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Trabalhadores que foram resgatados de uma carvoaria em Sandolândia no último dia 11 de abril entraram em contato com o Conexão Tocantins onde manifestaram revolta pela falta de pagamento por parte do proprietário Carlos Antônio Gonçalves. O acordo feito entre os trabalhadores intermediado pelo Ministério do Trabalho deu prazo até dia 26 de abril para que Gonçalves fizesse o pagamento para os servidores mas segundo eles isso não aconteceu. Os trabalhadores, distribuídos em três carvoarias, foram resgatados pelo grupo de operação de fiscalização móvel da delegacia regional do trabalho

“Estamos aqui espalhados em hotéis na cidade de Sandolândia esperando o pagamento para voltar para nossas casas e até agora nada”, contou um dos trabalhadores em entrevista ao Conexão Tocantins. Na versão deles, no dia 26 o proprietário informou que não tinha dinheiro para pagá-los e sendo assim estipulou esta quinta-feira, 3, como novo prazo. “Nós já recebemos a informação de que ele não vai nos pagar nesta quinta-feira também”, frisou. Os hotéis onde eles estão hospedados enquanto aguardam o acerto está sendo custeado pelo Ministério do Trabalho, segundo afirmam os trabalhadores.

O Ministério do Trabalho, segundo os trabalhadores, fizeram vistoria na carvoaria e constataram que os alojamentos não tinham portas, nem janela e banheiros . Além dessas irregularidades a água que era disponibilizada para os trabalhadores não era potável, segundo eles afirmaram. A carteira dos trabalhadores não era assinada e não foi firmado nenhum tipo de contrato para a prestação de serviço.

Ao todo foram libertados 21 trabalhadores que estariam aguardando o pagamento por parte do proprietário para retornarem a seus municípios. Muitos vieram de Minas Gerais e outros do Maranhão para trabalhar na carvoaria. Segundo contou um dos trabalhadores dos sete meses que estava trabalhando no local recebeu pagamento apenas duas vezes.

O Tocantins atualmente é o quinto na lista Suja do trabalho escravo.No ano passado segundo dados da Comissão pastoral da Terra ao Conexão Tocantins 57% das denúncias de trabalho escravo no Tocantins foram em carvoarias.

O outro lado

O advogado de defesa do proprietário, Higor de Queiroz apresentou sua versão ao Conexão Tocantins sobre o assunto.Segundo ele, os trabalhadores foram resgatados mas as condições de trabalho não eram análogas de escravo. “Eles tinham água em abundância, lá tem poço artesiano, tinham comida e amplas condições de morar”, contestou.

O caso está na justiça e o advogado já entrou com um pedido para que as carvoarias sejam desinterditadas. “Havia condições insalubres de trabalho mas não condições degradantes. Não foi dada condição de defesa ao proprietário na hora da fiscalização”, diz o advogado. O proprietário informou ao Conexão Tocantins que achou uma injustiça a operação do Ministério do Trabalho e que adequações nos alojamentos já estão sendo feitas e inclusive as carteiras dos trabalhadores do local foram assinadas, segundo ele.

Sobre o pagamento questionado por alguns trabalhadores o advogado explicou que eles estão sob tutela e responsabilidade da Delegacia regional do trabalho e que não há atraso nos salários.