Polí­cia

Foto: Divulgação Quando percebeu que funcionários haviam acionado a polícia, o acusado evadiu-se do Shopping Quando percebeu que funcionários haviam acionado a polícia, o acusado evadiu-se do Shopping

Em entrevista ao Conexão Tocantins na tarde desta segunda-feira, 17, Rodésio Pinto Dias, funcionário do Capim Dourado Shopping Center, confirmou que foi vítima de racismo e agressões por parte de um dos frequentadores do estabelecimento. O fato ocorreu na noite de ontem, enquanto Rodésio trabalhava na entrada do estacionamento do shopping.

De acordo com o funcionário, às 20h, enquanto cumpria seu horário auxiliando os motoristas a retirarem os tickets para o estacionamento, em um dos veículos, Thiago Chaves Sales, de 28 anos, que estava no banco do carona, desceu do carro e começou a retirar diversos bilhetes do estacionamento em outro terminal. Foi quando o funcionário chamou sua atenção.

De acordo com Rodésio, neste momento houve uma breve discussão e os jovens se retiraram do local. “Eu achei que estava tudo resolvido ali, naquele momento”, disse. No entanto, segundo a vítima, cerca de 45 minutos depois, outro veículo estacionou no local destinado a carga e descarga do shopping. Dele desceu novamente o acusado de racismo e começou uma discussão mais séria com o funcionário.

Segundo Rodésio, Thiago o interpelava com questionamentos acerca de sua identidade e função. “Quem você pensa que é? Você sabe quem eu sou? Se quiser, podemos sair no braço”, teria dito o acusado de prática racista. Neste instante, de acordo com o funcionário do shopping, Thiago o teria agredido com um soco no rosto. “Levar um soco no rosto é complicado para qualquer homem. Foi quando eu revidei e fomos às vias de fato”, disse.

O crime de racismo teria sido cometido depois que a briga foi apartada pelos amigos do acusado e outros funcionários do Shopping. Rodésio informou ao Conexão Tocantins que foi quando Thiago começou as ofensas raciais. “Ele me chamou de preto safado. Me disse que eu estava ali por que não valia nada. Que se quisesse poderia pagar o meu salário com o dinheiro que tinha no bolso. É complicado isso”, completou. Além disso, conforme informação da vítima, o acusado o teria ameaçado de morte. “Ele disse que se me encontrasse de novo, iria me matar”.

Quando percebeu que o funcionário do shopping havia chamado a polícia, Thiago fugiu do local. Ali permaneceram alguns funcionários do Capim Dourado e outros amigos do acusado de racismo. “Eles me deram apoio e convenceram ele de voltar para prestar esclarecimentos pra polícia”, lembrou Rodésio.

Foi através da influencia de um desses amigos que o acusado retornou ao local e confirmou aos policiais as agressões físicas e os ataques racistas. “Ele disse que chamava todos os amigos dele de preto, que isso não era uma ofensa”, disse a vítima.

Explicações dadas, foram todos para a delegacia onde o acusado também registrou, com a presença de seu advogado, um Boletim de Ocorrência contra o funcionário do shopping, por agressão. Rodésio informou que vai procurar a Defensoria Pública para buscar sua defesa e informou que pretende buscar todas as providências cabíveis neste caso. “Eu não entendo muito de leis, mas pelo que me explicaram racismo é crime inafiançável, como ele ainda não está preso?” questionou o trabalhador agredido.

O funcionário ainda frisou que todo o episódio foi gravado pelas câmeras de segurança do shopping e que está recebendo todo o apoio necessário por parte da administração do Capim Dourado Shopping.

Nota

O Conexão Tocantins tentou sem sucesso contato com o acusado, ou uma das testemunhas do caso. Ressaltamos que o canal para seus posicionamentos estão abertos a qualquer momento para que o outro lado também possa se pronunciar.