Polí­tica

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 O deputado estadual José Roberto Forzani (PT) ao usar a tribuna na manhã desta quarta-feira, 19, na segunda edição do Parlamento Popular defendeu a instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar desvios de dinheiro na concessionária de energia Celtins.  Segundo o deputado, são onze anos de ‘roubalheira’.

Ao Conexão Tocantins o deputado explicou que o interventor da Celtins em audiência afirmou que além dos prejuízos com investimentos mal feitos, de empréstimos que eram realizados na Celtins e repassados a outras empresas do grupo Rede na casa dos R$ 600 milhões, há ainda um rombo em torno de 42 milhões. O deputado disse que o interventor da Celtins foi enfático em afirmar que não sabe onde esta cifra foi parar.

“Os fatos são gravíssimos. O Estado é dono de 49% da Celtins  e os tocantinenses estão sendo prejudicados pelos prejuízos de quase R$ 600 milhões, frutos de investimentos mal feitos. Foram desviados muitos recursos que praticamente inviabiliza a Celtins se não tiver um aporte do Governo Federal”, explanou.

Ele afirmou que atualmente a empresa não tem condição de fazer nenhum investimento por causa dos desvios, inclusive, não consegue nem ampliar o programa Luz Para Todos. Forzani afirmou que há cerca de dois anos o Programa Luz Para Todos parou no Estado porque a empresa recebeu o aporte do Governo Federal para realizar esta obra, mas a Celtins não utilizou o dinheiro para fazer a quantidade de ligações que deveriam ter sido feitas e a empresa não tem condição de cumprir todo o programa. De acordo com ele, a Celtins fez uma proposta ao Governo Federal para receber mais recursos para fazer as ligações que  já deveria ter feito. “Há por parte da Celtins uma dívida com o Ministério da Energia de recursos que recebeu para o programa Luz Para Todos, mas que não foi investido e o interventor da empresa disse que não sabe para onde este dinheiro foi”, destacou.

O petista ainda denunciou que a empresa fez ‘gastos de energia’ nas hidrelétricas de Peixe e Lajeado ocasionando um prejuízo de mais de R$ 15 milhões, conta esta, que, segundo o deputado, será paga pelo consumidor tocantinense. Forzani explicou que a rede elétrica pertencia às hidrelétricas e a Celtins utilizava a rede para passar energia sem pagar às hidrelétricas. “A Celtins já cobrou dos tocantinenses, mas como tem que pagar esta conta vai cobrar quase R$ 15 milhões dos consumidores novamente para pagar a rede elétrica que utilizou das hidrelétricas”, explanou.

O deputado adiantou que será feito uma audiência pública para defender a instauração desta CPI e na próxima semana deverá ser feito o pedido para a instalação da Comissão porque segundo o deputado, o povo tocantinense não pode arcar com a irresponsabilidade do grupo rede com o grande volume de desvios.

Na semana passada o  interventor da Agencia Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), na Celtins, Isaac Pinto Averbuch, participou de uma audiência Pública na Casa de Leis onde mencionou uma série de decisões que levaram a empresa a ter problemas de caixa  como investimentos considerados “imprudentes”, de alto valor inicial e de retorno demorado, contratos desfavoráveis à Celtins que beneficiaram outras companhias de parentes da cúpula do Grupo Rede, excessivo número de funcionários mantidos em São Paulo, falta de clareza quanto aos custos e saques injustificados de R$ 42 milhões da Celtins para outras empresas do grupo.