Opinião

Nestas eleições - como em todas as anteriores -, candidatos a prefeitos e a vereadores de todos os municípios do Brasil estão usando e abusando do termo “mudança” como se isso ainda fosse alguma novidade. Partidos, grupetes políticos de última hora e velhos caciques desprovidos de moral, de ética e de crédito, movidos pelo mais (im)puro interesse eleitoreiro, tentam à todo custo vender a idéia de que são os autênticos representantes da mudança. Na verdade, são lobos em pele de cordeiro, cada um com o rabo maior do que as pernas e a cara-de-pau de sempre, agora mais azeitada do que nunca.

Até onde sei, há pouca coisa nova na política brasileira. Quase tudo é velho. A prática política é velha, ultrapassada. As táticas de captação (e não conquista) de votos são um acinte ao bom-senso e ao entendimento do cidadão honesto e de bem. A política está malcheirosa, tal qual a carniça de um cachorro velho jogado na beira da estrada. E, infelizmente, não vejo nem resquícios de luz no fim do túnel. O que vejo é simplesmente briga política. Os partidos não têm identidade, são como abutres ávidos por uma nova presa. Os inimigos de ontem são os amigos de hoje, e vice-versa. Os candidatos, por sua vez, não têm personalidade, continuam subjugados ao poder do dinheiro olhando para os próprios umbigos. E o povo não tem para onde correr, fica no meio do fogo cruzado quase sem alternativa. Em muitos municípios o quadro é tão ruim que o eleitor que fugir do fogo vai acabar caindo na fornalha.

Diante desse quadro, vem a inevitável pergunta: o que fazer? Como fugir dos políticos corruptos cujas mãos estão manchadas pela tinta do dinheiro sujo roubado do povo? E mais ainda: como identificar o político bem-intencionado no meio de tanta sujeira, tanta ladroagem e tanta mentira deslavada? Sim, porque nessa época todo mundo é sinônimo de competência e de seriedade!

Não sou nem pretendo ser o dono da verdade, mas sou um eterno questionador. Entendo que podemos começar avaliando a vida pregressa do candidato. Ver o seu comportamento em família, o seu desempenho na vida profissional, na sua empresa, na sua associação, a sua conduta em algum cargo público que porventura tenha ocupado ou, principalmente, procurando saber qual a contribuição que ele ou ela tenha dado à sociedade. Pergunte-se: “Esse candidato está preparado para me representar? É uma pessoa digna da minha confiança?”. No fundo você sabe que tem a resposta.

Não é preciso saber de tudo. Basta apenas um pouco de sabedoria para separar o que é bom do que é ruim, sem olhar partido, grupo ou segmento. O voto é individual e tem um poder incalculável. É uma arma poderosa no combate à corrupção, um remédio implacável capaz de exterminar, banir de vez da vida pública, os bandidos que se dizem “os mais legítimos representantes do povo”.

Desconfie de tudo e de todos! E como é impossível votar no candidato ideal – pois ele simplesmente não existe, escolher o menos ruim já será um grande avanço.

 

Claudivan Santiago

Jornalista

Por: Redação

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