Opinião

Foto: André Camargo Prefeito Neodir Saorin (PSDB) e JR em uma das muitas audiências com prefeitos Prefeito Neodir Saorin (PSDB) e JR em uma das muitas audiências com prefeitos

Política é mesmo um jogo fascinante de ser jogado e que requer muito sangue frio e inteligência emocional. No xadrez político, tirando o diz-que-diz que não leva a lugar nenhum, o resto é puro jogo que requer boa capacidade de raciocínio lógico e interpretação dos gestos semânticos profundos feitos de um e outro lado.

Tenho observado a posição do senador João Ribeiro (PR) na atual conjuntura, e, sinceramente, com tanto trabalho que ele desenvolveu ajudando os prefeitos, merecia melhor sorte e reconhecimento, principalmente por parte daqueles que mais precisaram dele quando o repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) caiu e as prefeituras ficaram de pires vazios.

Agora que o senador precisa do respaldo destas lideranças eles parecem querer abandoná-lo. Principalmente os alcaides do seu próprio partido. Uma importante fonte governista me disse esta semana que o problema do senador João Ribeiro é que sua liderança não se consolidou no plano estadual depois da derrota do ex-governador Siqueira Campos (PSDB), para o então governador e candidato à reeleição, Marcelo Miranda (PMDB), em 2006. Naquela oportunidade Siqueira se retirou do cenário político para lamber suas feridas e cuidar dos seus assuntos pessoais. Ribeiro, então, tomou para si sob sua liderança parte dos despojos da esfrangalhada União do Tocantins (UT).

Na atual conjuntura o senador enfrenta um dilema e o oráculo do Palácio Araguaia já mostrou-lhe o caminho. Avaliam os governistas que se o senador João Ribeiro voltar para a UT, não terá vida fácil. Isto porque o deputado federal Eduardo Gomes (PSDB), uma cria siqueirista das mais estimadas, é pré-candidato ao senado, e, lá na frente, quando uma eventual chapa majoritária da UT já estivesse formada, tendo como candidatos ao senado, Ribeiro e Gomes, o primeiro seria preterido por Siqueira que centraria todos os esforços na eleição do segundo.

Sacrificar aliados quando o jogo esquenta não é novidade para o ex-governador e quem o conhece sabe que isto chega ser uma praxe do envelhecido líder, que por diversas vezes já deixou “aliados” na chapada. Que o digam Moisés Abrão, que apesar de ter sido lançado por Siqueira, se viu abandonado nas eleições de 1990. Ou mesmo a atual deputada federal Nilmar Ruiz (PR), então candidata à reeleição para a Prefeitura de Palmas em 2004 e abandonada na reta final por Siqueira.

Do lado do governo de coalizão de Carlos Henrique Gaguim (PMDB) o cenário muda um pouco para João Ribeiro. Se ao lado da UT, avalia-se que ele poderá ser preterido, desconfiança que também deve passar pela cabeça do senador. Ao lado do governo de coalizão a grande dificuldade está em ter no mesmo palanque o senador e o ex-governador cassado, Marcelo Miranda (PMDB). Isto porque os grupos liderados pelo dois caciques seriam como água e óleo.

Alguns prefeitos do PR teriam o compromisso com o senador caso ele viesse a ser candidato ao governo. No caso da candidatura ao senado os alcaides do seu partido debandam para apoiar Siqueira, pois não subiriam em um palanque que tivesse Marcelo Miranda na disputa pela outra vaga senatória. Poderiam até subir por Gaguim, mas não com o ex-governador. Daí vem a pergunta. Então para viabilizar a reeleição de João Ribeiro no grupo de coalização governista, a pré-candidatura de Marcelo Miranda teria de ser limada? Sim. O ex-governador e atual deputado federal Moisés Avelino (PMDB), inclusive, poderia ser um nome viável para compor com o senador na senatória. Mas ai reside outro problema. Marcelo está com sua liderança consolidada, aparece bem em pesquisas de consumo interno, mesmo com as denúncias que aconteceram sob o seu governo, e, além do mais, o ex-governador tem sua estrutura montada para a campanha. Para Marcelo Miranda, bastaria pegar seu avião e começar a rodar o Estado levantando sua cabalagem.

Ao senador João Ribeiro resta apenas continuar adiando sua decisão de aliança e estudar melhor o caminho onde pisa para ver se não tem mina plantada. Um possível cenário que poderia favorecer o senador, seria o PT estadual aceitar indicar a candidata a vice-governadora da base do presidente Lula no Tocantins e com isto centrar esforços em sua candidatura para contrabalancear a fuga de prefeitos do seu grupo para o lado da UT. Ele e Marcelo Miranda ainda teriam que sentar frente à frente, e, olhando olho no olho, aparar as arestas. Descrevo este cenário porque da forma como o processo tem-se conduzido, tudo caminha para que, até o dia 22 de março, Gaguim seja aclamado como o candidato da base do presidente Lula à reeleição ao governo. Nesta data o presidente Lula estará visitando o Tocantins.

Do lado do governador ele vem metodicamente removendo os obstáculos que se interpunham à sua natural candidatura e caminha para consolidar uma aliança forte. A última grande jogada de mestre de Carlos Gaguim foi o envio à Assembleia Legislativa da Proposta de Emenda à Constituição do Estado (PEC) que cria o Tribunal de Contas dos Municípios. Gaguim visa com esta iniciativa tirar poderes do ex-governador Siqueira Campos. Isto porque o ex-governador estaria usando conselheiros indicados por ele para o Tribunal de Contas para fazer barganhas com prefeitos que estariam enfrentando problemas com aprovação de suas contas. Ainda na tarde de ontem siqueiristas de carterinha como o vereador Aurismar Cavalcante (PP) chiaram. O vereador pediu através de ofício um parecer da OAB sobre a legalidade da iniciativa do governo. A PEC deve ir a plenário ainda nesta quinta-feira, 11, e ninguém tem dúvidas que será aprovada. É esperar para ver.