Opinião

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Foi o barulho de sempre. Com a divulgação do resultado do Enem 2014, veio o ranking, e com o ranking borbulharam os mais diversos posicionamentos.

O debate é saudável e, inclusive, essencial numa sociedade que a duras penas vê amadurecer sua democracia. O perigo está em querer separar a enorme complexidade do tema em apenas dois times: os bons e os ruins, ou, em termos mais religiosos, o bem e o mal. Quando há essa rotulação, o debate é simplificado e perdemos uma ótima oportunidade de aprofundamento do tema.

Se o tema é o Enem, ninguém é propriamente santo. Está claro que, as supostas manobras para reorientar resultados, se é verdade que elas de fato aconteceram, manifestam a ponta mais visível de uma situação que precisa ser inteiramente reavaliada.

Mas, sendo honesto, precisamos reavaliar tudo. 

A sociedade que se conforma em acompanhar todo programa de Educação Básica sendo avaliado unicamente por um indicador quantitativo (mesmo que bem elaborado), e não cobra das escolas uma educação mais integral, precisa ser reavaliada, pois se declara incompetente para debater a educação que oferece aos seus cidadãos.

A família que, algumas vezes de modo aberto, outras, de modo mal disfarçado, estimula seus filhos e filhas a se sujeitarem a uma educação robotizada, cujo objetivo central é preparar o estudante unicamente para os dois dias de prova no fim do ciclo do Ensino Médio, também precisa ser reavaliada, pois assume ser conivente com uma situação que expõe seus filhos a um empobrecimento da criatividade e da consciência crítica.

Escolas que, mesmo seguindo padrões éticos mínimos desejáveis, simplesmente se silenciam diante da necessidade de se repensar amplamente a educação, não abrem uma discussão séria sobre a importância de repensar o ranking, ou mesmo repensar o próprio Enem, também precisam ser reavaliadas, pois deixam de cumprir o essencial em uma escola, que é promover novas perspectivas de futuro para seus alunos.

Essa lista poderia ainda aumentar, se incluirmos os professores, gestores públicos e privados, entre outros.

A educação é a ferramenta de maior impacto socio-transformador de que dispomos. Mesmo se oferecida pela rede privada, continua sendo um bem público e, como tal, deve estar no centro do debate de qualquer sociedade madura. Não há bons e maus, simplesmente.

 * Prof. Flávio Luís Rodrigues Sousa, doutor em Filosofia e Teologia, Diretor do Colégio Marista Palmas, membro do Conselho Estadual de Educação do Estado do Tocantins.E-mail: diretor.palmas@marista.edu.br

Por: Flávio Luís Rodrigues Sousa

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