Saúde

Foto: Valdo França

Oitenta e quatro por cento dos alimentos de origem vegetal comercializados em supermercados de Palmas tiveram resultados considerados satisfatórios nas análises do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) da Vigilância Sanitária Estadual entre 2013 e 2015 no Tocantins. O programa analisou amostras de alimentos de origem vegetal comercializados em dez supermercados da Capital para verificar a qualidade desses alimentos em relação à presença de resíduos de agrotóxicos.

Houve uma diminuição de resultados insatisfatórios em relação aos anos anteriores, que variava em torno de 35%. Desta vez, 16% das 24 culturas analisadas, entre frutas, verduras, leguminosas e outros alimentos de origem vegetal, apresentaram concentração de resíduos acima do limite máximo permitido ou a utilização de agrotóxico não autorizado.

Das culturas pesquisadas, a uva (80%), o pimentão (80%), a abobrinha (80%), a goiaba (54%) e a alface (41%) foram os alimentos com maior percentual de amostras insatisfatórias. Na prática, estes indicadores evidenciam o descumprimento das recomendações de utilização dos produtos químicos na aplicação nas lavouras. Esses dados são preocupantes, pois os agrotóxicos podem causar impactos negativos na saúde do consumidor, do trabalhador rural e no meio ambiente, conforme explica a responsável pelo PARA, Crislane Bastos. O monitoramento também apontou que nas amostras de fubá de milho, farinha de mandioca, couve, banana e abacaxi não foram detectadas irregularidades nas amostras analisadas.

Os resultados das análises foram encaminhados a órgãos incumbidos da fiscalização e monitoramento do tema. A intenção é promover a integração dos órgãos envolvidos no tema para execução de ações que minimizem os riscos à saúde e ao meio ambiente. Essa parceria está mais fortalecida após a assinatura do Termo de Cooperação Técnica, proposto pela Secretaria da Saúde ao Ministério Público Estadual (MPE) e outras entidades com atividades de relação ao tema agrotóxico.  Entre os órgãos que estão sendo comunicados do resultado do monitoramento estão a Agência de Defesa Agropecuária (Adapec), a Secretaria da Agricultura e Pecuária (Seagro), o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), Vigilância Sanitária de Palmas e os setores da Saúde encarregados da Vigilância em Saúde Ambiental e do Trabalhador.

Rastreamento

Como a pesquisa foi feita com amostras de alimentos comercializados em Palmas, a Vigilância Sanitária de Palmas fica encarregada de proceder ao rastreamento dos alimentos com resultados insatisfatórios. “Com a apresentação da nota fiscal é possível identificar os fornecedores diretos ou distribuidores dos alimentos monitorados. Com a pesquisa mostrando quais alimentos apresentam amostra insatisfatória, a Vigilância Sanitária Municipal vai notificar, além do supermercado, o distribuidor daquele alimento para que seja a feita suspensão de compras daqueles fornecedores irregulares até que estes passem a fornecer produtos de acordo com as boas práticas agrícolas”, disse Crislane Bastos, responsável pelo PARA.

O engenheiro de alimentos e diretor da Vigilância Sanitária Estadual, Thiago Azevedo, explica ainda que, na prática, algumas medidas podem dar mais garantia da qualidade dos alimentos. “É importante dar preferência a alimentos rotulados, mesmo hortaliças. Desta forma, o consumidor sabe a procedência do alimento, é possível saber quem produziu. Além do mais, quem expõe no comércio um produto rotulado, assegura a qualidade daquele produto. Quando for possível, é importante dar preferência a produtos orgânicos ou agroecológicos, assim como produtos da época porque eles, a princípio recebem uma carga menor de agrotóxicos”, completa Azevedo.

Ainda de acordo com o diretor, fazer a higienização dos alimentos adequadamente em água corrente também ajuda a diminuir a quantidade de resíduos na parte externa. “Não elimina, mas diminui nas cascas dos vegetais”, completa.

Crislane ressalta ainda que o consumidor deve consumir frutas, legumes e verduras. “São alimentos importantes para prevenção de doenças crônicas. Então o alerta é para que o consumidor passe a exigir dos fornecedores garantias que os alimentos ofertados sejam seguros para o consumo”, completa a responsável pelo PARA.

Confira abaixo outras dicas elaboradas pela Vigilância Sanitária Estadual:

- Prefira os alimentos da época. Os produtos da época têm cultivo mais fácil e exigem menos produtos químicos para se desenvolverem.

- Lave os alimentos em água corrente pode diminuir o nível de resíduos nas cascas de frutas e verduras;

- O uso de uma solução com água sanitária não elimina os agrotóxicos, mas é recomendada para garantir a higiene do produto e eliminar microrganismos;

- Consumir alimentos da sua região também é uma medida importante. Por causa da proximidade geográfica, estes produtos, em geral, exigem o uso de menos produtos químicos para se manterem inteiros no transporte e na gôndola.

- O consumo regular de frutas, legumes e verduras está associado a um menor risco de contrair certos tipos de câncer e outras doenças crônicas não transmissíveis. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a ingestão diária de, pelo menos, 400 gramas de frutas e hortaliças, o que equivale ao consumo diário de cinco porções desses alimentos, entre hortaliças cruas ou cozidas e frutas ou suco de frutas.