Opinião

Foto: Divulgação Adriano Marcos Alencar é Delegado de Polícia de Arapoema Adriano Marcos Alencar é Delegado de Polícia de Arapoema

Peço licença aos leitores de tão conceituado jornal para lhes contar um triste fato acontecido no dia 12 de outubro do ano de 2009 na cidade de Goiânia. Nesta data, por volta dàs 6 horas da manhã fui acordado em minha casa por um tio da minha esposa me dando a seguinte notícia sem nenhum rodeio: mataram o pai da Amanda e é necessária a presença dela aqui para as últimas despedidas. Tomei um choque!

Assustado com a notícia e preocupado com a reação da minha esposa falei a ela que tínhamos que ir a Goiânia, pois seu pai estava internado em estado grave e nossa presença era imperiosa. Sai de Arapoema no Estado do Tocantins, distante uns 1200 Kilômetros de Goiânia e consegui dirigir até o destino levando aquele terrível segredo comigo. Ao chegarmos à casa dos meus pais, juntamente com os familiares da minha esposa, contamos para ela o acontecido e fomos velar seu pai, que no dia seguinte foi enterrado.

Aqui começa nosso desespero, que hoje atinge minha família de forma ímpar, com relação ao crime praticado contra meu sogro (segundo a necropsia ele recebeu mais de 20 facadas) que até a presente data não possui indiciamento no inquérito policial. Como Delegado, diante dos questionamentos da minha esposa quanto à atuação policial em identificar o autor desta barbárie, respondo apenas que a polícia esta trabalhando no caso, para acalmá-la.

As observações e comentários que se seguem são frutos de algumas experiências profissionais, principalmente na seara policial e na escola da vida. Sendo muito salutar colocar o problema da falta de estrutura de trabalho das polícias diante da sociedade, para que esta cobre das autoridades competentes uma solução de longo prazo para a Segurança Pública.

Ao visitar meus pais na primeira semana de janeiro, passados três meses do fato procurei a Delegacia de Homicídios para dar uma olhada no inquérito e saber como andam as investigações e relato algumas contrariedades neste intervalo de tempo dignas de nota: a investigação do crime praticado contra meu sogro na madrugada não teve início diante da greve dos policiais civis que naquele momento lutavam por valorização profissional e que infelizmente acabaram por não realizar nenhuma investigação por causa da paralisação, sendo que o plantão cumpriu apenas as formalidades de praxe na data do fato; devido aos mais de oito anos como agente de polícia em Goiânia busquei em causa própria alguns companheiros para dar celeridade às investigações e fiz alguns levantamentos e os entreguei para a Autoridade Policial dar continuidade, estas pouco evoluíram; perguntei ao agente policial quantos policiais estavam na equipe e como estavam as diligências, a resposta foi desanimadora, pois ele sozinho era a “equipe” e quando a diligência exigia a Delegada pedia colaboração de outros policiais. Sinceramente falando, diante de tantas adversidades, penso que meu sogro virou estatística e penso que neste caso como em outros se inicia a impunidade, que gera aumento da criminalidade.

Alguma coisa deve ser feita urgentemente, nós policiais não podemos ficar inertes diante destas dificuldades. Temos que cobrar melhoras dos responsáveis! E os dirigentes das Polícias, Oficiais Superiores e Delegados de Polícia não podem ser omissos diante de tanta violência e falta de resposta adequada. No meu caso não quero que ninguém fique com dó ou pena de mim, quero apenas Justiça. Não quero chegar ao absurdo de pedir ajuda para uma Polícia que não pode me ajudar!

(Adriano Marcos Alencar - Delegado de Polícia de Arapoema)

Por: Adriano Marcos Alencar

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