Polí­tica

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Em entrevista exclusiva ao site Conexão Tocantins, o deputado federal Moisés Avelino, pertencente à ala considera histórica do PMDB, fez um desabafo. Ele considera normal e natural o governador Carlos Gaguim insistir que o seu pré-candidato ao governo seja o senador João Ribeiro (PR). “Tudo bem, acho que é um direito dele. Porém, o cargo que ele (Gaguim) exerce é de governador. Seria bom que se conversasse tudo isso e se fosse fazer, fizesse de acordo com todos do partido. Eu acho que cada um faz o que quer, o que acha que está certo, mas não é obrigado a fazer com que concordemos com tudo isso”, pontuou o parlamentar peemedebista. Avelino avalia que o PMDB tendo candidato próprio ao governo não implica que seja obrigatoriamente Gaguim o candidato. “Mas, vamos avaliar no ano que vem, na hora oportuna, quem tem mais potencial no grupo de ganhar as eleições. Política se realiza fazendo composição”, pondera. Na análise do peemedebista histórico, o partido tem que buscar a unidade. “Se não nos cuidarmos, passa da hora. O PMDB tem que buscar a unidade para ter condições de se impor nas negociações em termos de aliança”, afirma.

Sobre a sua participação no governo Carlos Gaguim, Avelino faz o seguinte comentário: “Cheguei numa fase que sou só solução. Se eu posso ajudar, em ajudo; se não, fico quieto. Não estou aí para brigar com quem quer que seja. Mas é preciso que se dê a todos os peemedebistas o calor humano que eles precisam. E esse calor humano é a atenção, o diálogo, a conversação, a participação. E quando se fala em participação significa ter cargos no governo. É se conversar também sobre política, a sucessão de 2010, 2012, buscando um entendimento. Do jeito que está hoje, cada um puxando a brasa pra sua sardinha, fica difícil, porque, à medida que ajeita uns, desagrada outros. Eu estou vendo acontecer isso, já dei algumas sugestões. Antes do governador assumir definitivamente, eu falei para se ter cuidado com o período pós-eleição para não se correr o risco de agradar uns e desagradar outros, porque o processo político precisa de todos.

Confira a entrevista

Deputado Moisés Avelino, depois daquela investida do ex-prefeito de Palmas Derval de Paiva em assumir a presidência do PMDB e até mesmo na disputa indireta pelo governo do Estado, o seu partido caminha pra unidade com vistas à sucessão de 2010?

MA – Olha, o PMDB não está unido. Aliás, o partido está precisando se unir. Nós temos alguns segmentos do PMDB, inclusive nós considerados da ala histórica, estamos meio que soltos na planície. Isto é, cada um por si e Deus por todos. É preciso agregar todo esse pessoal ao comando geral do partido. E isso depende muito de quem comanda o partido, porque essa pessoa (deputado Osvaldo Reis) é que tem o direito de chamar os companheiros para uma conversa no sentido de agregar. Portanto, o PMDB está passando da hora de se unir. Eu até estou incitando os peemedebistas para participar dessa disputa no bom sentido, por ocasião da renovação do diretório regional, no próximo mês de dezembro, para unir e fortalecer o partido para a sucessão do próximo ano. Existe muita coisa a se conversar para se chegar a um entendimento, com os vários segmentos do partido que se encontram meio abandonados em termos partidários.

Mas depois de tudo que aconteceu desde a disputa pela prefeitura de Palmas, em 2008, até a eleição indireta que elegeu o governador Carlos Gaguim, o senhor acredita que o PMDB vai conseguir juntar os cacos?

MA – Eu acho que consegue unir, é possível, mas quem tem que ter a iniciativa é o governo. Todo dia chegam pessoas a minha procura, pedindo amparo, porque foram demitidas. Eu digo que não posso fazer nada, porque não estou participando do governo. Depois do governador eleito definitivamente, ainda não tive audiência com ele. Também nunca solicitei. Não estou culpando ele não. Pode ser até culpa minha em não procurá-lo. Mas, estou esperando as coisas acontecerem, acompanhando. Eu sempre tenho dito que não sou problema. Cheguei numa fase que sou só solução. Se eu posso ajudar, em ajudo; se não, fico quieto. Não estou aí para brigar com quem quer que seja. Mas é preciso que se dê a todos os peemedebistas o calor humano que eles precisam. E esse calor humano é a atenção, o diálogo, a conversação, a participação. E quando se fala em participação significa ter cargos no governo. É se conversar também sobre política, a sucessão de 2010, 2012, buscando um entendimento. Do jeito que está hoje, cada um puxando a brasa pra sua sardinha, fica difícil, porque, à medida que ajeita uns, desagrada outros. Eu estou vendo acontecer isso, já dei algumas sugestões. Antes do governador assumir definitivamente, eu falei para se ter cuidado com o período pós-eleição para não se correr o risco de agradar uns e desagradar outros, porque o processo político precisa de todos. Eu pelo menos tento manifestar isso. Eu passo para alguns companheiros o que eu penso sobre esse processo. Mas, nem por isso, estou dizendo que estou certo. A questão é saber se vamos unir o partido ou não. Se não unirmos, não seremos fortes. Unidos, podemos ser o partido que pode decidir o processo político no Estado.

