Educação

Foto: Rodolfo Ward

No ano de 2011 a modalidade de Ensino a Distância, na Fundação Universidade do Tocantins, completa 10 anos. Desde 2001 a universidade promove, em parceria com a empresa inicialmente chamada de Educon, a distribuição de tele-aulas para formação acadêmica de estudantes no terceiro grau.

No entanto, nem tudo foram flores no ensino a distância promovido pela Unitins. De acordo com o pró-reitor de Graduação da universidade, professor Geraldo Gomes, até o ano de 2004, enquanto a modalidade contava apenas com o curso Normal Superior e a abrangência era apenas estadual, a engrenagem funcionou bem. “A estrutura da Unitins para a EaD no Brasil e no Tocantins funcionou bem nos três primeiros anos com reflexão teórica, produção de material impresso e videográfico”, informou.

Problemas na expansão

De acordo com Gomes, foi a partir deste período que o sistema EaD da Unitins passou a ofertar maior número de cursos e a ampliar sua área de alcance para todo o território nacional.

Com o grande crescimento da rede de Educação a Distância de forma desordenada, milhares de tele-salas surgiram nas mais diversas localidades do Brasil. Este fato unido à falta de planejamento estratégico no início da expansão acadêmica da modalidade EaD, gerou, segundo Gomes, uma série de incidências de fraude com relação à expedição de diplomas e documentação dos alunos. “Com a expansão crescentemente desordenada, não se pensou e nem planejou efetivamente a gestão acadêmica”, completou.

No auge do atendimento da modalidade EaD, o ensino era distribuído para os centros associados em até dois mil municípios espalhados por todos os Estados da nação. Segundo o pró-reitor, a previsão inicial, era para atender um volume de até 120 mil estudantes.

Outro ponto salientado pelo professor foi a falta de clareza no contrato com a empresa prestadora de serviços tecnológicos, conhecida hoje como Eadcon. De acordo com ele, esta falta de clareza, no entanto, surgiu a partir “das próprias indefinições das políticas públicas estaduais para a educação superior na modalidade EaD”.

Segundo o pró-reitor da Unitins, foi a partir deste momento que a universidade passou de uma instituição de ensino superior, para uma certificadora de estudantes muitas vezes despreparados. “A Unitins produzia a essência; a empresa associada embalava e distribuía os produtos”, explicou. “Nisso, a IES (Instituição de Ensino Superior perdeu a autonomia pedagógica, acadêmica e financeira”, completou.

Cobrança de mensalidades e descredenciamento

Com esta perda de autonomia, as mensalidades começaram a ser cobradas, gerando uma desconfiança dos Ministérios Públicos Estaduais, Federal, entidades profissionais e coletivos de alunos gerando a maior repercussão negativa da história do Ensino a Distância já registrada, com divulgação nacional.

Todos estes pontos, somados ao fato de estar uma instituição pública cobrando mensalidade dos alunos e sob o controle de empresa privada, levou o Ministério da Educação, em 2009, a descredenciar a universidade como modalidade de ensino a distância, prejudicando milhares de estudantes em todo o Brasil.

A partir daí, a reestruturação

O descredenciamento promovido pelo MEC obrigou a Unitins a rever todo seu planejamento e estruturação do EaD para poder dar segmento aos trabalhos e completar a educação dos alunos já matriculados. “O MEC, no ato de descredenciamento, deixou claro que a Unitins deve honrar os compromissos assumidos com as turmas em andamento”, disse Geraldo Gomes.

“Temos esta herança do período de franquia: grande número de diplomas a expedir, conferência de documentos acadêmicos, e auditorias internas para clarear toda e qualquer sombra de fraude”, informou o professor ao descrever a atual situação da Unitins - EaD.

A partir do momento de reestruturação, a direção da universidade iniciou o processo de regularização de todos os documentos de alunos e os ajustes solicitados pelo MEC para o início dos estágios profissionais. “A reestruturação das políticas de EaD na IES e organizar todo o fluxo de dados dos acadêmicos já estão em mãos da Unitins”, informou.

O professor lembrou que toda a equipe da Unitins, desde o ato de descredenciamento da universidade da modalidade EaD, tem enfrentado problemas para lidar com o grande volume de reclamações por parte de alunos insatisfeitos com a falta de informação. “Desde 2009 o fluxo de telefonemas, emails e visitas à Unitins sextuplicou”, exclamou.

O pró-reitor admitiu que existem muitos problemas a serem superados para que a normlidade se restabeleça no Ensino à Distância da Unitins. segundo ele, é grande o número de alunos que não sabem onde procurar as informações, “ou seja, na falta de informação, os acadêmicos ficam desnorteados”, completou, solicitando dos alunos, ainda, um pouco mais de paciência neste processo.

Metas e fim das atividades

Segundo o coordenador de gestão da Unitins, Maurício Pereira, o primeiro passo para o restabelecimento das atividades da EaD – Unitins, foi a inversão do contrato com a Eadcon. De acordo com ele, antes a universidade era o órgão contratado pela empresa para realizar um serviço educacional. “Hoje é a empresa que é contratada pela Unitins para prestar serviço tecnológico”, completou.

Por conta do grande volume de documentação e reajustes burocráticos a serem realizados, o coordenador frisou que é difícil estabelecer um prazo preciso para a normalização nas atividades do EaD. “Existem prazos legais que a universidade tem que cumprir, e estes prazos abrangem a reestruturação de tudo”, lembrou.

O coordenador ainda afirmou que este será o último ano em que a Unitins irá oferecer a modalidade de Ensino à Distância. De acordo com ele, ao final da última turma de 2011, as atividades serão encerradas, restando apenas os alunos em atraso de disciplinas.