Palmas

Foto: Umberto Salvador

Quem quiser tirar a prova da falta de educação com que o povo trata seus monumentos basta dar uma chegada na Praça dos Girassóis, em Palmas (TO). Apesar de toda a pretensa segurança, da guarda especial que ronda seus 570.970,99 m², ou, 57,09 hectares, o que se vê são monumentos riscados e mutilados, na maior praça da América Latina.

A placa do relógio do sol já não tem mais espaço para tantos riscos. Em alguns casos os vândalos não satisfeitos ainda deixam seus autógrafos numa atitude clara de desafio às autoridades.

No monumento à bíblia que marca o Centro Geodésico do Brasil o que se vê há mais de dois anos é uma frase com palavras sem sentido, letras foram arrancadas. Para o médico intensivista do HC - Hospital das Clínicas de São Paulo, Clóvis Moreno, que estava fazendo turismo pela capital neste sábado, 12, “está faltando mais cuidado com a praça”.

Moreno, que já viajou por todas as capitais do Brasil, é mais um dos muitos turistas que visitam a praça diariamente e se disse surpreso com sua beleza e o crescimento da cidade. Segundo o turista, Palmas era a única capital que faltava visitar, “um dia resolvi fazer um eletrocardiograma, quando vi, pensei, estou no bico do corvo. Fiz uma angioplastia e como morto não viaja, apenas traslada, resolvi viajar por todas as festas e capitais do Brasil, faltava conhecer Palmas”.

Para se ter uma idéia da ousadia do vandalismo, em setembro de 2006 chegaram a arrancar uma das estátuas que compõe o monumento aos pioneiros que fica ao lado do cruzeiro onde o primeiro trator rasgou os primeiros metros do cerrado para construção da capital.

Segundo o Tenente-Coronel José Ribamar de Amorim Pereira, lotado na Casa Civil da Governadoria, apesar da patrulha com três policiais militares rondar toda a praça dia e noite, a vigilância é comprometida em função da extensão da área. A intenção é colocar um sistema de vigilância por câmera “já estamos vendo a possibilidade e já realizamos até o orçamento”, informa Pereira.

Praça não é mais a mesma

A praça que até alguns anos atrás era sinônimo de um local agradável e de lazer para o cidadão palmense, já não pode mais ser percorrida com tanta tranqüilidade depois que a noite cai. No ano de 2007, durante todo o primeiro semestre, a escadaria do Memorial Prestes foi utilizada por grupos de adolescentes de classe média moradores das quadras centrais da capital, como local de consumo de drogas inaláveis como o thinner.

Depois que a guarda da praça começou a funcionar o problema foi contornado e os jovens migraram, mas persistem outras ocorrências. Um exemplo são os travestis que agem nas imediações e muitas vezes assediam os transeuntes gerando um clima de insegurança.

Umberto Salvador Coelho