Opinião

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O Brasil está às vésperas de ano eleitoral ainda sob influência dos protestos de rua; será especialmente positivo se a reflexão dos fatos despertar maior interesse na participação popular na política.

Manifestação é uma forma de participação, porém não a mais eficiente, porque as mudanças políticas pretendidas e reclamadas continuam dependentes da vontade dos políticos atuais. O que precisa ocorrer é a reforma dos políticos, dos que fazem política, dos que comandam as instituições políticas. Isso somente se alcança por meio dos partidos.

As legendas andam com conceito em baixa, é verdade, e são em parte culpadas pelas disfunções da política brasileira. Porém, é forçoso admitir que boa parte da sociedade se distanciou da vida partidária e, ao agir assim, ao menos indiretamente contribuiu para essa situação. Os partidos políticos são, na democracia, os instrumentos legítimos para a disputa política, pois é por eles que são escolhidos os representantes que decidem os rumos do país. Qualquer solução para a crise das instituições deve contemplar obrigatoriamente mecanismos que promovam maior sintonia entre partidos políticos e sociedade.

Para a transformação de consciência ocorrer é necessária a renovação de ideias e ideais e para isso acontecer é imperioso que se renovem os atores da cena. Para alteração do pensamento e da ação o caminho é a participação e esta somente se efetiva através do o debate e discussões na esfera partidária. Está havendo uma carência de participação popular no quadro partidário dominado por políticos personalistas, que se transformaram na essência dos partidos.

Independentemente se o número de siglas é demasiado alto e a maioria sem ideologia clara e definida, o que importa é levar aos partidos ideias e convicções novas, fortes e representativas. Democracia somente se consolida com partidos fortes. Este é o princípio para todas as transformações.

É necessário o aparecimento de novas lideranças partidárias, descomprometidas com a reprodução do fisiologismo e das práticas patrimonialistas. Vai ser preciso empreender um processo de revitalização das legendas com objetivo de torná-las mais democráticas e mais férteis no debate do programa partidário. Esse esforço só será possível se o preconceito for quebrado e se pessoas que têm participado da vida pública, mas que se mostram alheias aos partidos, decidirem participar do processo eleitoral. O nascimento de novas lideranças, genuinamente comprometidas com os assuntos públicos, fará com que as legendas voltem a cumprir sua função na democracia.

Manifestação de rua como ato de reclamar e exigir mudanças é salutar, mas em si não tem força para mudar, apenas pressionar. Portanto, usar essa energia para contribuir com mudanças é mais eficaz.

É verdade que a ditadura militar destruiu o sistema democrático partidário ao impor o bipartidarismo e a proibição da livre manifestação, o que promoveu uma generalizada e prolongada apatia participativa. Porém, hoje os tempos são outros e as opções partidárias amplas, não há razão para não participar no cenário correto apropriado.

Se não houver renovação, a política viciada, as ideias personalistas e corporativas continuarão. Quem se omite de participar para mudar não terá o direito de reclamar da continuidade dos desacertos e mazelas.

Estamos a um ano das próximas eleições, há tempo para mudar; há esperança de chegarmos em outubro de 2014 com partidos aerados, mais fortes e representativos. Basta que os cidadãos e cidadãs de bons propósitos decidam se manifestar no foro mais legítimo da política democrática: o partido.

Luiz Carlos Borges da Silveira – ex-ministro da Saúde e ex-deputado Federal. Atualmente é Secretário Municipal do Desenvolvimento Econômico e Emprego de Palmas – TO. E-mail: lcborgesdasilveira@gmail.com

Por: Luiz Carlos Borges da Silveira

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