Opinião

Nos últimos dias, o Brasil “parou” para acompanhar, lamentar e chorar pelas vítimas do atentado cometido pelo jovem que portava dois revólveres que acabou tirando a vida de 12(doze) crianças em uma escola situada no bairro de Realengo no Rio de Janeiro. Na história recente do Brasil, não há registro de tamanha violência causada a um grupo de pessoas indefesas e inocentes, tornando uma das mais brutais chacinas já ocorrida em nosso pais.

Há exatamente 12(doze) anos atrás coincidentemente o mesmo número de vítimas fatais até o momento, um fato semelhante aconteceu em um shopping em São Paulo, onde um jovem entrou fortemente armado durante a exibição de um filme de “ação”. O resultado do ataque acabou deixando três vítimas fatais. O assunto foi objeto de um artigo de minha autoria no quadro “tendências e idéias” do Jornal do Tocantins. O artigo era intitulado “tecnologia, mídia e contradições”. Na época em que escrevi o artigo, eu era acadêmico de geografia da Unitins, mais precisamente no ano de 1999. Em seu primeiro parágrafo digo: “hoje, já quase na virada do século, e logo em seguida a virada do milênio, algumas entidades preparam-se para os 500 anos de descobrimento, que particularmente não vejo o porquê da comemoração, visto que ainda persistem no Brasil problemas de corrupção, injustiças e grandes desigualdades sociais”.

No artigo em tela, faremos uma co-relação entre: educação, saúde, segurança, tecnologia e família. Nesse sentido, é salutar tecer algumas indagações no sentido de relacionar tais assuntos e conseqüentemente refletirmos para a importância de ambos, principalmente no contexto educacional. Surge então interrogações a saber: Se aquele jovem tivesse tido uma educação eficiente e de qualidade, o mesmo teria feito tamanha brutalidade? Será que o jovem teve um acompanhamento psicológico condizente com sua necessidade? Como conseguiu as armas, se temos uma lei que proíbe? Será que o jovem teve carinho e amor por parte da família, colegas e educadores na sua infancia.

Sempre, falo aos meus alunos, que a educação é o caminho, e quando faço essa afirmação, estou me referindo ao caminho mais fácil, mais viável, mais justo, mais correto para que o cidadão possa ter uma vida melhor. Nos últimos anos, discute-se muito “a prática de atos de violência psicológica de modo intencional e repetitivo exercido por indivíduo ou grupo de indivíduos, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidar, agredir, causar dor, angustia ou humilhação a vítima”, mais conhecido no âmbito escolar como bulling. Na verdade a maioria de nossos professores não estão preparados para atuar com o problema, pois falta capacitação por parte do estado, capacitação essa, não só para os professores, mais para todos aqueles envolvidos no processo educacional.

O bulling, é um problema de saúde, pois envolve o psicológico. Com isso, defendemos que cada unidade escolar disponha de um psicólogo com cargo efetivo para atender a demanda da escola, tendo em vista que o atendimento não se resume aos alunos, como também a toda família. O caso de Realengo nos faz refletir a outro sério problema, não só no Rio de Janeiro, mais comum a todo o pais, que é a questão da segurança pública em nosso pais. A segurança pública em nosso pais, é um sistema arcaico e falido e para conferir essa afirmação, não há necessidade de sairmos do estado do Tocantins, um exemplo disso, é o sistema prisional.

Em 2003 foi aprovado a lei nº 10.826, que dispõe sobre registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição, e define crimes e dá outras providencias. Em seu artigo 6º diz: “é proibido o porte de arma de fogo em todo território nacional.....” A partir da validade do estatuto foi instituído a campanha do desarmamento, visando a população portadora de armas sem registro o prazo de 180 dias para regularização ou porte perante a polícia federal, ou entrega de boa-fé da arma de fogo com direito a indenização, à contar de 23/06/2004, conforme a lei 10.884 de 17/06/2004. Foram incineradas mais de 200 mil armas, não sendo o suficiente para desarmar principalmente quem mais precisa, ou seja, os bandidos.

Segundo dados não oficiais, cerca de 8 milhões de armas, ainda circula de forma ilegal em nosso pais, sendo inclusive comercializado, como é o caso dos dois revolveres responsáveis pela chacina de Realengo. Por outro lado, surge o desenvolvimento tecnológico que através de detectores de metais, câmeras de vigilância e até mesmo raio-x do corpo humano, já testado em países europeus como a Inglaterra que fez o teste no aeroporto de Manchester. Será que é o suficiente?

Não poderíamos esquecer a família, ao nosso entendimento principal responsável pelo processo educacional e de formação, principalmente, formação moral e ética. A família é a base é o “núcleo natural e fundamental da sociedade.” Nos últimos anos a própria dinâmica da sociedade tem possibilitado esse distanciamento, ou seja, a falta da boa conversa entre pais e filhos, a reunião em família, o compromisso com Deus, independente da religião que pertença. Tais valores não depende de classe social a que pertença, mais sim, compromisso com os princípios éticos e morais que norteiam a sociedade, pois somente assim, teríamos uma sociedade mais justa e mais fraterna, não esquecendo que o estado brasileiro precisa fazer sua parte.

(Professor Rubens é bacharel em Direito, pós-graduado em Gestão Escolar, especialista em Desenvolvimento Regional e Urbano, ex-secretário de Educação de Santa Fé do Araguaia e atualmente é vereador pelo PT em Santa Fé do Araguaia.)

Por: Professor Rubens do PT

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