Meio Ambiente

Foto: Divulgação

Há quase 10 dias, todos que olham para a Serra do Carmo, localizada a leste de Palmas, enxergam somente uma grande coluna de fumaça. Desde o princípio do mês a serra, onde fica localizado o parque estadual do Lajeado sofre com um grande incêndio que o governo, o Corpo de Bombeiros ou a brigada anti-incêndio do Estado não conseguem conter.

Em entrevista ao Conexão Tocantins na manhã da última segunda-feira, o presidente do Instituto Natureza do Tocantins, Stálin Bucar Júnior já havia destacado que o órgão não conta com efetivo suficiente para o combate ao fogo que, até o momento, já consumiuSegundo pesquisadora, incêndio na Serra do Carmo traz prejuízo incalculável cerca de 70% da vegetação nativa do local.

A professora Iracy Martins – doutora em Engenharia Florestal –, que desenvolve pesquisas na Universidade Federal do Tocantins na área de reabilitação de áreas degradadas, afirmou que, ao contrário do que já foi afirmado, é impossível se fazer um cálculo do tempo que a área levará para retornar ao seu estado natural.

De acordo com ela, isso se dá por causa das queimadas subseqüentes que vem acontecendo no Tocantins todos os anos. “Mensurar isso é muito complicado, porque os prejuízos são incalculáveis”, completou.Segundo a doutora, a queimada na região traz consigo grandes alterações nas características químicas e físicas no solo, que são irreversíveis.

Projetos destruídos, prejuízos científicos

Iracy informou ainda ao Conexão Tocantins que, na região da serra próximo ao distrito de Taquaruçu, estão sendo desenvolvidos dois projetos da UFT em parceria com outras três universidades brasileiras. Entretanto, ambos sofreram fortes prejuízos com a chegada do fogo à região.

O objetivo dos projetos, segundo a professora, era realizar justamente um mapeamento de áreas degradadas do local para poder realizar um trabalho de conscientização e preservação em conjunto com a comunidade.

Segundo ela, o projeto já estava em sua fase final de implantação, quando o incêndio obrigou os pesquisadores a recomeçarem seus cálculos acerca da degradação ambiental na região.Iracy destacou ainda que, de acordo com os resultados preliminares de sua pesquisa, a situação no local já estava em níveis preocupantes por causa justamente das queimadas e do desmatamento às margens dos rios, “por acontecer a retirada da vegetação das margens (de rios) para diversos usos”, completou.

Contudo, depois do incêndio que chegou à área pesquisada, os técnicos e pesquisadores serão obrigados a refazer grande parte do trabalho já realizado. “Vamos ter que fazer uma revisão do mapeamento, justificar a necessidade de continuar com o projeto, quem sabe fazer um novo projeto”, informou.

Como evitar

O técnico ambiental da organização não governamental APA-TO, Paulo Rogério Gonçalves, afirmou que falta apoio e orientação aos produtores rurais da região. “A gente observa que, muitas vezes, o apoio aos produtores rurais reduz as queimadas”, informou.

Outro motivo para a grande proliferação de focos de incêndio no Tocantins, segundo Gonçalves, é a monocultura de pastos para a criação de gado. Segundo o técnico da ONG, no Tocantins, ao todo, são 7 milhões de hectares de pastos, ou seja, 25% da área total do Estado. “Essa monocultura de pasto no Tocantins acaba gerando esse problema de queimadas”, informou.

Paulo destacou ainda, que, por causa de sua vegetação rasteira e árvores de copa baixa, o cerrado acaba se tornando uma área de pasto natural, o que incentiva a criação de gado no Tocantins. Uma solução apontada pelo técnico da APA-TO é o incentivo à policultura nas terras tocantinenses. Segundo Gonçalves, duas alternativas são a fruticultura e a apicultura. “Como as colméias são feitas de madeira, o criador de abelha não vai botar fogo ao redor, para não destruí-las”, concluiu.

Outra alternativa destacada por Paulo, é a maior fiscalização sobre as queimadas controladas. Este tipo de queimada é autorizado e fiscalizado pelo Naturatins, no entanto, o técnico ambiental afirmou que o ideal seria um acordo entre os produtores para que essas queimas não fossesm feitas simultaneamente. Esta semana o Tocantins e o Corpo de Bombeiros ganharam reforços no combate aos incêndios na Serra do Carmo.

Chegaram à Palmas aviões, helicópteros e reforço pessoal no combate às chamas que consomem a vegetação do lugar. No entanto, enquanto a população não se conscientizar do mal que uma queimada descontrolada proporciona, a fauna, a flora e os frágeis sítios arqueológicos da região da Serra do Carmo, vão continuar correndo perigo todo ano.