Opinião

Foto: Divulgação Gilvan Nolêto é Jornalista da 1ª turma e presidiu o DCE da Unitins Gilvan Nolêto é Jornalista da 1ª turma e presidiu o DCE da Unitins

Engana-se quem pensa que não guardamos a memória de nossas conquistas. Oito anos se passaram, mas as lembranças das passeatas e da multidão gritando: “A Unitins é Nossa!”, permanecem quase palpáveis, de tão vivas em nossos corações. E pensar que era pra ser apenas um protesto contra o domínio dos jogos universitários, por um general biônico, ocupando a reitoria. Mas a Comissão Multicursos e o DCE decidiram que o protesto não poderia ter conotação discriminatória ou de fútil rebeldia. Mesmo havendo rejeição ao ranço da ditadura, optamos por contestar a privatização da Unitins. O ato ganhou apoio popular e tornou-se um movimento, batizado depois, de S.O.S. Unitins.

Esse movimento, filho da rebeldia e do descontentamento, mas nascido do amadurecimento das idéias, deu os primeiros passos numa sala de leitura da biblioteca, da antiga Unitins (hoje campus da UFT em Palmas), mas nem de longe se imaginava nascer ali, uma revolução tão prudente. Pela primeira vez se abalaria os alicerces do poder central, tão fortemente fincado no cerrado tocantinense. Éramos pouco mais de meia dúzia de estudantes pretensiosos, de diferentes cursos. Mas a força da necessidade nos uniu e tratou de nos multiplicar por muitos e muitos mais.

Militância aguerrida e gratuita. Tudo o que um desses políticos profissionais gostaria de ter a seu serviço. Mas em vez de servis, não liderados. Ocupamos ruas e avenidas. Se a princípio, suor, saliva e sola de sapato provocavam desdém, o poder de convencimento que brotava das vozes em coro, prenunciava a vitória da determinação.

Infiltrada entre os estudantes, a polícia fazia o trabalho que lhe fora ordenado, mas já era tarde. A estratégia de ganhar as ruas com a panfletagem e os manifestos criticando a política de centralização dos cursos, e denunciando a propaganda enganosa e a má qualidade de ensino, contagiara a opinião pública. Já não eram apenas universitários. As passeatas ganharam adesão espontânea de secundaristas e de famílias inteiras, sensibilizadas com a causa. Era a Unitins se negando a morrer!

Incomodada, finalmente a demagogia deu as caras, depois de tanto se fazer ouvidos moucos. Avanços, desconfianças e recuos, sentaram-se à mesa de negociação, enquanto a sociedade, antes silenciosa em seus desejos de mudanças, soube enxergar no Movimento S.O.S. Unitins, a oportunidade de reagir, agindo. E sem derramar uma gota de sangue, buscamos a justiça cega e não a caolha; a independência dos poderes e não subserviência; a liberdade de expressão em lugar da mordaça; o ensino público gratuito e de qualidade e não diplomas de silenciosa mediocridade. Mas acima de tudo, buscamos e conquistamos a liberdade. Quem disse que o povo não é sábio?

Foram apenas 27 dias, mas a trilha aberta pela ousadia estudantil é um marco histórico que não pode ser ignorado ou esquecido. Dessa luta nasceu o embrião da Universidade Federal do Tocantins (UFT). O parto é que foi difícil, pois demorou três anos. Mas ao completar cinco anos de existência, a UFT nos mostra que valeu a pena lutar, pois já é considerada a terceira da região norte entre as federais e é exemplo da democracia, transparência, liberdade de organização e busca pela qualidade de ensino que o Movimento S.O.S Unitins buscava. Contrariando algumas falácias, se a UFT tiver pai, ele se chama S.O.S Unitins. Só para lembrar.

 

Gilvan Nolêto

Jornalista da 1ª turma, presidiu o DCE da Unitins, e é perito da polícia Técnico-científica

Gilvannoleto@yahoo.com.br

Por: redação

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