Polí­tica

Foto: Koró Rocha

O assunto predominante da sessão ordinária da manhã desta quinta-feira, 26, na Assembleia Legislativa do Tocantins, foi o pedido de formação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as possíveis ligações entre o governador Siqueira Campos (PSDB) e o bicheiro Carlos Cachoeira, investigado pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo. O deputado Stálin Bucar (PR) fez pronunciamento no qual convocou os parlamentares a assinarem o pedido que já está pronto e nas mãos da bancada de oposição. Para que a CPI seja instalada, são necessárias oito assinaturas de deputados, ou seja, um terço do parlamento.

Durante sua fala, o deputado ironizou a justificativa de Siqueira que infomrou que esteve por apenas “dois minutos” com o bicheiro durante uma festa. “Se com apenas dois minutos ele já conseguiu R$ 3,5 milhões, imagina se tivesse ficado por duas horas?”, questionou. O deputado ainda fez um comparativo entre Siqueira e um famoso personagem de cinema. “Aqui no Brasil estamos descobrindo que existe um 'Poderoso Chefão'. Só que os mafiosos italianos não tinham tanto envolvimento com recursos públicos”, disse.

Participação da PF

Durante sua fala, o deputado ainda destacou que, caso a bancada de oposição consiga emplacar a CPI do Cachoeira na AL, será encaminhado um ofício à Polícia Federal para que haja participação de um delegado e um escrivão nas investigações que poderão inciar com a instalação da CPI. “Logo após a instalação dessa CPI, gostaria de pedir a participação de um delegado da PF para nos dar suporte nas investigações”, disse.

Ampliação das investigações

Já o deputado Sargento Aragão (PPS), assim como já antecipado no final da sessão da última quarta-feira, frisou nesta quinta que a meta é ampliar a investigação da CPI do Cachoeira na AL para órgãos do Judiciário tocantinense. De acordo com Aragão, é preciso investigar a “omissividade” do Ministério Público Estadual e a “comissividade” do Tribunal de Justiça. Rebatendo questionamentos do deputado José Bonifácio (PR), o deputado frisou que “este papo de que a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) instalada no Congresso irá resolver os problemas no Tocantins, é conversa para boi dormir”.

Durante sua fala, o deputado ainda lembrou do decreto de Emergência feito no início da gestão de Siqueira Campos, no qual foram contratadas empresas sem processo licitatório. “Vamos falar do famigerado estado de emergência nas estradas que ele (Siqueira) usou para contrarar R$ 600 milhões que ele distribuiu entre seis empresas das quais, cinco foram doadoras de campanha”, lembrou.

Bancada de governo

Já o deputado José Bonifácio (PR), depois de questionar a necessidade de se instalar uma CPI para investigar assunto já debatido no Congresso, destacou que todo o dinheiro arrecadado para a campanha de Siqueira Campos foi doado de forma legal comprovada junto ao Trinbunal Superior Eleitoral.

Além disso, o dpeutado ainda destacou que não foi apenas Siqueira que teve possível envolvimento com o bicheiro investigado pela Operação Monte Carlo. Bonifácio lembrou que os ex-governadores Marcelo Miranda e Carlos Gaguim, ambos do PMDB, também foram citados nas gravações da Polícia Federal. “Será que não é um tiro no pé dos políticos que vossa excelência trabalha, ou faz parte do grupo?”, questionou ao deputado Stálin Bucar.