Opinião

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A decisão tomada nesta segunda-feira, 2, de só fazer eleição para o Diretório Estadual do PMDB no final do ano, ratificou a força do deputado estadual Osvaldo Reis e selou a unidade partidária.

Uma forma discursiva da mídia local sobre as disputas internas do partido, entretanto, chamou atenção. Ficou bem definido por vários veículos de comunicação o que se chamou de disputa entre os históricos peemedebistas e os neo-peemedebistas. A articulação dos históricos representados por Derval de Paiva, Moisés Avelino e Osvaldo Reis e a articulação dos neo-peemedebistas representados pelo grupo ligado ao governador Marcelo Miranda.

Ora, se uns são históricos e os outros são “neo”, então estes últimos são os “novos cristãos” e por conseguinte devem aos primeiros mais respeito, no mínimo, mais consideração. Mas não era isto que vinha acontecendo.

O grupo marcelista que ingressou no partido em 2005, vindos principalmente da União do Tocantins (UT) com o governador é que davam as cartas. Aliado a isto os peemedebistas da velha guarda ainda sofreram com o parasitismo político do DEM, que, com ajuda do governador enfiou goela abaixo a candidatura da pouco carismática Nilmar Ruiz, na capital, Palmas, forçando a coligação PMDB/DEM até mesmo a nível estadual. Coligação que, pela conjuntura nacional, naquele momento já se revelava inviável. Ali o partido já teria que estar pensando em 2010 e se fortalecendo.

O resultado da visão política rasa do governador Marcelo Miranda em 2008 todos conhecem. Debandada geral Estado afora e salve-se quem puder. Naquela oportunidade, Reis, o senador Leomar Quintanilha, e o presidente da Assembleia, Carlos Gaguim uniram forças e foram apoiar seus candidatos nos municípios. Na capital, Nilmar foi literalmente largada na chapada.

A intenção recente do governador era emplacar o deputado estadual Junior Coimbra como presidente estadual do PMDB e com isto enfraquecer Osvaldo Reis. Em dezembro o governador já havia manobrado para impedir que Reis assumisse a Coordenação da Bancada Federal em Brasília. As ações de Marcelo Miranda paradoxalmente e curiosamente, até o momento, sempre produziram fatos pelo enfraquecimento do partido, que sob a presidência de Osvaldo Reis se tornou o maior do Estado.

A novidade desta vez foi o basta que os históricos resolveram dar nas incongruências do governador em relação à sigla. Marcelo tenta desde 2008 pavimentar o caminho para a candidatura da senadora Kátia Abreu (DEM) ao governo e para isto precisava de um PMDB tacanho e serviçal.

Após a união do triunvirato peemedebista só restou aos marcelistas dizerem que estão felizes com a unidade. Felizes, claro. Porque se fossem para a disputa contra a união das três eminências pardas do PMDB levariam uma taca.

O que ocorreu na reunião do PMDB foi um aniquilamento das forças que agiam contra os interesses do partido. O PMDB agora retorna aos trilhos. Como disse Derval de Paiva, “tudo está no seu lugar”. O partido caminhará fortalecido para 2010 e tem ótimos nomes para compor a chapa majoritária a exemplos do próprio Osvaldo Reis e Moisés Avelino.

Como diria o filósofo e matemático René Descartes em seu princípio da certeza racionalista "Cogito, ergo sum"  - penso, logo existo.

 

Umberto Salvador Coelho