Campo

Na manhã desta quinta-feira, 19, manifestantes interditaram um trecho da BR-153, na altura do acampamento Vitória, no trevo que liga as cidades de Colinas do Tocantins e Palmeirante. Entre os manifestantes estão membros da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e indígenas.

De acordo com Miguel Batista, um dos manifestantes no local, cerca de 400 manifestantes, incluindo 120 indígenas das etnias Krahô, Apinajé, Xerente e Karajá, estão no movimento que interdita a rodovia desde o início da manhã de hoje. Conforme Batista, somente ambulâncias tem permissão para passar pela barreira e a manifestação não tem prazo para terminar. “Enquanto não formos atendidos, continuaremos aqui”, completou.

Ao todo, os trabalhadores que interditaram o trecho da BR-153 fazem basicamente três reivindicações principais, conforme explicou Miguel. “Nós queremos a liberação das terras, justiça pela morte do Gabriel e que nos ouçam com relação à barragem”, disse.

Estas reivindicações já são antigas nos movimentos sociais da região. A liberação das terras da qual o manifestante comentou, é uma luta que já vitimou trabalhadores rurais nas margens da BR-153, conforme já levantado pelo Conexão Tocantins. Segundo os manifestantes, a região em torno da rodovia é composta por terras públicas de poder da União e Estado, que são disputadas fortemente por agricultores familiares e grandes produtores rurais.

Esta disputa gerou, inclusive, a segunda reivindicação dos manifestantes, quando o trabalhador rural Gabriel Vicente de Souza Filho, foi assassinado supostamente por capangas de um fazendeiro local.

Já a terceira reivindicação diz respeito à região afetada pela construção da Usina Hidrelétrica de Estreito. De acordo com os manifestantes, a barragem da usina afeta diretamente os municípios de Palmeirante, Tupiratins e Barra do Ouro.

Polícia acompanha

A Polícia Rodoviária Federal informou ao Conexão Tocantins que acompanha toda a movimentação no trecho interditado pelos manifestantes, mas que até o momento não possui maiores informações sobre a situação. De acordo com a PRF, policiais estão de prontidão desde as 6h30 da manhã e a solução para o conflito deve ser resolvido em breve.