Campo

Foto: Amanda Oliveira

“Tínhamos a terra, mas não sabíamos como produzir. Com os parceiros, aprendemos a cultivar as hortaliças, melhorando a alimentação, o aprendizado e a saúde das 180 pessoas que vivem na comunidade. A horta veio para o nosso fortalecimento”, disse Ruimar Antônio de Farias, presidente da Associação Lagoa da Pedra, na abertura da 3ª Feira de Agronegócios da Comunidade, realizada nos dias 22 e 23 de agosto.

Durante os dois dias, quase mil pessoas estiveram presentes na feira, entre quilombolas, parceiros e visitantes na Comunidade Lagoa da Pedra, que está localizada a 420 km de Palmas e a 35 km do município de Arraias. Os visitantes puderam conferir como é desenvolvido o trabalho na horta PAS – Projeto Agroecológico sustentável, modelo horta circular.

A subsecretária da Cidadania e Justiça, Dulce Mª de Palmas Pimenta Furlan, esclareceu que a Secretaria trabalha com o aspecto histórico e reconhecimento das comunidades quilombolas, firmando parcerias para levar melhorias como água, luz, casas populares e postos de saúde. “O Estado não pode ser desenvolvido sem essas comunidades. Juntos com as demais secretarias do Estado levaremos dias melhores para todos”, concluiu Dulce Furlan.

Valdivino Fraga de Melo, Gerente Olericultor da Ruraltins, explicou que estão sendo estudados projetos para implantação do PAS modelo de horta circular em mais 12 comunidades. “Ensinamos as pessoas a utilizar a cinza como adubo e como corretivo do solo, bem como, ministramos cursos de homeopatia (tratamento de doenças com produtos naturais) e acompanhamos o andamento do cultivo das hortaliças”, concluiu Valdivino.

Mariana Cesário de Castro, da Comunidade Kalunga de Mimoso, aproveitou a feira para vender o fumo de rolo que produz. “Tenho 65 anos e nunca tinha visto uma horta tão bonita e tantas comunidades quilombolas reunidas. O que está sendo feito aqui deve ser levado para Kalunga, também precisamos de hortas e de cursos profissionalizantes”, frisou Mariana.

O vice-presidente da comunidade Lagoa da Pedra, Neres Francisco Machado, disse que depois do reconhecimento da comunidade pelo governo do Estado, em 2004, Lagoa da Pedra, teve mais integração social com as demais comunidades. A sua esposa Nelseni Francisco Machado aproveitou a feira para vender laranja e doces de mamão e de leite.

Atualmente, a horta de Lagoa da Pedra está produzindo organicamente (sem agrotóxico) banana, pimenta, tomate, coento, cenoura, beterraba, rabanete, reponho, cebolinha, maracujá, cebola de cabeça, abóbora e couve. A comunidade cria em um tanque no centro da horta mil peixes da espécie tambaqui.

Na abertura da Feira, o Ruraltins – Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins efetuou entrega de certificado do “Curso Básico sobre agroecologia”, com carga horária de 160 horas, ministrado durante um ano para jovens e adultos da Comunidade Lagoa da Pedra. No curso, eles aprenderam a preparar o solo para o plantio, a fabricar inseticidas caseiras e técnicas da homeopatia.

Estiveram presentes no evento representantes das comunidades quilombolas de Redenção, do município de Natividade; Morro São João, do município de Santa Rosa; Malhadinha e Córrego Fundo, de Brejinho de Nazaré; Barra da Aroeira, de Santa Tereza do Tocantins; e a Comunidade do Prata, de São Felix do Tocantins.

 

Fonte: Secom