Educação

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Um perfil dos alunos das universidades federais brasileiras mostra que o curso superior não é exclusividade para famílias ricas. A pesquisa foi lançada nesta quarta-feira (3) e é uma realização da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), por meio do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis (Fonaprace). O estudo mapeou, entre outubro e novembro de 2010, a vida social, econômica e acadêmica de mais de 22 mil estudantes de graduação presencial das universidades federais.

O resultado nacional aponta que cerca de 43% dos estudantes são das classes C, D e E. No entanto, na Universidade Federal do Tocantins (UFT), a realidade diagnosticada pela pesquisa é de mais de 70% dos alunos em situação de baixa renda. Somente na classe D, enquanto o perfil nacional é de 9%, na UFT esse quantitativo é de 27%.

A federal tocantinense também contraria a ideia de que as escolas particulares e os cursinhos são os que mais aprovam alunos. Na UFT, mais de 60% cursou o ensino médio exclusivamente na rede pública e outros 14% estudou a maior parte. Também a maioria dos matriculados na Universidade (64%) não frequentou cursinho por mais de seis meses - em âmbito nacional, são pouco mais de 40%.

Permanência

Para garantir que esses alunos que entram tenham as condições necessárias para permanecer na Universidade, as federais têm investido nas políticas de assistência estudantil e reivindicam aumento do repasse do Ministério da Educação para esse fim. A pesquisa identificou que um em cada dez recebe bolsa de permanência, por exemplo; na UFT, essa política ganha destaque em relação às demais universidades federais; a proporção vai para dois em cada dez estudantes.

Cerca de 2% dos alunos das federais brasileiras dizem residir em moradias estudantis, número que se mantém no contexto da UFT. No entanto, na universidade tocantinense, que tem quase metade de seus estudantes (48%) já no mercado de trabalho, o percentual dos que moram sozinhos ou com o cônjuge é de mais de 30%, sendo que nas demais o número é de 16%.

Outra realidade

O perfil levantado pela Andifes também mostrou que as universidades federais ainda apresentam maioria branca entre seus alunos; são 53%. Já na UFT, essa realidade é diferente; quase 55% dos estudantes se declararam pretos ou pardos.

O número de alunos indígenas também evidencia um caráter peculiar da federal do Tocantins, pois a pesquisa revelou que esses estudantes somam mais de 5% na UFT - percentual maior que o das demais federais (0,9%) e mesmo que o das universidades da Região Norte (1,8%). A UFT foi uma das pioneiras na implantação do sistema de cotas para indígenas e reserva, em todos os vestibulares, 5% das vagas para esses alunos.

Aluno de federal

Outros dados identificados na pesquisa obtiveram poucas oscilações entre a diversidade regional brasileira e retratam bem o perfil do estudante da universidade pública. As mulheres são as que ocupam a maioria das vagas (53%) e o corpo discente é formado por residentes do próprio estado onde cursam sua graduação (89%).

O estudo ainda abordou o comportamento dos alunos e mostrou que mais de 60% fazem uso ocasional ou periódico do álcool e apenas 6% se declararam usuários de drogas ilícitas. Quando questões emocionais afetam a vida acadêmica, os problemas mais apontados pelos estudantes foram o baixo desempenho e a desmotivação, não citando significativamente reprovação, mudança de curso ou trancamento.( Ascom/UFT)

Por: Redação

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