Polí­tica

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Os integrantes do PSD foram surpreendidos com a decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), de determinar que se faça nova eleição nas comissões da Casa comandadas por integrantes do partido. A destituição dos presidentes dos colegiados sob responsabilidade de peessedistas foi feita na quarta-feira da semana passada, por meio de ofício assinado por Maia a pedido dos líderes das legendas que se consideraram prejudicadas com a migração dos deputados para a nova sigla. A medida teve como base um artigo do regimento interno que diz o seguinte: "Deputado que se desvincular de sua bancada perde automaticamente o direito à vaga que ocupava".

Inicialmente, Marco Maia tinha decidido que, além de abrir mão das presidências, os parlamentares deveriam deixar as comissões. A medida causou revolta e, após reunião tensa com integrantes do PSD, Maia voltou atrás e apenas determinou a perda do comando dos colegiados.

Entre os que ficaram sem o posto está o deputado Sérgio Brito (PSD-BA). Até a semana passada, ele era o presidente da Comissão de Fiscalização e Controle (CFC). Brito migrou do PSC para o PSD. A informação de que não estava mais no comando do colegiado ocorreu durante audiência, e causou constrangimento pela forma como foi anunciada. "O documento chegou no meio da sessão. Confesso que vi apenas quando terminou. Não entendi. Fui eleito. Fui votado. Para me substituir, eu deveria antes tomar a iniciativa de renunciar", criticou Brito.

Na Comissão de Defesa do Consumidor (CDC), o impacto da decisão de Marco Maia foi ainda maior. No colegiado, o PSD perdeu a presidência, a primeira e a segunda vice-presidência. "Fui pego de surpresa, não esperava isso. Ele (Maia) poderia ter nos comunicado que havia esse tipo de processo em andamento", ressaltou o ex-primeiro-vice-presidente César Halum (PSD-TO). O parlamentar, ex-PPS, também criticou o argumento de que a perda do cargo ocorreu em decorrência da mudança de partido. "É um desrespeito com outra bancada que foi criada e é bem maior." O líder do PSD na Câmara, Guilherme Campos (SP), também entrou em campo e pediu para que fossem convocadas eleições para todas as comissões.

A quantidade de colegiados a que um partido tem direito é definida pelo tamanho da bancada. O PSD, atualmente, é a quarta, com 58 deputados. "Se prevalecer essa situação e se der andamento a essas comunicações, nós queremos também nos manifestar e fazer a nova escolha das comissões e o preenchimento dos seus membros", afirmou Campos. Apesar da queixa do líder, uma nova eleição deve ser realizada hoje apenas para as presidências da CFC e da CDC.

Cafezinho

Além da queixa pela perda das comissões, integrantes do PSD se dizem ressentidos por ainda não terem um espaço físico na Câmara e cargos à disposição. Em tese, o partido tem direito a 106 indicações. "Conversamos com o Marco Maia e ele disse que não vai ceder todos esses cargos", queixou-se Sergio Brito. Segundo os parlamentares, em razão da falta de estrutura, os documentos da liderança têm sido despachados em locais como o plenário ou o cafezinho.

"Temos que ter paciência. Já estávamos pelos corredores no meio do processo de migração. Vamos aguardar as novas eleições, cada um ocupará o espaço que lhe pertence", contemporizou César Halum.