Campo

Foto: Luciano Ribeiro

A torcida pelo início da estação chuvosa entre os tocantinenses é grande, porém, maior ainda entre os agricultores. Após o último ano, com escassez devido à influência do El Niño, gerando prejuízo, em média de 30% na produção, da Safra 2015/2016, a chegada do mês de outubro gera a expectativa das chuvas que possibilitem o plantio da Safra 2016/2017.

“A estação está iniciando bem. Este ano as chuvas começaram já no meio de setembro, apesar de que são chuvas regionalizadas, isoladas, pontualizadas”, diz o diretor de Políticas para Agricultura e Agronegócio da Secretaria do Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária (Seagro), José Américo Vasconcelos. Segundo ele, o ideal são as chuvas “gerais”, que abrangem áreas extensas em todo Estado.

A previsão é que a partir do dia 15 de outubro as chuvas ganhem estabilidade para propiciar condições ideais para a agricultura. “Estamos torcendo para que sua distribuição seja favorável ao plantio e sua estabilidade atenda à demanda da germinação até meados de dezembro”, disse.

As principais culturas de grãos no Tocantins são de soja e milho, e a época de plantio compreende nos meses de outubro, novembro e meados de dezembro, período em que as chuvas são essenciais para garantir o ciclo da germinação das sementes.

Área prevista

O diretor explica que apesar das dificuldades encontradas pelos agricultores na safra passada, o otimismo do setor é grande para a safra que se inicia, e um dos motivos é a previsão climatológica que favorece o cultivo de grãos. “Em contato com produtores de várias regiões do Estado, a expectativa é que não haja decréscimo nas áreas plantadas nas culturas de verão (cerca de 900 mil hectares), e ao contrário do que ocorreu com o cultivo da safrinha (com redução de mais de 50%), a previsão é de aumento de área para este ano, principalmente se confirmar as previsões meteorológicas”, argumenta José Américo.

O agricultor Ademir Rossato vai plantar sua quinta safra, e pretende aumentar a área em 5%. Na passada plantou 5.400 hectares na fazenda Nossa Senhora da Carmo, município de Porto Nacional, e teve perda de cerca de 30% na safra verão. Ele destaca que, por três anos de investimentos na produção de grãos no Estado, tem obtido resultados positivos. “Infelizmente esta última foi difícil, mas estamos otimistas com essa safra e a previsão é começar o plantio a partir do dia 20 de outubro. E com fé em Deus e as previsões meteorológicas se confirmarem teremos uma excelente safra”, adianta.

Zona de Convergência

Os tocantinenses têm se alegrado nos últimos dias em virtude das chuvas, que amenizaram um pouco o calor, deram fim às queimadas e revigoraram o verde das matas. No entanto, elas ainda não vieram para ficar. Segundo o meteorologista do Núcleo Estadual de Meteorologia e Recursos Hídricos (Nemet/RH) da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), José Luiz Cabral Junior, a mudança do tempo está associada a um fenômeno transitório, que está trazendo umidade da região amazônica para a costa brasileira, chamado de Zona de Convergência de Umidade.

José Cabral explica que as chuvas têm como característica a forte intensidade, curta duração, acompanhadas de rajadas de vento, descargas elétricas, ou seja, torrenciais, com características de tempestades.