Cultura

Foto: Flaviana OX Espetáculo aborda as amarguras e doçuras da velhice Espetáculo aborda as amarguras e doçuras da velhice

O premiado espetáculo brasiliense “Fio a Fio”, que faz uma leitura poética do período da vida em que precisamos lidar com a ação do acúmulo dos anos sobre o corpo, será apresentado neste sábado, a partir das 20h, e no domingo, às 19h no teatro Sesc, em Palmas. Nesta sexta-feira, a montagem foi encenada para os alunos da Universidade da Maturidade (UMA). A montagem é estrelada pelos artistas Giselle Rodrigues e Édi Oliveira. Os ingressos podem ser adquiridos a preços populares R, 00 (meia-entrada) e R$ 10, 00 (inteira).

O que representa viver com um corpo que perde capacidades e, ao mesmo tempo, ganha sabedoria com o acúmulo das experiências vividas? Como aceitar ou lutar com o fato de que quando estamos mais prontos para a vida é quando nosso corpo mais precisa de trégua? A intuição da morte, a perda da memória, a fragilidade física, a solidão, mas também o afeto, o companheirismo, a serenidade, permeiam, entre outras questões, uma atmosfera onde o tempo é sentido por meio da dilatação e da contemplação, e onde a velhice é revelada em sua dureza e em sua doçura.

UMA

Nesta sexta-feira, 23, o projeto foi voltado para a formação de platéia, sob a mediação do arte-educador brasiliense Glauber Coradesqui e contou com um público de aproximadamente 50 idosos da UMA. Um deles foi o aposentado Bira Dantas, 77 anos, em sua visão o espetáculo mexeu com o público de forma singela ao tratar de um tema que às vezes se torna fuga para muitos seres humanos: a velhice. “Achei a apresentação muito forte, porque as personagens passam a ideia de que um está se amparando outro, ou seja, precisamos de alguém para viver. Além da dança ter sido muito bem cronometrada e a interpretação impactante. Realmente que assistimos no palco mexeu com a gente”, destaca.

Temática

A temática da peça nasceu durante sessões de improvisação abertas que os artistas vinham realizando como parte de uma pesquisa sobre processo de criação. Foi surgindo nos dois o desejo de falar sobre como e quando se começa a envelhecer, quando o corpo começa a não realizar atividades que antes eram simples.

"Meu próprio corpo é reflexo disso. Voltar a dançar, após vinte anos fora dos palcos, período em que atuei como diretora e coreógrafa, foi uma redescoberta e um aprendizado sobre esse novo corpo, que também envelhece a cada dia”, explica a coreógrafa e pesquisadora Giselle Rodrigues, que dirige a companhia BaSiraH, em Brasília.

No palco, elementos do teatro e da dança se fundem resultando numa dança contemporânea mais dramática e teatral. A coreografia ampliada pela oralidade. O verbo em corpo mais potente. “Desde o princípio do processo, buscamos dar ênfase a uma composição que primasse pelo detalhe, pela sutileza e pela abordagem poética de pontos difíceis e até tabus sobre o processo de envelhecer. Como contraponto, procuramos dar uma poeticidade surgida de um trabalho com a palavra que nasceu do improviso, gerando textos presentes no espetáculo”, afirma Édi Oliveira.

Concebido e interpretado por Giselle Rodrigues e Édi Oliveira , o espetáculo estreou em outubro de 2015 no Teatro SESC Garagem, em Brasília. Em 2016 participou de dois festivais no Brasil: Festival Brasileiro de Teatro - XVIII Edição (RJ) e o Cena Contemporânea - Festival Internacional de Teatro de Brasília (DF). Participou, ainda em 2016, da Mostra Prêmio SESC do Teatro Candango, na qual foi premiado em 6 categorias: melhor espetáculo, melhor direção e melhor atriz, entre outras. Em agosto de 2017, participou, como convidado, da XVI Edição do Festival de Danza Contemporanea de Costa Rica e do Festival do Teatro Brasileiro em Belo Horizonte (MG).

Fio a Fio foi selecionado pelo Programa Petrobras Distribuidora de Cultura 2017/2018, para circulação em Palmas (TO), Niterói (RJ) e Fortaleza (CE). Esta é uma realização do Ministério da Cultura e Governo Federal, Ordem e Progresso.

Serviço:

O quê: Fio a Fio, espetáculo de teatro-dança, com Giselle Rodrigues e Édi Oliveira

Onde: Teatro SESC Palmas (Quadra 502 Norte, Av. LO 16, Lt. 21-A)

Quando: Dias 24 e 25/3, sábado às 20h e domingo às 19h

Ingressos: R,00 (inteira) e R,00 (meia)

Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 12 anos Ingressos: na bilheteria do teatro ou pelo site www.sympla.com