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Na audiência da Comissão de Educação e Cultura (CEC), nesta terça-feira, 13, a deputada federal Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO) reforçou ao ministro da Educação, Aloízio Mercadante a necessidade de reformular o currículo do Ensino Médio e a formação dos professores da Educação Básica.

Professora Dorinha explicou que a formação do professor acontece na estrutura de ensino superior, mas que não há preparo para a alfabetização. “Nos cursos de Pedagogia ou o antigo Normal Superior, menos de 16% dos cursos têm disciplina de alfabetização. Se não reformular o currículo dentro da universidade, nós vamos continuar tendo um professor na sala de aula que não foi preparado para ser alfabetizador”, disse a parlamentar, que ressaltou a importância do envolvimento das universidades no sentido de estruturar o currículo de graduação à formação para a alfabetização.

A deputada explanou ao ministro a necessidade de enfrentar a situação da formação docente. “A universidade continua fechada formando o professor como ela quer. As diretrizes curriculares são distantes do que o professor de educação básica precisa. Ele chega na sala para dar aula de português e matemática e não sabe como fazer e as pesquisas de avaliação mostram isso. É urgente melhorar a formação de professores”, afirmou.

Sobre o Ensino Médio, Professora Dorinha pontuou que os estudantes dessa área são frutos de um sistema educacional com lacunas e que senta falta de um modelo mais inovador. “Não se trata de política pública, mas de financiamento e incentivo. A questão curricular precisa ser reestruturada. Poucos estados têm um currículo definido para a Educação Básica e no Ensino Médio não é diferente. Existe uma demanda desse novo desenho do Enem que precisa ser discutido junto à educação básica dos estados e universidades pra definir e atualizar as matrizes de referência do Enem”, disse a deputada.

Sobre a audiência

O ministro Aloízio Mercadante compareceu à Câmara para apresentar um balanço das atividades do MEC em 2012. O Ministro expôs aos deputados da CEC as prioridades da sua pasta. Dentre elas, a implantação  de um pacto com as prefeituras para distribuir uma ajuda de custo mensal de R$ 200 para os alfabetizadores e coordenadores dessa área. Esse programa, informou o ministro, é apoiado por 36 universidades de todo o País e conta com o apoio da presidente da República, Dilma Rousseff. O objetivo é estimular a meritocracia nas escolas. Para isso, o MEC vai distribuir 3,3 milhões de bolsas de estudos e R$ 500 milhões para as escolas.

Mercadante disse que está discutindo várias linhas de atuação com as secretarias estaduais de Educação para reforçar o ensino médio e torná-lo mais interessante para os jovens. Em relação ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que é a grande expectativa dos estudantes, o ministro informou que as escolas serão cobradas para promover uma mudança curricular para tornar o ensino médio mais eficiente. O MEC vai investir no treinamento dos corretores de provas, no atendimento dos alunos com necessidades especiais e aprimorar o transporte das provas por meio do uso de chips que registram a hora em que os malotes são abertos.

Também há o investimento no programa Ciências sem Fronteira, que visa estimular o aprendizado de uma segunda língua, especialmente o inglês, por meio de um método usado na China com sucesso, que prevê o uso de computadores, mas também com aulas presenciais. Também está sendo incrementando o estudo de mandarim e espanhol.

Segundo Mercadante, o ministério está estudando a distribuição de tablets para os professores contendo todo o material didático. O objetivo é melhorar o conhecimento dos professores. O MEC também está investindo na construção de quadras esportivas, na aquisição de uniformes e de mobiliário. Em relação ao Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), o ministro informou que mais de 2 milhões de interessados já se inscreveram nesse programa de ensino profissionalizante, em especial jovens, desempregados e mães que pretendem trabalhar.

O ministro voltou a defender a destinação de 100% dos royalties do petróleo para o setor. Aprovada no Congresso, a proposta de redistribuição dos royalties está pronta para a sanção da presidente da República, Dilma Rousseff, e, segundo o ministro, ainda há chance de os recursos seguirem para a educação do País. (Com informações da Agência Câmara)