Polí­tica

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Os vereadores da Câmara de Palmas, com a presença do secretário municipal da Educação da Prefeitura de Palmas, Danilo de Melo Souza, discutiram durante sessão especial nesta quinta-feira, 10, os rumos da educação na capital que ultimamente está com indicativo de greve. Um dos que não economizou nas críticas foi o vereador Lúcio Campelo (PR). Segundo o parlamentar, faltou compromisso e planejamento no setor por parte da atual gestão da Prefeitura de Palmas. "O secretário Danilo pegou a bucha e agora vai ter que desenrolar. Vai ter que procurar uma saída para que evite a greve. A forma que a gestão encontrou de pegar um cidadão que fez o magistério, que fez pedagogia, colocar ele em uma sala de aula para ganhar R$ 1.900, isso é desrespeito a quem estudou", afirmou. 

O secretário Danilo de Melo apresentou dados sobre o sistema de ensino na Capital e disse que, dos nove pontos de reivindicação da categoria, a Prefeitura de Palmas já atendeu seis e três dependem de melhor estudo. Segundo o secretário, mais de 60 % das escolas estão com ar-condicionado. Ele defendeu que a comunidade, os pais dos alunos, entre outros, devem ser consultados antes de paralisação. Os professores da Capital já aprovaram indicativo de greve.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação em Palmas (Sintet), Joelson Pereira dos Santos, afirmou que o indicativo de greve é um instrumento que a classe trabalhadora tem quando entende que há diálogo mas pouco avanço. "Na prática, a gente que tem andado nas escolas, que tem recebido várias reclamações, constatamos que era o momento para tomar posição. O indicativo de greve é a indignação da categoria", afirmou. Joelson disse que o plano de carreira dos educadores é tratado em segundo plano pela gestão do prefeito Carlos Amastha, reclamou das condições de trabalho dos profissionais da educação e da sobrecarga, entre outros. "O secretário diz que nunca se investiu tanto em educação, mas nos últimos cinco anos nunca tivemos um reajuste somente para corrigir a inflação", lamentou. 

O vereador Pastor João Campos (PSC) disse ter visitado escolas em Palmas quando constatou a necessidade de climatização adequada. Segundo ele, é justo que a classe reivindique por melhorias. O vereador Júnior Geo (Pros) criticou a sobrecarga de trabalho dos professores, defendeu eleição para diretores e lembrou o criticado Projeto de Lei aprovado na Câmara que prevê a seleção de monitores com nível de segundo grau para substituir professores nos CMEIs. O parlamentar ainda criticou a afirmação do secretário quanto as escolas que contam com ar-condicionado: "Ar-condicionado, se ele não é ligado não faz sentido existir. Se a rede de energia de determinada escola não suporta, não faz sentido existir. O que falta é o dinheiro, a decência, a valorização que a educação merece. Toda e qualquer greve só existe quando reivindicações mais que justas são feitas e o resultado não chega a contento", frisou. 

O vereador José do Lago Folha Filho (PTN) defendeu a gestão municipal e disse que alguns vereadores movem-se por paixão político-partidária incentivando o movimento grevista. Folha lembrou que greves na educação prejudicam toda a sociedade, especialmente os alunos da rede de ensino que têm sua formação comprometida. 

Já o vereador Milton Neris (PR), outro defensor do prefeito, afirmou que a Câmara sempre atuou com respeito à educação, agindo com responsabilidade nas votações de matérias relativas ao setor e disse não entender o motivo da greve uma vez que as reivindicações da categoria estão sendo atendidas. “Nós temos 37 mil crianças matriculadas que precisam de todos nós. Temos 1.200 crianças na lista de espera, esperando uma vaga nos Cmeis", afirmou e ainda criticou os vereadores de oposição: "Todos os vereadores aprovaram o orçamento que paga o salário de vocês e hoje estão aqui fazendo politicagem", disse. 

O presidente da Câmara, vereador Rogério Freitas (PMDB), ressaltou que movimentos grevistas são um direito das diversas categorias, no entanto, pediu ponderação dos profissionais do magistério. Lembrando que a rede estadual de ensino acabou de sair de uma greve sem suas reivindicações atendidas, Rogério Freitas frisou que a gestão se prontificou a formar comissões, com a participação dos educadores, para analisar as reivindicações ainda não atendidas. "Uma greve neste momento não há razão de ter”, concluiu.

Foram convidados a comparecer na sessão educadores, sindicatos, Defensoria Pública, Ministério Público e Conselho Tutelar. Os educadores compareceram em peso à sessão especial.