Polí­tica

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Com faixas dizendo “O sonho do prefeito é nosso pesadelo”, “Somos a favor do BRT, é o BRT que é contra nós”, os moradores do Jardim Aureny 3, em Palmas, se reuniram na noite dessa quinta-feira (14) para discutir a situação das quase 100 famílias que serão impactadas diretamente com a construção do projeto BRT (Bus Rapid Transit).

Conforme o projeto apresentado pela prefeitura, para a construção da obra será necessário desapropriação dezenas de residências no Aureny 3. A revolta da população é que o valor proposto pela prefeitura como indenização das desapropriações está muito abaixo do valor de mercado.

Convidado pelos moradores do setor a participar da discussão e ajudar na defesa de seus direitos, o presidente do PV no Tocantins, Marcelo Lelis, participou da reunião. O vereador Joaquim Maia, presidente do PV de Palmas, o deputado Wanderley Barbosa e o vereador Lúcio Campelo também participaram da reunião.

“Quero deixar bem claro que sou a favor da construção do BRT, mas a prefeitura precisa respeitar a população, principalmente esses que serão impactados pela obra. Mais uma vez o prefeito age com truculência, se recusando a dialogar com o povo nesse problema tão sério. A prefeitura precisa respeitar a população. Querem desapropria dezenas de famílias pagando indenizações injustas. A prefeitura quer impor um preço bem abaixo do mercado e forçar as pessoas a aceitar. Não se pode tirar famílias de suas casas sem que recebam um preço justo por isso”, reforçou Lelis.

Alguns moradores fizeram um relato emocionado sobre a situação e criticaram a atitude do prefeito de Palmas na condução do caso. “Ele nem recebe a gente. Nunca falou com a gente e nem ouviu de nós sobre a situação que estamos passando. Ele não tem noção da importância dessas casas para nós. Para se ter uma ideia, vi minha vizinha chorar quando recebeu o primeiro talão de água, mas não foi porque não tinha dinheiro para pagar, foi porque era a primeira vez que ela recebia uma conta em seu nome da sua casa própria. O prefeito tem tanta casa que ele pode escolher onde vai dormir. Eu só tenho essa aqui e não posso me desfazer dela”, disse dona Miriam, moradora do Aureny 3.

 “O valor que a prefeitura tem que pagar por essas casas tem que ser muito bem avaliado. Muitas casas aqui sequer estão a venda. Tem muita gente aqui que não quer sair de suas casas, que não quer se mudar daqui como a prefeitura quer fazer, empurrando essas famílias para fora de suas casas a qualquer custo. É preciso diálogo nesse caso. Mas o prefeito por diversas vezes demonstrou que não há diálogo com ele. É o que ele quer e pronto. Esse é mais um exemplo. Como vocês mesmos disseram, o prefeito sequer recebeu vocês para conversar. Esse desrespeito tem que acabar. A população não aguenta mais isso”, pontuou Lelis.

“O povo de Palmas não precisa de flores. O povo de Palmas não precisa de coelhinho da Páscoa. O povo de Palmas não precisa de neve artificial. O povo de Palmas precisa de respeito. Se o prefeito ouvisse mais a população ele iria saber disso”, concluiu dona Miriam.