O governador Gaguim tem manifestado por algumas vezes que o seu pré-candidato ao governo é o senador João Ribeiro, do PR. Isso significa dizer que o PMDB, apesar de ser o maior partido do Estado, pode não ser cabeça de chapa em 2010. Como o senhor analisa tal situação?

MA – Pelo que ouço e ouvi no domingo, em Miranorte, um discurso do governador nesse sentido, falando que o senador João Ribeiro é o candidato dele ao governo e o secretário da Educação, senador Leomar Quintanilha (PMDB), seria o candidato dele à reeleição. Tudo bem, acho que é um direito dele. Porém, o cargo que ele (Gaguim) exerce é de governador. Seria bom que se conversasse tudo isso e se fosse fazer, fizesse de acordo com todos do partido. Eu acho que cada um faz o que quer, o que acha que está certo, mas não é obrigado a fazer com que concordemos com tudo isso. Sempre questionei na cúpula do PMDB nacional, da qual faço parte, por que o nosso partido não tem candidato próprio a presidente da República se somos o maior partido do Brasil, em todos os aspectos. Estou trabalhando para se fazer um movimento nesse sentido. Precisamos buscar a candidatura própria ao Palácio do Planalto. Aqui no Tocantins, não significa que o PMDB tendo candidato próprio ao governo, que seja obrigatoriamente ele (Gaguim) o candidato. Mas, vamos avaliar no ano que vem, na hora oportuna, quem tem mais potencial no grupo de ganhar as eleições. Política se realiza fazendo composição. Já falei que não concordo com essa história do PMDB ser a noiva cobiçada para ser candidata à vice-presidente. O importante é lutar pela cabeça do governo, porque nós temos condições e lideranças competentes para isso. Em nível nacional, o PMDB também é dividido. Existem defecções que são irreversíveis. Portanto, oficialmente uma ala do partido vai apoiar um candidato e, extra-oficialmente, prestará apoio a outro. Aqui no Tocantins, do jeito que vai indo, vai acontecer a mesma coisa. Precisamos, então de buscar a unidade. Se não nos cuidarmos, passa da hora.

A aliança entre PMDB, PT e PR é possível?

MA – Olha, em política tudo é possível, não vindo de cima pra baixo pra fazer nós engolirmos. Não é assim. Mas se conversando, tudo é possível. Quais as lideranças desses partidos estão conversando nesse sentido? Trabalho individual de quem quer que seja também não funciona, porque divide o partido. Já tivemos exemplo disso aqui em Palmas (eleições de 2008). O PMDB tem que buscar a unidade para ter condições de se impor nas negociações em termos de aliança.

O senhor sai à reeleição ou pretende postular uma das duas vagas do Senado, por exemplo?

MA – Eu estou numa situação, e tenho dito aos amigos que me perguntam, que só tenho a chance de sair à reeleição, porque o partido como está não posso me lançar ao Senado, porque não sei se o partido vai me dar legenda. Já existe o ex-governador Marcelo Miranda, que é dos pré-candidatos e deve ter outro. Eu vejo o governador Gaguim lançando o senador Leomar Quintanilha, que é também um direito dele, não tenho nada contra. Se eu lançar o meu nome serão três. Isso é impossível. Só dá pra dois e ainda tem que brigar por uma vaga a outro partido que vai compor a aliança. Mas o fato não é ser candidato ao Senado, a governador, vice-governador, deputado. O importante é participar de um grupo que esteja unido, que queira continuar no poder e que a gente participe dele. Existem várias maneiras de se participar de um governo. O que não dá é você governo e ficar fora dele em todos os aspectos.

Deputado, cinco dos atuais deputados estaduais podem disputar a eleição à Câmara Federal, e nesse governo de coalizão eles têm uma participação bem efetiva. O senhor não acha que em 2010, a disputa a uma das oito vagas de deputado federal será acirrada e, por isso difícil?

MA – Não tenho dúvida disso. Eu já fiz uma relação das possíveis coligações se o quadro político se mantiver como está hoje, tanto a situação quanto a União do Tocantins têm um número razoável de candidatos com potencial de voto importante. Vai ser uma disputa muito ferrenha. Além dos oito que estão com mandatos e devem sair à reeleição, praticamente todos, existem os novos que estão chegando, com potencial de voto muito grande.

Por: Gilson Cavalcante

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