Geral

Foto: Koró Rocha Ataques mais incisivos à senadora partiram do deputado Stalin Bucar Ataques mais incisivos à senadora partiram do deputado Stalin Bucar

Como não poderia deixar de ser, às véspera do recesso parlamentar, o clima na Assembleia Legislativa elevou a temperatura na sessão desta quarta-feira, 9, quando da votação do requerimento de autoria do deputado Osires Damaso (DEM), solicitando voto de aplauso à senadora Kátia Abreu, de seu partido, por ter sido figurada na lista das 100 personalidades mais influentes do Brasil, em reportagem da última edição da revista Época. Os ataques mais ácidos à senadora partiram de seu contumaz desafeto, o deputado Stalin Bucar (PR).

Dos 18 parlamentares presentes, apenas o autor do requerimento e o seu companheiro de legenda Toinho Andrade votaram favoráveis à moção. Os deputados Cacildo Vasconcelos (PP) e Raimundo Moreira (PSDB) se abstiveram. Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional da Agricultura, tem sido motivo de constantes ataques dos deputados governistas. Sinal de um pequeno aperitivo do que será em 2010, ano eleitoral, em que a senadora estará no mesmo palanque do ex-governador Siqueira Campos.

César Halum (PPS) foi o primeiro a se pronunciar sobre o pedido de aplauso. Ele lembrou que, na semana passada, quando da votação do repúdio à senadora, se absteve alegando que o momento era impróprio. “Não tenho no meu peito nenhum ódio ou rancor que justifique algum revanchismo político”, enfatizou para observar que reconhece o trabalho da senadora Kátia Abreu. No entanto, reiterou o seu descontentamento com a postura da senadora quando da eleição indireta que elegeu Carlos Gaguim governador do Estado para o mandato-tampão. Na oportunidade – lembrou o deputado –, Kátia Abreu, segundo ele, denominou os parlamentares de corruptos e vendedores de votos. Por isso, disse que não votaria favorável ao aplauso à senadora.

“Não desmereço a senadora; é uma boa líder, mas tem falhado para com o Tocantins e não tem dado assistência e atenção aos nossos prefeitos”, ponderou Halum.

O autor do requerimento também usou a tribuna para defender o pedido de aplauso, mas antes fez uma referência ao pedido de cassação do mandato dos três deputados que trocaram ou DEM por outras legendas. “Tenho certeza que o DEM entrou na justiça para obedecer à lei e também sei que a senadora não chamou os deputados de vendedores de voto”. “Nós parlamentares precisamos reconhecer o trabalho dela”, insistiu em vão. Toinho Andrade também defendeu a atuação da senadora fez seu proselitismo: “Tenho certeza que no próximo ano ela vai ser a próxima governadora do Tocantins”.

Municiado com uma fotocópia da reportagem da revista Época, da semana passada, que denunciou grilagem de terra pela senadora, Stálin Bucar disse que Kátia Abreu, com aquela suposta atitude, estava colocando em xeque a sua vida pública. Ele chegou a dizer que a senadora cometeu um crime “vergonhoso, sujo e traiçoeiro”. Com isso, Bucar acredita que Kátia Abreu maculou a sua trajetória política no Estado.

A deputada Luana Ribeiro foi outra que não dispensou críticas à senadora e recebeu o troco de Damaso, que lembrou os processos que o senador João Ribeiro (PR), pai de Luana e pré-candidato ao governo, responde sobre exploração de trabalho escravo em suas propriedades, no Estado do Pará.

Para respaldar o deputado Damaso, estiveram nas galerias da Assembleia Legislativa os vereadores palmenses Valdemar Júnior e Fernando Rezende, ambos do DEM, além da ex-candidata a prefeita de Palmas e ex-vereador Warne Pires, além do presidente do diretório metropolitano do Democratas, Lutero Fonseca.

Votação

Dos 24 deputados da Assembleia tocantinense, a Moção de Aplausos teve 14 votos contra, 2 votos favoráveis, dos dois democratas da Casa, Osires Damaso e Toinho Andrade, e duas abstenções (de Raimundo Moreira, do PSDB, e Cacildo Vasconcelos, do PP).

Votaram contra Raimundo Palito (PP), Marcelo Lelis (PV), Luana Ribeiro (PR), Stalin Bucar (PR), Solange Duailibe (PT), Paulo Roberto (PR), Cesar Halum (PPS), Sandoval Cardoso (PMDB), Zé Viana (PSC), José Geraldo (PTB), Iderval Silva (PMDB), Josi Nunes (PMDB), Pastor Pedro Lima (PR) e Manoel Queiroz (PPS).