Polí­tica

Foto: Divulgação

A greve dos professores das universidades federais chega nesta quarta-feira, 06, ao seu 21º dia de greve em todo o Brasil. A paralisação começou em 17 de maio, e atualmente professores de 51 instituições federais estão de braços cruzados: 47 universidades (cerca de 80% do total) e quatro dos 40 institutos ou centros federais de educação tecnológica, segundo dados do MEC, estão parcial ou totalmente parados.

Para a deputada federal Dorinha Seabra Rezende (DEM), essa greve é um dos reflexos do baixo investimento do Governo Federal em relação à valorização do professor. “Mas é importante ressaltar que essa desvalorização vai desde a educação básica até a universitária. A Educação, assim como os professores, não recebem a valorização que merecem”, disse.

Em meio às discussões do Plano Nacional de Educação (PNE), a parlamentar reitera a necessidade de o Governo destinar 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a Educação. “Temos que enfrentar o desafio de corrigir distorções e oferecer um salário minimamente razoável para os professores, além de melhores condições de trabalho”, afirmou.

Ainda de acordo com a parlamentar, já é comum ver greves de professores tanto das universidades federais quanto da educação básica todos os anos, o que causa um sério prejuízo à população. “As greves se tornaram comuns, pois acontecem todos os anos e ainda assim o Governo ignora essa problemática. É uma demonstração de desinteresse pela Educação”, disse Dorinha.

A Comissão de Educação e Cultura da Câmara criou uma subcomissão especial para tratar exclusivamente da carreira docente, da qual Dorinha faz parte. “Um grupo de parlamentares irá debater esse assunto diretamente com o Governo, buscando alternativas para melhorar as condições da carreira docente”, ressaltou.

Sobre a greve

No Tocantins, a universidade federal também aderiu à paralisação. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a reitoria reconhece a greve que atinge quase todo o quadro docente. A Universidade Federal do Tocantins (UFT) tem 904 professores e 15.062 alunos. Os estudantes também entraram em greve pedindo o cancelamento do calendário acadêmico.

Estudantes de 19 das 46 universidades federais também entraram em greve para pedir melhores condições de ensino. Segundo o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino (Andes), a greve afeta mais de 1 milhão de alunos.

Os professores federais reivindicam carreira única com incorporação das gratificações em 13 níveis remuneratórios, variação de 5% entre níveis a partir do piso para regime de 20 horas correspondente ao salário mínimo do Dieese (atualmente calculado em R$ 2.329,35), e percentuais de acréscimo relativos à titulação e ao regime de trabalho.

A categoria também reclama da política de expansão das universidades federais feitas pelo governo através do programa Reuni. Segundo a Andes, a expansão foi feita às pressas e provocou a queda das condições de trabalho, com salas lotadas, excesso de disciplinas e de orientações na graduação e na pós-graduação, ausência de laboratórios e estrutura para pesquisa e extensão, e de uma política efetiva de assistência estudantil.

No Tocantins, os docentes buscam uma elaboração de novo Estatuto Geral da UFT, melhoria das condições de trabalho docente, incidindo de revisão da carga horária máxima em sala de aula e política de gestão do banco de professor equivalente e expansão da UFT, consistindo de melhorias da estrutura atual de forma equilibrada com a criação de novos cursos. (Assessoria de Imprensa)