Opinião

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Os episódios políticos deslanchados a partir do seminário do DEM na Associação Tocantinense de Municípios (ATM) no dia 09, provocaram acontecimentos inesperados por parte dos dirigentes do partido no estado. Naquele momento o Democratas deu provas de força ao reunir aproximadamente 800 pessoas entre políticos, militantes e simpatizantes no auditório da Associação.

O PMDB, partido cuja lógica de sucesso político futuro vai à contramão dos demos, acordou da letargia que até então vinha o acompanhando e resolveu partir para o contra-ataque. A primeira reação foi a fala do presidente regional Osvaldo Reis, na reunião da executiva estadual feita na segunda-feira, 12, em que Evandro Gomes retirou sua pré-candidatura em favor da unidade partidária em torno do nome de Eli Borges. Na ocasião presenciei Reis dizer em referência à senadora Kátia Abreu (DEM), “companheiros esta mulher está fazendo um inferno pelo estado, precisamos dar um jeito nisso, ela diz uma coisa para nós e nos municípios faz outra. Eu não admito traição”.

Após o rompante à Itamar Franco, de Reis, no final da reunião da executiva o discurso foi lithe nas entrevistas à imprensa, mas aí, o início impetuoso já havia vazado para os outros colegas jornalistas que não presenciaram o fato. A reunião articulou um lance descrito no artigo “PMDB e DEM em rota de colisão ” publicado nesta editoria de opinião, exceto por uma pequena variação que se trata de um blefe. Na jogada final ela se desenrolará como um xeque-mate em descoberto, uma jogada clássica do xadrez.

Na quarta-feira, após a repercussão pela imprensa das palavras de Reis, o demo, deputado federal João Oliveira, deu entrevista à um site local utilizando-se de recursos retóricos que foram considerados pesados contra o presidente regional do PMDB. Inicialmente pensou-se em uma nota de resposta assinada pelos outros peemedebistas citados na matéria que solidarizar-se-iam com Reis. Mas houve o evento da Hidrovia Tocantins na sexta-feira em Pedro Afonso e a reação ficou congelada.

Nesta segunda, 19, foi a vez da deputada federal e pré-candidata, Nilmar Ruiz (DEM), soltar nota à imprensa, em que afirma que será candidata e que quer o apoio do governador. Ela ainda afirma que será candidata mesmo que o governador apóie outro nome. Nilmar, entretanto, confundindo alhos com bugalhos, disse que é tratada sempre de forma “gentil e atenciosa” pelo governador e que está confiante no apoio de Marcelo Miranda.

A senadora Kátia que até agora vinha agindo como uma legítima centroavante de futebol habilidosa e rápida, como se vê, bem orientada, foi para a regra três para evitar o desgaste que poderá sofrer no enfrentamento. Sabiamente coloca Nilmar na linha de frente e João Oliveira como fiel escudeiro e fica por trás apenas arquitetando as jogadas como uma legítima treinadora.

Kátia é muito inteligente e utiliza todos os recursos semânticos e retóricos para forçar o apoio marcelista, e se continuar nesta estratégia poderá colocar em xeque até a liderança do governador dentro do PMDB, que já demonstrou que não quer conversa com os demos, justamente pelas pretensões futuras, nas quais o PT no estado pode ser um bom parceiro, compondo uma grande aliança de centro-esquerda com vistas a 2010.

Os demos vão jogar com todas as táticas possíveis e assim já estão fazendo em um jogo que incomoda e que tenta prender o governador tanto pela emoção quanto pelo compromisso. Caberá aos estrategistas opostos desarmarem as fortes jogadas patrocinadas pela trainer do DEM que age com força e que, como as damas no tabuleiro, não deve ser subestimada sob risco de se sofrer um assalto repentino e mortal. Um xeque-mate. É esperar para ver.

 

Umberto Salvador Coelho