Polí­tica

Foto: Marcos Oliveira

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, segunda a falar na comissão do impeachment no Senado em defesa da presidente Dilma Rousseff, alertou que a subvenção agrícola não pode ser comparada a um empréstimo. “Operação de crédito é o que o produtor assume com o banco. Não há deslocamento de dinheiro do banco para o Tesouro. O banco desloca para o produtor e o Tesouro desloca para o banco” explicou.

A ministra fez a defesa de Dilma, logo depois do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. Com uma exposição focada unicamente no que ficou conhecido como pedaladas fiscais – possíveis atrasos de pagamentos aos bancos públicos – Kátia Abreu afirmou que o que foi feito pela agricultura brasileira nos últimos cinco anos, durante o governo da presidente Dilma, foi um marco para o setor.

Segundo ela, a declaração não deve ser vista como crítica aos outros presidentes da República, mas explica como duas pessoas, de partidos diferentes, trabalham hoje juntas. Kátia Abreu é uma das ministras do PMDB que não deixou o governo, depois que seu partido anunciou ruptura na aliança, criando um impasse dentro do próprio Planalto entre Dilma e o vice-presidente Michel Temer. “Eu apoio a presidente Dilma pela reciprocidade que ela deu à agricultura brasileira nos últimos 5 anos. Acredito na idoneidade e na honestidade da presidenta”, afirmou.

Segundo ela, do saldo de R$ 10,4 bilhões que o Banco do Brasil tinha a receber do Tesouro, 60% foi aplicado no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e 40% destinado a médios e grandes produtores. A ministra lembrou que, depois de 2014, o valor foi acumulado. “O governo não paga de uma vez. Vai pagando ano a ano. É natural que o copo se encha anualmente”, afirmou.

Kátia Abreu detalhou os recursos e fontes do crédito rural relativos ao Plano Safra e destacou que houve redução nas subvenções da agricultura, por conta do ajuste fiscal. “O governo aumentou os recursos para agricultura mas também vem reduzindo esta equalização. Claro que quanto mais subvenção mais competitividade. Mas da safra anterior para esta tivemos diminuição da subvenção em torno de 56%”, destacou. “Mas não tem trazido nenhum tipo de prejuízo aos nossos agricultores”, completou.

Ao lembrar que a equalização de taxas de juros para o crédito agrícola é feita desde 1992, Kátia Abreu explicou que existem dois tipos de recursos para o setor: os livres, a partir de juros de mercado que giram em torno de 14%, e os controlados que é o administrado pelo governo para garantir taxas inferiores e reduzir custos de financiamento. “Estas taxas são o pilar da política agrícola”, afirmou ao lembrar que a medida estimula a competitividade da produção nacional. 

No Twitter 

Após participação no Senado, a ministra Kátia Abreu continuou a posicionar-se, só que no Twitter. "Minha defesa não é a partido ou grupos mas a cidadã Dilma que é correta e está pagando pelo que não fez. O futuro dirá", sustentou e continuou: "Foi sem sombra de dúvidas o governo que mais apoiou a agricultura nos últimos 40 anos. Os números falam por si.Só não reconhece quem n quer (sic)", frisou. 

A ministra reafirmou não fazer críticas aos ex-presidentes. " Apenas faço o comparativo p/demonstrar o que tenho repetido: a Pres.Dilma foi a melhor p/agricultura (sic)", defendeu. Kátia ainda sustentou: "Minhas atitudes e princípios não mudam ao sabor do vento. Popularidade vai e volta mas o caráter e a dignidade se for não volta nunca mais. Política e poder não podem ser questão de vida ou morte.Só vida.Estar no poder não pode ser questão de honra.Fazer oposição também é nobre", manifestou. (Matéria atualizada às 12h42min) (Com informações EBC) 

Confira a íntegra do discurso da ministra na Comissão do impeachment no link abaixo.

http://www.agricultura.gov.br/comunicacao/noticias/2016/04/veja-integra-do-discurso-da-ministra-na-comissao-do-impeachment