Educação

Foto: Márcio Vieira

Parte da delegação tocantinense representante dos povos Xerente, Javaé, Apinajé, Krahô e Krahô Kanela que participará da Conferência Regional de Educação Escolar Indígena - Timbira, Vale do Araguaia, Guajajara e Xerente embarcou na noite deste domingo, 20, para Pirenópolis (GO), onde acontecerá o evento, de 22 a 24 deste mês. Os delegados dos Karajá da Ilha do Bananal já viajaram. O evento é uma preparação para a Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena (Coneei), que será realizada em Brasília.

A etapa regional, que tem como foco a construção de uma política de educação escolar indígena, reunirá 145 delegados representantes das terras indígenas dos estados de Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Tocantins e Distrito Federal, e mais 60 delegados representantes de instituições públicas e privadas governamentais e não governamentais, incluindo secretarias estaduais de Educação, universidades federais e estaduais, Fundação Nacional do Índio (Funai) e Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Do Tocantins, serão 50 delegados indicados durante as 17 conferências locais, realizadas entre dezembro de 2016 e junho de 2017, com a participação de 599 pessoas, entre profissionais das escolas indígenas, pais, lideranças e outros. A Secretária de Estado da Educação, Juventude e Esportes, professora Wanessa Zavarese Sechim, membro da comissão nacional e representante do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) também participará das discussões.

A delegação apresentará na Conferência as propostas levantadas nos eventos locais elaboradas com base em cinco eixos: organização e gestão, práticas pedagógicas diferenciadas, formação e valorização de professores indígenas, política de atendimento na educação básica e educação superior de povos indígenas.

Para a gerente de Desenvolvimento da Educação Indígena da Seduc, Cleide Araújo Barbosa, o evento é importante para a construção de uma política específica de educação escolar indígena. "Acredito que essa Conferência vai dar suporte para a construção e efetivação dessas políticas", destacou.

O conselheiro Nilson Xerente, representante da Associação de Professores Indígenas do Tocantins (Aspit), disse que está na expectativa de que as propostas dos indígenas do Estado sejam aprovadas. "É uma oportunidade de que nossas aspirações sejam ouvidas. Há muito para se conquistar. Uma das nossas propostas é sugerir a criação de um sistema de educação voltado à educação escolar indígena", ressaltou.

Segundo dados da Gerência de Desenvolvimento da Educação Indígena da Seduc, atualmente encontram-se em funcionamento 104 escolas indígenas, com 5.999 alunos já atendidos em suas aldeias de forma diferenciada e cuja língua indígena materna é componente da estrutura curricular, calendário específico que busca dentro da organização do período letivo o respeito aos aspectos culturais de cada povo.

A Coneei terá como tema ‘O sistema Nacional de Educação e a Educação Escolar Indígena: regime de colaboração, participação e autonomia dos povos indígenas’. O objetivo principal é construir propostas para a consolidação da Política Nacional de Educação Indígena, promovendo avanços na garantia dos direitos desta população, especialmente relacionado à educação escolar indígena.

A Coneei é uma iniciativa do MEC, em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Fundação Nacional do Índio (Funai) e secretarias estaduais de educação.