo. “Já é possível dizer que percebemos algumas alterações nas enzimas, que são responsáveis pelo sistema de defesa do animal”, informa a pesquisadora.

Ainda de acordo com Geane, o estudo conseguiu comprovar que a presença de defensivos agrícolas na água pode acarretar na morte precoce de peixes nativos. “Também podem ocorrer problemas como falha no crescimento e em casos mais extremos até a extinção de algumas espécies, além de causar problemas à saúde da população que consome o pescado contaminado, ocasionando doenças no sistema nervoso e alguns tipos de câncer”, conclui Geane.

A pesquisa é desenvolvida com o auxílio do pesquisador Sandro Stevan e uma equipe de estagiários, dois bolsistas de mestrado e dois acadêmicos do curso de medicina veterinária da UFT.

O estudo com os peixes é financiado pela Secretaria Estadual da Ciência e Tecnologia do Tocantins, em parceria com o CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, por meio do Programa Primeiros Projetos. O trabalho científico recebeu recursos no valor de R$ 20 mil para compra de equipamentos e material de pesquisa.

Da redação com informações da Secom