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A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (PSD), defendeu nesta quarta-feira, 23, um novo modelo de política agrícola para garantir que pequenos e médios produtores rurais do País possam superar os problemas de renda, a partir de mecanismos de sustentação de preços, ampliando a classe média rural. A manifestação foi feita na presença da presidente da República, Dilma Rousseff (PT), durante o encerramento do seminário “Os Desafios do Brasil como 5ª Potência Mundial e o Papel do Agronegócio”, em celebração aos 60 anos da CNA e aos 20 anos do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), em Brasília. As bases deste novo modelo de política agrícola, discutidos por quase três anos entre a entidade e o governo, foram apresentados durante o evento, e terá instrumentos como a criação de um cadastro único de propriedades rurais e de uma central de risco, que visam dar mais transparência aos contratos de financiamento, e o pagamento de subvenções diretamente ao produtor, em substituição aos leilões.

Na avaliação da senadora, o governo da presidente Dilma Rousseff, com este novo modelo de política agrícola, representa “uma nova esperança” aos produtores rurais do País. “Queremos ser parte deste novo tempo para um Brasil sem miséria”, destacou. Afirmou que o setor agropecuário quer fazer parte do crescimento do País, ajudando a economia brasileira a não ter maiores seqüelas em momentos de crise e a manter os saldos positivos na balança comercial e nas contas externas. “Nossa contribuição fez com que o Brasil não fosse afetado pelas dificuldades que tem atingido as principais economias do mundo”, completou.

Disse, ainda, que o produtor rural precisa de “paz e segurança jurídica” para continuar produzindo, sem o radicalismo ambiental pregado por algumas entidades ambientalistas, o que será possível com uma legislação ambiental atualizada e adaptada à realidade do setor rural, a partir de um novo Código Florestal, cuja proposta está em discussão no Senado. “Precisamos de segurança para que a agricultura e a pecuária continuem modernas, eficientes e principalmente sustentáveis”, afirmou.

A presidente da CNA lembrou, também, da necessidade de investimentos em infraestrutura para facilitar o escoamento da produção da fazenda aos portos. “A produção mudou sua geografia e a infraestrutura não acompanhou”, disse a senadora, que fez um histórico destacando o papel do produtor rural no crescimento da agropecuária, que hoje faz com que o Brasil produza 160 milhões de toneladas de grãos em 40 milhões de hectares, graças ao uso de tecnologia. “Sem essa tecnologia, o produtor precisaria de 128 milhões de hectares para produzir”, enfatizou. Relatou, ainda, que o País deixou a condição de importador na década de 60 e alcançou a auto-suficiência na produção, além de superar os sérios problemas de abastecimento. Com este desempenho, o produtor rural brasileiro conseguiu produzir tudo o que a população brasileira consome e exportar excedentes para outros países.

Outra conquista mencionada pela senadora foi o barateamento dos preços, lembrando que, há 45 anos, as famílias brasileiras gastavam 48% da renda com alimentação, e hoje gastam entre 16% e 18%. Apresentou dados que demonstram que, em 30 anos, houve queda anual de 5% nos preços de 28 produtos agropecuários consumidos pelas famílias brasileiras. (Ascom CNA)