Campo

Foto: Divulgação

A mandioca é um dos alimentos mais populares e acessíveis que compõe a mesa dos tocantinenses. Rica em nutrientes é uma poderosa fonte de carboidratos e vitaminas do complexo B. Mas para aproveitar todos os benefícios desta raiz é necessário saber escolhe-la na hora da compra e venda. A Fundação Universidade do Tocantins (Unitins), por meio do curso de Engenharia Agronômica, tem incentivado pesquisas que visam avaliar os efeitos do diferentes períodos de armazenagem das ramas de mandioca.

Segundo a pesquisa, no Brasil, estima-se que 23% da produção de mandioca é perdida após a colheita devido a falta de conhecimento das devidas técnicas de armazenagem.  Apesar da fácil adaptação às diversas regiões e seu cultivo não exigir grandes cuidados, quando colhida a mandioca é um produto altamente perecível. Nos mercados e feiras, para o consumidor saber escolher um produto saudável é necessário observar a polpa da raiz, pois a deterioração promove o aparecimento de pontos escuros ou veias azuladas.

“Quanto maior o teor de amido, maior valor financeiro e nutricional é agregado à mandioca. Com esses estudos percebemos que o tempo ideal de armazenamento é em torno de sete dias. A partir disso ela começa a perder esses valores, por isso na hora de vender, se o pequeno agricultor tiver conhecimento desse tipo de informação, ele pode conseguir comercializa-la por um preço melhor”, afirma a estudante de engenharia agronômica, responsável pela pesquisa”, Layane Araújo Vítor.

Conforme a coordenadora do projeto de Cultura da Mandioca na Unitins a professora, Eliana Regina Archangelo, manter a qualidade inicial da mandioca por mais tempo é um grande desafio para os pequenos agricultores. “Se durante a colheita e pós-colheita o manuseio da raiz for feito de forma correta, evitando danos físicos e o armazenamento em ambiente climatizado, o produtor pode garantir uma melhor conservação e com isso reduzir as perdas oferecendo um produto de qualidade por mais tempo nas prateleiras”, pontua a coordenadora.

Pesquisa

A pesquisa foi feita com a variedade de mandioca mansa – Cacau Teixeira – a mais consumida no Estado, colhida no Projeto de Irrigação São João em Porto Nacional e desenvolvida no Complexo de Ciências Agrárias (CCA) da Unitins.  O material colhido foi devidamente armazenado em um galpão e protegido das incidências de radiação solar.

 As análises constataram que o período ideal de armazenamento da mandioca para o consumo em lugar apropriado e climatizado é de sete dias, onde a raiz ainda permanece com todos os nutrientes. Conforme a pesquisa com 10 dias de armazenamento a mandioca já está entrando em processo de deterioração com cerca 40% de perda das suas propriedades nutritivas.

Entretanto, cuidados no momento da colheita podem melhorar a conservação das raízes como: colher na época certa, evitar danos físicos e mecânicos, retirar o excesso de solo aderente e manter a casca da raiz.

Dados

De acordo com dados do Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), no relatório divulgado pelo IBGE, a área plantada com a cultura de mandioca no Estado em 2012 teve cerca de 22 mil hectares e em 2013 a área foi de apenas 17.300 hectares, totalizando uma redução de 23% na área plantada.

Para o engenheiro agrônomo e coordenador de Extensão Rural da Ruraltins, Edimilson Rodrigues de Souza, a diminuição do plantio de mandioca no Estado teve por estimulo o fechamento de várias casas de farinha. “Os agricultores ficaram sem estímulos para plantar, e com isso a oferta diminuiu e o preço da mandioca aumentou hoje a tonelada está em torno de R$ 400,00 reais”, conclui o coordenador.

Dentre os principais países produtores de mandioca, o Brasil ocupa a segunda colocação no ranking mundial com 26 milhões de toneladas ficando apenas atrás da Nigéria com 44 milhões de toneladas. (Ascom Unitins)