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Foto: Humberto Leão
  • Ângela Costa e o vídeo com cenas explícitas de corrupção: propina em nome da primeira-dama

A revista Veja que começa a circular neste sábado, 16, mostra a que nível de corrupção e podridão teria chegado o governo atual do Tocantins. Segundo a revista, no início deste mês a secretária Ângela Costa Alves decidiu contar à Polícia Federal tudo o que viu e principalmente “todos os trambiques que ajudou a fazer como principal assessora de Dulce Miranda, a mulher do governador”. (Clique aqui para ver a reportagem na íntegra no site da revista).

A ex-funcionária trabalhou para a mulher do governador Marcelo Miranda (PMDB) de 2003 a 2006. Ela afirma que foi obrigada abrir conta para receber dinheiro desviado do governo do Estado “com o qual bancava, entre outras coisas, despesas como joias e roupas íntimas para Dulce”, informa a revista.

A denúncia é acompanhada de provas entregues à PF do que a ex-funcionária testemunhou. Segundo a revista, “a pilha de documentos inclui recibos do dinheiro vivo distribuído a eleitores, extratos da empresa que usou para lavar dinheiro do governo e até um vídeo com cenas de corrupção explícita” (trechos podem ser vistos aqui por assinantes).

Segundo a ex-assessora depois das denúncias de nepotismo, o governador Marcelo Miranda foi obrigado a exonerar sua mulher que comandava uma das secretarias do governo e para que continuasse mantendo o padrão de vida o governador criou uma estrutura clandestina para drenar recursos públicos.

Veja informa que uma “empresa simulava contratos com o governo e repassava os valores recebidos para a conta administrada por Ângela Costa. De acordo com extratos em poder da polícia, em apenas seis meses a empresa recebeu 3,6 milhões de reais”. O dinheiro segundo o depoimento da ex-funcionária era distribuído à primeira-dama e ao tio do governador, além de ser usado para pagar despesas pessoais do primeiro-casal. "Entreguei dinheiro nas mãos dela várias vezes. Entreguei dentro do palácio e até dentro do quarto dela", contou Ângela a Veja.

Superfaturamento

No réveillon de 2006, a empresa Reis & Arruda recebeu 750 000 reais do governo do Tocantins para bancar as despesas da festa oferecida pelo primeiro-casal, informa Veja. “O rega-bofe, porém, custou apenas 300 000 reais. Os 450 000 reais do superfaturamento, de acordo com a ex-servidora, foram divididos entre a primeira-dama (56 000 reais), um empresário (44 000 reais) e um secretário do governo (350 000 reais)”. segundo a reportagem.

Para comprovar a ex-assessora entregou à PF extratos de sua conta mostrando o depósito de 750 000 reais, as despesas verdadeiras com a festa e o saque na boca do caixa de 450 000 reais. Documentos de outras despesas superfaturadas que abasteceram as têtas dos desvios também foram entregues. "Muitas só existiram no papel. O dinheiro eu usava para pagar despesas dela ou entregava a quem ela e o tio do governador mandavam", afirma Ângela. A ex-assessora diz, ainda, segundo a revista Veja, ter comprado roupas para o governador e joias para a primeira-dama. "As joias foram presente de aniversário de casamento. Enrolei em uma camisola de seda, da cor dos olhos dela, e entreguei a ele. Ela abriu o presente pela manhã, em casa, na frente dos filhos”, diz.

Versão do governo

O governo informou à revista Veja que tomou conhecimento do depoimento da ex-assessora na semana retrasada e desmentiu todas as acusações. "São alegações sem provas. Não há sequer um inquérito, uma investigação formal. Tanto que nem fomos notificados pela Polícia Federal", diz o secretário de Comunicação, Sebastião de Melo.

No cardápio das denúncias existe ainda segundo a reportagem um vídeo gravado em outubro de 2008. Nele aparece José Francisco do Santos, gerente de compras do governo, extorquindo um fornecedor. Ele pede 3 500 reais. "A primeira-dama pediu pra eu comprar um notebook para ela por 3 500. Assim que eu conseguir, eu vejo aquele empenho pra você", diz Santos, ao embolsar um maço de dinheiro. Ao final, o empresário pede ajuda para sua empresa se livrar do pagamento de multas e impostos, afirma a reportagem da Veja

Rced

Segundo a revista Veja o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começará a julgar na próxima semana o processo de cassação no qual o governador do governador do Tocantins, é réu, acusado de abuso de poder econômico na eleição de 2006.