Polí­tica

Foto: Divulgação Ex-pró-reitor de graduação da Unitins, Galileu Guarenghi Ex-pró-reitor de graduação da Unitins, Galileu Guarenghi

As dúvidas sempre ficaram na mente dos tocantinenses quando o assunto foi o fim da parceria entre a Unitins e Eadcon que atuavam juntas no sistema de ensino a distância que alcançou cerca de 90 mil alunos em todo Brasil. No atual momento político pelo qual passa a capital, Palmas, onde o empresário Carlos Amastha (PP), que era o gestor do sistema Eadcon, é candidato a prefeito, a polêmica voltou à tona.

O ex-pró-reitor de graduação da Unitins, Galileu Guarenghi, esclarece que a parceria entre a Unitins/Eadcon consistia da seguinte forma: “A Eadcon era uma parceira que proporcionava a divulgação, montagem das telessalas e responsável pela estrutura e transmissão de aulas. A responsabilidade de diplomação nunca foi da Eadcon, era e é da Unitins”, afirma.

Segundo Galileu, o MEC (Ministério da Educação) mudou as regras do jogo no meio do projeto e a concepção de educação à distância desenvolvida pela Unitis/Eadcon passou a não ser aceita. “O MEC através da Secretaria de Educação à Distância, que hoje nem existe mais, tentou estabelecer um modelo único de educação e acabou com a parceria Unitis/Eadcon. Esse modelo que nós tínhamos era muito bom, reconhecidamente de qualidade. E ao contrário do que estão falando, ele não prejudicou milhares de alunos, ele beneficiou milhares de alunos que não teriam acesso à educação”, destaca Galileu.

O candidato à prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PP), reitera o seu orgulho por ter participado do projeto Unitis/Eadcon, onde se formaram milhares de tocantinenses e brasileiros com diplomas. Amastha destaca que hoje essas pessoas são profissionais, professores e muitos passaram em concursos públicos. “Esse foi o maior projeto de educação a distância do mundo e a nossa responsabilidade era fazer a transmissão das aulas que eram produzidas pela Unitins. Nunca deixamos de cumprir com nossas responsabilidades, pois montamos salas em 139 municípios tocantinenses”, ressalta Amastha, completando: “A parceria acabou porque os políticos interferiram nos projetos e não defenderam quando o Ministério da Educação questionou. Não usaram a força que diziam ter para manter essa ideia e esse projeto acabou”, afirma.   

Galileu ressalta a qualidade dos professores classificando como referência na educação do País. “Nossa preocupação era levar o estudo aquelas pessoas que não teriam condições. O projeto não pode ser atacado por quem desconhece do que se fez ou do que se faz dentro da unidade”, disse, completando: “Todos os alunos, inclusive os que entraram depois que sai da universidade estão diplomados. Os que foram aprovados e não pegaram o diploma ainda, é só ir até a Unitins e retirar. Agora, quem não aprovou não pode ter diploma”, diz.

Reconhecimento da Eadcon é unanime entre políticos tocantinenses

Segundo a assessoria de imprensa do candidato a prefeito de Palmas, Carlos Amastha, o reconhecimento do projeto da Unitins/Eadcon é unanime para alguns políticos, tanto que, segundo a assessoria, o governador Siqueira Campos, foi um dos incentivadores quando estava fora do Palácio Araguaia, em 2004 e o deputado estadual Marcelo Lelis (PV), também candidato a prefeito de Palmas chegou a requerer na Assembleia Legislativa do Tocantins Moção de Aplausos para o então empresário responsável pela Eadcom, Carlos Amastha.

Em 2004, Siqueira Campos foi convidado por uma aluna da Unitis/Eadcon para participar da formatura de um dos cursos do projeto e por meio de carta fez vários elogios: “Quando no meu governo, iniciamos a implantação dos cursos superiores de educação à distância, em feliz e bem sucedida parceria da Unitins com a Educon, tendo à frente desta o ministro Borges da Silveira, tinha absoluta certeza do excelente resultado, agora comprovado, pela alta qualificação do quadro de dirigentes, professores e funcionários das duas instituições e da viável transformação do Estado do Tocantins em centro de excelência em educação”, diz um trecho da carta.

Em outro momento, quem fez elogios a Eadcon foi o deputado estadual Marcelo Lelis (PV), que hoje, segundo a assessoria de Carlos Amastha, ataca o sistema. Em 2010 o pevista enviou a Assembleia Legislativa um pedido de moção de aplausos para o empresário Carlos Amastha pela contribuição do desenvolvimento do Tocantins na área da educação e empresarial. “Empresário Carlos Amastha, homem empreendedor, que tem se dedicado a atuar em diversas áreas no mundo dos negócios. Aqui no Tocantins, desde a sua chegada, tem contribuído decisivamente para o desenvolvimento de Palmas e do nosso Estado. Exemplos do seu espírito empreendedor são o Shopping Capim Dourado e o Sistema Educacional de Ensino à Distância Eadcon”, justifica no requerimento.

O deputado continua enaltecendo os empreendimentos de Amastha: “O primeiro, vale dizer, gerando divisas e oportunidades em nossa capital. O segundo, formando milhares de tocantinenses na educação superior”, diz um trecho do pedido do deputado.