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Foto: Divulgação

A Coapa, em parceria com a OCB/Tocantins e a Embrapa, promoveu palestra sobre a lagarta Helicoverpa Armigera. O evento aconteceu na noite da segunda-feira, 9, na sede da cooperativa em Pedro Afonso, e contou com a participação de quase 50 pessoas. A palestra foi ministrada pelo pesquisador da Embrapa Daniel Fragoso, que é engenheiro agrônomo e doutor em Entomologia (ciência que estuda os insetos e sua relação com o meio ambiente). Na ocasião, os produtores rurais puderam sanar suas dúvidas e saber mais sobre essa praga que vem devastando lavouras pelo Brasil. É a segunda vez este ano que o tema é realizado pela Coapa em Pedro Afonso.

De acordo com a Embrapa a Helicoverpa Armigera é uma lagarta identificada recentemente, que tem surpreendido produtores e pesquisadores pelo seu alto poder de destruição, causando prejuízos, principalmente, às lavouras de soja, milho e algodão. No entanto, pesquisas demonstram que cerca de 180 espécies de plantas nativas e cultivadas podem ser hospedeiras e atacadas pela lagarta.

O agrônomo Edmar de Paiva, consultor técnico, conta que desde 2010 ele e sua equipe notaram a presença de uma praga diferente, mas não sabiam de qual espécie era exatamente. “Estávamos combatendo como Heliothis, outra espécie muito parecida. Agora que ela foi identificada corretamente podemos trabalha com mais precisão”, afirma.

A preocupação dos produtores do Tocantins é oriunda do fato de que em Goiás já estima-se um prejuízo de quase R$ 600 milhões. Além disso, há relatos de ataques da Helicoverpa no Oeste Baiano, Londrina (PR), Planaltina (DF) e Mato Grosso. Segundo o palestrante Daniel Fragoso, “a Helicoverpa está presente em mais de 90 países. Ela chegou ao Brasil recentemente e está gostando do clima tropical e da fartura de alimentos. Se a gente não controlar, ela vai continuar fazendo a festa”.

Recentemente ouve um surto de Helicoverpa na produção de melancia em Guaraí, mas já foi controlada. Os técnicos alertam para o fato de que a Helicoverpa é motivo de preocupação, mas o combate à praga pode ser feito com o uso adequando do conhecimento técnico e das ferramentas disponíveis.

Produtor rural da região desde 1996, Evanis Roberto Lopes aprova a iniciativa da Coapa em promover esse tipo de palestra, mas está preocupado com a situação. “Já vi que o prejuízo pode ser muito grande. Se não fizermos um controle bem feito depois não tem como segurar isso mais”, relata.

De acordo com a Embrapa ainda não há informações de como a Helicoverpa chegou ao Brasil. O primeiro registro de sua presença foi publicado em março deste ano pela professora Cecilia Czepak. Especialistas da Embrapa atuaram na identificação da espécie e estão trabalhando na criação de medidas mais eficientes de controle. No entanto, já existem estudos em andamento para identificar a origem das lagartas encontradas no país.

 Como reconhecê-la no campo

A Helicoverpa Armigera mede cerca de 3cm e é muito parecida fisicamente com a Heliothis Virescens, mais conhecida como lagarta da maçã. A recomendação da Embrapa é que, em estado larval, a lagarta seja observada com uma lupa ou em foto digital de alta resolução que possa ser ampliada. A principal diferença entre essas espécies são os pelos em torno do tubérculo que fica localizado no segundo e no oitavo segmentos do corpo, que também possui pelos brancos na região cefálica, ou seja, no alto da cabeça. A Helicoverpa não pode ser identificada pelos padrões de cores, que variam de acordo com sua dieta alimentar.

Outra característica física importante é a aspereza da região costal, que pode ser reconhecida pelo toque. Quanto aos padrões comportamentais, quando provocada a Helicoverpa tende a ficar em forma de anzol e não se enrolar por completo. O ciclo de vida da espécie dura cerca de 30 dias. Em 24 horas a fêmea pode colocar até 400 ovos, chegando a um total de 4 mil ovos em seu ciclo de vida. Diferente de outras espécies, a pupa da Helicoverpa permanece no subsolo, cerca de 10 cm abaixo da superfície.

“A Helicoverpa se alimenta cerca de quatro vezes mais do que a Heliothis. Ela tem preferência pelos frutos, mas ataca também as folhas e, até mesmo, o caule, chegando a moer a casca de algumas árvores. Ela é canibal e pode devorar outras lagartas. Ou seja, ela come de tudo e já está presente em todo país”, destaca Daniel Fragoso.

Em estado de mariposa, a Helicoverpa apresenta manchas escuras nas asas e pode voar até 1000 km em três dias.

Como combater

De acordo com Daniel Fragoso, não adianta utilizar somente o controle químico. Mas é preciso resgatar outras formas de controle já esquecidas. “Antes de qualquer atitude, é preciso saber qual espécie? Onde está? E em qual quantidade? E para termos essas informações é preciso monitoramento constante, inclusive durante o pré-plantio”, destaca. Se o monitoramento foi bem feito e chegou-se a conclusão que será feito uso de inseticida, Daniel Fragoso salienta a importância de ser criterioso quanto a isso: “é preciso utilizar inseticida que preserve os predadores naturais da Helicoverpa e observar o resultado para que ela não desenvolva imunidade ao produto. O ideal é fazer rodízio dos produtos de acordo com o princípio ativo, o que vai retardar ao máximo esse ganho de resistência”.

Entre os produtos liberados emergencialmente pelo Ministério da Agricultura para controle da praga, estão a Benzoiluréia e a Diamida. Existem biofábricas que comercializam inimigos naturais da Helicoverpa, como a vespa Trichogramma Pretiosum, que também pode ser utilizada no controle. Seja qual for o caso, a lição mais importante que ficou durante a palestra foi que “buscar e adotar conhecimento técnico é a melhor estratégia”. Mais informações podem ser obtidas na Coapa ou no site da Embrapa.