Campo

Foto: Divulgação

Na semana passada, um caminhão contendo 1.500 mudas de árvores frutíferas foi apreendido em Palmas pela Agência de Defesa Agropecuária (Adapec). O condutor prestou depoimento na delegacia e foi liberado em seguida. Já as plantas foram levadas para o Aterro Sanitário de Palmas e destruídas.

A questão levantou um questionamento com relação ao destino dado às milhares de mudas apreendidas todos os anos em barreiras sanitárias. Muito se questiona sobre a não doação dessas plantas para que pudessem servir para pomares particulares em quintais de casas, sítios e chácaras da região.

De acordo com o inspetor agropecuário da Agência, Carlos César Barbosa, que acompanhou a operação no último final de semana, mesmo que não sejam destinadas para fins comerciais, estas mudas representam um risco iminente à população, pois podem carregar pragas e doenças imperceptíveis a olho nu.

O técnico ainda frisou que não existe, na estrutura estadual, um laboratório de fitoanálise, que serviria para atestar a sanidade de plantas apreendidas. “Mesmo se tivesse, o tempo que se leva para a análise de mudas, é o tempo em que uma praga pode se alastrar”, explicou.

E não apenas as folhas e caules de plantas sem atestado de sanidade podem trazer perigos, segundo Barbosa. O torrão da muda (porção de terra ensacada que fica embaixo da planta) pode conter vermes e fungos que prejudicam o solo, caso alastrados. “No torrão da muda existem doenças de solo que não são possíveis de identificar de imediato. O Neumatoide, que é um verme do solo, por exemplo, se ele se espalhar, impossibilita a pessoa de plantar diversas culturas”, complementou.

Outro exemplo citado pelo inspetor da Adapec foi o da Mosca Negra, que assola plantações de frutas cítricas. De acordo com Barbosa, a cinco anos atrás, o Tocantins não possuía registros de doenças causadas pela mosca. No entanto, com o plantio de mudas sem atestado de sanidade, o inseto se espalhou com facilidade pelo Estado. “Hoje são poucos produtores de citros que não tem as folhagens de suas árvores com a doença”, salientou.

Alerta

Mesmo que a finalidade do plantio de mudas, sem a devida documentação atestando a procedência e a sanidade, não seja a comercialização, o alerta é para que pragas e doenças podem ser espalhadas de uma única planta – cultivada, ou não. “Essas mudas são transportadas de maneira irregular, em caminhões de carroceria de madeira e podem ir espalhando essas pragas em plantios nas margens das rodovias de todo o Estado”, alertou o técnico, observando que o transporte ideal destas plantas deve ser feito em estufas adequadas às normas técnicas.

Apreensão

O condutor do caminhão apreendido em Palmas na última semana, por não apresentar a documentação exigida para o transporte das mudas ficou impossibilitado de comercializá-las e as plantas acabaram destruídas no aterro sanitário da capital. “Além de não ter a documentação, ele estava vendendo as plantas ‘ambulante’, quando elas deveriam ser acondicionadas em estufas”, concluiu.