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O deputado estadual Wanderlei Barbosa (SD) fez referência nesta quinta-feira, 18, durante sessão na Assembleia Legislativa do Tocantins à matéria publicada pelo Conexão Tocantins informando sobre a venda pela Prefeitura de Palmas de lotes no Distrito Eco Industrial de Palmas com valor do metro quadrado muito abaixo do valor de mercado, sendo considerado irrisório. Segundo o deputado, a Prefeitura de Palmas virou um balcão de negócio para um grupo ligado ao prefeito Carlos Amastha (PSB). “Pode ter a certeza que esse grupo está comprando os terrenos bons de Palmas, viraram empreendedores, apenas eles!”, afirmou.

Conexão Tocantins mostrou que, apesar da Prefeitura de Palmas ter negociado os lotes 10 e 11 na área ASRSE 105, somando 1.950 m², por apenas R$ 9,00 o m², o valor de mercado do metro quadrado na área chega até a R$ 500,00. No dia seguinte, a Prefeitura de Palmas resolveu cancelar o contrato de compra e venda feito com a empresa JP Arquitetura e Construções Ltda, e publicou extrato do termo de cancelamento no Diário Oficial do município. “Não pode fazer um subpreço para agradar um grupo empresarial ligado ao Amastha. Isso aqui não tem outra resposta para dar. Não chegou a 3% do valor do metro quadrado, da mesma forma que ele (Amastha) comprou o terreno do shopping (Capim Dourado Shopping)”, disse Wanderlei.

Wanderlei Barbosa ainda fez uma comparação entre o valor do metro quadrado que a Prefeitura de Palmas cobrou na venda dos lotes para a empresa, com o valor proposto para pagar nas desapropriações dos impactados pela possível futura construção Bus Rapid Transit (BRT) da capital. “Eles insistem na questão do BRT. As pessoas que tinham lotes avaliados em R$ 150 mil e casas avaliadas em R$ 200 mil no Aureny III, impactados pelo BRT, eles avaliaram em menos de R$ 60 mil, para comprarem barato e venderem caro, mas um grande empresário que chega, se valer R$ 500 eles colocam R$ 9. Essa é a forma que eles estão tratando o patrimônio público desta capital. Para as pessoas simples o valor é subestimado”, criticou. 

Wanderlei Barbosa continuou criticando a gestão atual de Palmas e reforçou: “Palmas virou um balcão, como falei! Eles fazem negócio com o estacionamento rotativo, eles cobram o maior IPTU desse Estado e um dos mais caros praticados nesse País e aí pegam os nossos terrenos e fazem isso”, disse. O deputado disse esperar a atuação do Ministério Público sobre a venda de lotes em Palmas. "Palmas não pode ser o balcão de negócio do Amastha", salientou. 

Escoamento

Outro ponto questionado por Wanderlei Barbosa foi sobre o setor produtivo. Segundo o parlamentar, os diretores do Aprosoja o procuraram nesta última quarta-feira, 17, preocupados com o futuro da safra de grãos que precisam de escoamento. Wanderlei falou da existência de verba, fruto de requerimento de sua autoria, que solicita a construção do Anel Viário Norte, tirando o trânsito pesado de dentro da Capital. "Ainda não tivemos respostas do governo nesse propósito. Essa cidade tem sido gerida de um modo muito truculento. O governo municipal apenas, depois de não receber esses empresários, ou recebe-los mal, diz que vai baixar um decreto proibindo o trânsito, que eles tem que ir por Miranorte e voltar aqui por Paraíso e chegar à Plataforma (da Ferrovia Norte Sul). Isso num itinerário que dá mais de 250 km", informou. 

O deputado disse saber que o trânsito de máquinas pesadas e caminhões de escoamento de produção dentro da cidade prejudica o trânsito, mas afirmou que isto não é motivo para fazer o trânsito de Palmas parar. "Esse governo não pode governar por decreto, ele tem que ouvir a população dessa cidade. O setor produtivo, que equilibra a balança comercial, que ajuda nesse tempo de crise, que gera muitos empregos, está preocupadíssimo com Palmas. É lamentável o que está acontecendo em Palmas. Queremos tranquilizar os produtores de soja", disse. O deputado sugeriu rota definida.