Economia

Foto: Rodolph Hamadi
  •  Inês Magalhães (E), Dulce Miranda e Aleandro Lacerda conversam com quebradeira de coco
  • Quebradeiras de coco poderão sofrer com efeitos do avanço de culturas para biocombustíveis

O rápido aumento da produção de biocombustíveis em grande escala nos países em desenvolvimento "poderia agravar a marginalização das mulheres nas áreas rurais e ameaçar seus meios de subsistência", afirma a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Em relatório divulgado nesta segunda-feira, 21, e intitulado "Questões de gênero e igualdade na produção de biocombustíveis líquidos. Como minimizar os riscos e maximizar as oportunidades", a FAO diz que as mulheres camponesas dos países em desenvolvimento se encontram entre os grupos mais vulneráveis.

O texto afirma que os possíveis efeitos adversos do cultivo para biocombustíveis afetam essas mulheres de maneira especial. O documento pede uma estratégia de desenvolvimento para esse tipo de combustível que seja sustentável para o meio ambiente e favoreça os pobres.

Além disso, a entidade diz que "seria necessário" adotar medidas para garantir que as mulheres e suas famílias "tenham as mesmas oportunidades que os homens para se beneficiar da produção sustentável" desses produtos.

Segundo o relatório, a menos que as nações em desenvolvimento adotem políticas "para fortalecer a participação dos pequenos camponeses, especialmente as mulheres, na produção de biocombustíveis", as desigualdades podem aumentar.

Isso, de acordo com a FAO, "agravaria ainda mais a vulnerabilidade das mulheres à fome e à pobreza". As mulheres cultivam em terras marginais com freqüência, em terrenos que possuem "função chave" para a subsistência da população rural mais pobre.

No entanto, a crescente demanda mundial de biocombustíveis líquidos, combinada com uma elevada necessidade de terras, pode gerar a desapropriação desses terrenos.

A conseqüência pode ser o "deslocamento parcial ou total das atividades agrícolas das mulheres para terras ainda mais marginais", o que repercutirá negativamente em sua capacidade de obter alimentos, adverte o estudo.

Além disso, as plantações em grande escala para a produção de biocombustíveis líquidos, como o etanol e o biodiesel, requerem um uso intensivo de recursos e insumos, como a terra, a água, os adubos químicos e os pesticidas.

De acordo com o documento, os pequenos camponeses, "em particular as mulheres", contam tradicionalmente com um acesso limitado a esses recursos.

O relatório da FAO destaca a necessidade de se continuar investigando e obtendo novos dados sobre os efeitos sociais e econômicos da produção de biocombustíveis líquidos entre homens e mulheres.

Da redação com informações o Estadão

Por: redação

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